
A FGV apresentou recentemente um estudo com respeito a efetividade e oportunidades existentes por conta da ZFM. É animador observar o quanto tem sido positiva a área industrial para Manaus. Riquezas devem ser usadas e como geramos riquezas a partir desta área industrial. Entretanto, faltam ações para gerarmos ainda mais riquezas das outras potencialidades.
Há tantos recursos locais que eles são desprezados por todos nós. Talvez estejamos inebriados por observar como empresas de capital estrangeiro se posicionam em Manaus para realizar lucro e usamos tantos de seus impostos que nos acomodamos. Aliás, ainda bem que o fazem. Entretanto, precisamos usar este aprendizado sobre como fazer dinheiro para realizar o mesmo. Como o capital nacional e estrangeiro construirão riquezas com recursos naturais daqui? Este é o desafio que precisa ser superado.
Faltam ações que transformem a enorme quantidade de oportunidades em realizações. Precisamos de menos amarras para que a produção da região comece a ser abundante. Há uma luta no mundo pela prosperidade e temos agido como se ela fosse automática ou derivada de impostos e uma benesse do Estado. Sempre me dói na alma ouvir de analistas: precisamos regular, tributar, criar regras.
Nossas lideranças pensam em como criar amarras para a produção, enquanto a geração criativa de riquezas clama exatamente pelo oposto: liberdade. Hoje há abundância de regras, que têm levado a um modelo extremamente dependente do grande capital estrangeiro e das grandes corporações que são as únicas que conseguem aguentar tanta regra e burocracia.
É fundamental uma agenda de desenvolvimento livre de amarras do Estado em relação ao que seja sustentável. Permitir a exploração do potássio é um exemplo, colocado em pauta pelo vice-presidente Hamilton Mourão na última sexta-feira em Manaus, quando disse-nos que o Brasil importa 70% do potássio consumido na agricultura e existe o potencial de gerar R$ 10 bilhões por ano em nossa economia. Como fazer isso? São tantas as possibilidades na região que desconectamos da abundância existente e ficamos com medo de realizar.
Preservar para preservar por preservar é puro desperdício. A abundância desperdiçada tem o potencial de transformar o Brasil em uma nação ultra próspera. Entretanto, entre o potencial e a realidade existirá uma quantidade abundante também de inimigos. Isso precisa ser percebido e é criminoso com as gerações atuais e futuras não criar esta riqueza, em meio a pluralidade de oportunidades que temos. Quanto mais verde formos, mais diversidade natural e mais possibilidades. Porém, possibilidades nãos são realidades. Há um longo caminho de trabalho entre as duas coisas. Segundo o estudo da FGV, conduzido pelo Prof. Dr. Marcio Holland, em 2010, a renda per capita de São Paulo (R$ 30 mil) era 1,8 vezes maior do que a do Amazonas (R$ 17 mil), em 1970, no começo da ZFM, a renda per capita de São Paulo (R$17,4 mil) era 7 vezes maior do que a do Amazonas (R$ 2,4 mil). Houve relevante redução da diferença de renda per capita entre o Amazonas e os estados mais ricos do país. Imagine o que pode ser feito se usarmos os recursos locais?
Augusto César Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes (COPPE/UFRJ), professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), diretor adjunto da FIEAM, onde é responsável pelas Coordenadorias de Infraestrutura, Transporte e Logística.
Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.
