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Economia

Amazônia, a cobiça internacional e o descaso nacional

19 de outubro de 2018 Economia
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Alfredo Lopes Jacques Marcovitch
Alfredo Lopes e Jacques Marcovitch participaram da formatação da proposta aos candidatos (Foto: Divulgação)

MANAUS – Na sequência da Conferência de Gestão Ambiental da Amazônia, um evento que reuniu USP e UEA, Amazonas e São Paulo, em agosto último, para estabelecer diretrizes de projetos e políticas públicas para a região, os pesquisadores Jacques Marcovitch, Adalberto Val e Vanessa Pinsky propõem mobilização de atores públicos e privados para compreender e gerenciar este patrimônio que o mundo cobiça e o país descuida.

Construindo o futuro na Amazônia

A gestão sustentável da Amazônia é indissociável da pauta ambiental brasileira. No entanto, os retrocessos recentes na governança ambiental trazem riscos para o Brasil cumprir seus compromissos internacionais assumidos no Acordo de Paris e mesmo para atingir as metas estabelecidas em políticas nacionais, como a Política Nacional sobre Mudança do Clima. Embora o Brasil apresente muitos planos, programas e leis ambientais, arranjos institucionais com foco na implementação das políticas públicas ambientais carecem das lideranças apropriadas, de estratégias robustas e de um monitoramento consistente. A agenda ambiental, pautada na preservação e oportunidades dos ativos únicos e riqueza natural da biodiversidade amazônica, ainda está para ser incluída nos discursos da maioria dos candidatos presidenciáveis nas eleições de 2018.

O bioma amazônico abrange cerca de 60% do território brasileiro, e detém a maior bacia hidrográfica do planeta, com 20% das águas fluviais, mas responde por apenas 8% do PIB nacional. A população enfrenta o custo da inação do poder público, onde estados da Amazônia apresentam os mais baixos índices de desenvolvimento socioeconômico do país. Nesse contexto, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, maior articulação multissetorial brasileira, integrada por 178 membros, e dedicada à promoção de uma nova economia de baixo carbono, oferece 28 propostas para os candidatos às eleições de 2018. Trata-se de uma agenda propositiva, factível de implementação até 2022, com foco em riscos e oportunidades para o desenvolvimento sustentável do Brasil.

Na área do fomento ao empreendedorismo de comunidades locais na Amazônia, o IDESAM articula a Plataforma Parceiros pela Amazônia. Iniciativas apresentando caminhos para o investimento sustentável na Amazônia por meio da aceleração de negócios de impacto. Apesar disso, líderes empresarias e da sociedade civil organizada alertam para o excesso de legislação, a insegurança jurídica e a burocracia que impedem o fomento de atividades empreendedoras, e acaba ‘expulsando’ o bom empresário da região. Por isso, muitos jovens microempreendedores, voltam para a informalidade pela inviabilidade de manterem seus empreendimentos dentro de um marco jurídico formal.

A necessidade de desenvolver serviços especializados, competências tecnológicas e capacidades institucionais para potencializar as oportunidades da biodiversidade através do aumento da produtividade, inclui desde o controle da qualidade de matérias primas, da logística competitiva para o acesso aos mercados nacional e internacional, até a certificação do produto final.

A Amazônia demanda ações imediatas. As necessidades e oportunidades são inúmeras, como a formação de lideranças que responda aos desafios que a região está enfrentando, o desenvolvimento da economia da biodiversidade florestal baseado em tecnologia digital e inovação, uma governança focada em resultados. Em complemento, novos mecanismos de financiamento para iniciativas verdes e o pagamento por serviços ambientais, promoveriam a geração de emprego e renda para a manutenção da floresta em pé. Para isso, repensar o papel e atuação das instituições, e especialmente da universidade, é também contribuir com a construção do futuro que queremos para a Amazônia.

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Adalberto Luis Val (pesquisador do INPA), Jacques Marcovitch (professor sênior da USP) e Vanessa Pinsky (pesquisadora da FEAUSP), integram a coordenação do AMAS, Congresso de Gestão da Amazônia, organizado em parceria pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEAUSP) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA) realizado de 28 e 31 de agosto, na cidade de Manaus.

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Assuntos Amazônia, desenvolvimento, Meio Ambiente, USP
Valmir Lima 19 de outubro de 2018
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