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Alfredo Lopes

Amazônia: alimento, energia e água

9 de julho de 2019 Alfredo Lopes
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Em sua última palestra pronunciada aos alunos da Universidade de São Carlos, no mês passado, o professor Silvio Crestana, ex-dirigente da Embrapa, disse porque é um dos cientistas brasileiros mais empenhados na temática da alimentação, energia e água (FEW, em inglês), o nexus do novo milênio. Ele apresentou dados desafiadores e preocupantes sobre as demandas globais de alimentos, energia e água para os próximos 30 anos, quando o planeta Terra contabilizará 9 bilhões de habitantes, quem sabe a 9,5 a 10 bilhões de pessoas. Neste momento, não há massa crítica no mundo capaz de resolver essa questão. Estamos diante do imperativo de atender a quase 40% de acréscimo da demografia atual. E isso implicará na demanda desses recursos em proporções assustadoras. 

O que temos, nós da Amazônia, a ver com essa questão? Considerando que este bioma contém 1/5 da água potável do planeta, outro tanto em estado de vapor e/ou subterrâneo, mais de 3 mil espécies de peixes, e recebe energia diariamente do Astro-Rei o equivalente a 150 usinas Itaipu, com capacidade instalada de 14.000 MW… como ficar de fora? De quebra, o Rio Amazonas despeja no Oceano Atlântico em torno de 200 mil metros cúbicos por segundo. Um metro cúbico corresponde a mil litros de água, ou seja, 200 milhões de litros de água doce, o bem natural mais precioso da Humanidade. Quando os rios sobem esse volume pode ultrapassar 600 mil metros cúbicos. E apenas 1% do volume da vazão poderia abastecer São Paulo e todo o Nordeste.

Para ficar apenas na produção de alimentos, temos área de espelho d’água suficiente para atender, com a piscicultura, ene vezes a demanda global de proteína. Alguns cenários, colocam no Brasil a responsabilidade de atender ao menos 40% dessa missão alimentar. Temos, pois, que ativar o padrão Embrapa de tecnologia e inovação para integrar a governança dessa vitrine de oportunidades. Não se trata de distribuir/comercializar a imensidade de recursos naturais que nos foi legado. Se trata de promover a inovação em todos os níveis, com racionalidade e efetividade. 

Ciência, Tecnologia e Soluções Inovativas, não há outro caminho, ou seja, a governança demandará as pilastras da Indústria 4.0: Interoperabilidade: a habilidade dos sistemas ciber-físicos, dos humanos e das Fábricas Inteligentes de se conectarem e se comunicarem; Virtualização das Fábricas Inteligentes: Descentralização: tomada de decisões sem intervenção humana: Capacidade em Tempo-Real: a capacidade de coletar e analisar dados e a Modularidade: adaptação flexível das Fábricas Inteligentes, Big Data, Robótica, Internet das Coisas…

E para produzir saídas, nesse contexto do novo milênio, já está desenhado no país uma das maiores intenções de projetos de pesquisa, inovação de olho na produção em aquicultura já realizado no Planeta. O BRS Aqua envolve 22 centros de pesquisa, 50 parceiros públicos e 11 empresas privadas – números que ainda devem aumentar com a mobilização da Embrapa inteira. “Só iremos sossegar quando virmos na mesa do brasileiro o consumo diário de tambaqui, pirarucu e matrinxã”, costuma dizer o cientista Silvio Crestana, apaixonado pela Amazônia, alguém que sabe rigorosamente o que está falando. E conhece aquilo que o mundo espera deste BrasilAmazônia.


Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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