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Augusto Barreto Rocha

Competitividade, soberania e o futuro da indústria nacional

20 de julho de 2026 Augusto Barreto Rocha
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MANAUS – O Brasil poderá voltar a ter uma indústria forte a partir do momento em que integre as cadeias globais de produção, mas sem um alinhamento tecnológico ou ideológico a quem quer que seja. Este posicionamento será um desafio, porque é frequente ver notas ou posicionamentos como o que a Fiesp publicou em 16/07/2026, em que aponta erro brasileiro onde não existe.

Afinal, há uma iniciativa estrangeira por motivos geopolíticos amplamente conhecidos (“a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários (…) acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral”).

Sempre me surpreende até onde pode chegar o comportamento de alinhamento com interesses estrangeiros por parte da indústria brasileira. Esta é a mesma Fiesp que semanas atrás foi ao Judiciário contra a Zona Franca de Manaus, pois nela existe uma estrutura industrial que usa benefícios da reforma tributária recém-aprovada no Congresso.

Parece ser recorrente o interesse de combater políticas industriais e ações institucionais nacionais, com embates internos e agora uma novidade: o aumento da visibilidade do alinhamento estrangeiro. A indústria brasileira forte, como a da aviação comercial e outras, existe quando a estrutura tecnológica é nacional, quando os mercados são nacionais e depois globais.

Felizmente o país tem um corpo diplomático que construiu e mantém uma ampla rede de relações do país com o mundo, favorecendo uma menor dependência de um único país. Imagino o que diriam os industriais paulistas se a questão fosse com a China ou com o Japão. Ter preferência com quem se alinhar ou não se alinhar é uma questão de dependência ou de independência.

O empresariado paulista aparentemente entrou no jogo político eleitoral e se afastou do jogo da competitividade econômica. Aparentemente se alinhou ao interesse estrangeiro, ao invés de buscar novos mercados para seus produtos.

A soberania de um país desigual como o Brasil é construída por todos e o institucionalismo é um dos caminhos mais valiosos para a diversificação econômica e a redução das desigualdades. O posicionamento político alinhado automaticamente com um país não é o melhor caminho para a construção de uma indústria com menor dependência estrangeira.

 A indústria global forte costuma estar vinculada a estratégias nacionais consistentes e, em geral, preserva certa distância do ambiente eleitoral e partidário. Por isso, o melhor caminho parece ser o fortalecimento do alinhamento institucional interno, capaz de reunir governo, setor produtivo e sociedade em torno de objetivos comuns de competitividade e desenvolvimento. Quando entidades representativas adotam posições que podem ser percebidas como excessivamente alinhadas a interesses externos, abre-se espaço para interpretações indesejadas sobre o compromisso com uma agenda nacional de longo prazo.

Conhecendo muitos empresários paulistas, imagino que essa não tenha sido a intenção e que esse posicionamento possa ser revisto. O debate público precisa evitar simplificações e desinformação, pois o empresariado brasileiro, em seu conjunto, parece ser muito melhor do que algumas manifestações de seus representantes podem sugerir.


Augusto César Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes (COPPE/UFRJ), professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), diretor adjunto da FIEAM, onde é responsável pelas Coordenadorias de Infraestrutura, Transporte e Logística.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos economia, Fiesp, incentivo fiscal, indústria, soberania, Zona Franca de Manaus
Cleber Oliveira 20 de julho de 2026
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