
Do ATUAL
MANAUS – O Amazonas registrou a maior redução percentual de feminicídios em 2025, com queda de 31,7% nos casos confirmados em relação ao ano anterior. Foram 20 feminicídios registrados no estado, contra 29 em 2024. Apesar da redução das mortes provocadas por violência de gênero, em outros indicadores relacionados à violência contra mulheres houve aumento, como ameaças, agressões físicas e descumprimento de medidas protetivas.
Os dados constam no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), e mostram que o Amazonas teve uma taxa de 0,9 caso de feminicídio por 100 mil mulheres em 2025, abaixo da média nacional, que ficou em 1,4 caso por 100 mil.
Com a redução de 31,7%, o Amazonas teve a maior queda percentual nos registros de feminicídio entre os estados brasileiros. Na sequência aparecem Maranhão, com redução de 26,2%, e Paraná, com queda de 20,7%.
O resultado amazonense contrasta com o cenário de outros estados da Região Norte. O Amapá registrou o maior crescimento nacional da taxa de feminicídios, com alta de 347,7%, chegando a 2,2 casos por 100 mil mulheres.
O Acre teve aumento de 74,3%, alcançando a maior taxa do país, com 3,2 casos por 100 mil mulheres, enquanto Rondônia apresentou crescimento de 66%, com taxa de 2,9 casos por 100 mil, a segunda maior do Brasil.
A redução dos feminicídios também acompanhou a queda no número geral de mortes violentas de mulheres no Amazonas. Em 2025, foram 62 vítimas, contra 77 no ano anterior, uma redução de 20,2%. Do total de homicídios femininos registrados no estado, 32,3% foram classificados como feminicídios.
“O feminicídio – e boa parte dos demais crimes contra mulheres – é, antes de tudo, a expressão extrema das desigualdades de gênero e das formas de controle e dominação historicamente exercidas sobre as mulheres, do machismo e de um padrão de masculinidade que
é violento e, portanto, problemático. Essa mistura faz parte de um caldo cultural que ainda
é estruturante da sociedade brasileira”, cita trecho do documento.
Tentativas de feminicídio
Apesar da queda nos casos consumados, as tentativas de feminicídio tiveram aumento no Amazonas. O número passou de 107 registros em 2024 para 109 em 2025, crescimento de 0,9%. A taxa ficou em 5,1 casos por 100 mil mulheres.
As tentativas de homicídio contra mulheres, categoria que inclui as tentativas de feminicídio, cresceu 10,4%, passando de 184 para 205 registros no período. Em 2025, as tentativas de feminicídio representaram 53,2% das tentativas de homicídio contra mulheres registradas no Amazonas.
“Se os feminicídios consumados ajudam a compreender a face mais extrema da violência de gênero, as tentativas de homicídio e feminicídio permitem observar um contingente igualmente importante de mulheres sobreviventes dessa violência”, registra o Anuário.
Ameaças e agressões apresentam alta
Entre os indicadores analisados pelo Anuário, um dos maiores aumentos ocorreu nos registros de ameaça. Em 2025, o Amazonas contabilizou 30.455 ocorrências, contra 18.858 em 2024, alta de 60,0%.
A taxa estadual chegou a 1.416,9 casos por 100 mil mulheres, acima da média nacional, que ficou em 720,9 registros por 100 mil mulheres.
Também houve crescimento nos casos de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica. Os registros passaram de 4.852, em 2024, para 5.752, em 2025, aumento de 17,4%. A taxa do Amazonas ficou em 267,6 casos por 100 mil habitantes, acima da média brasileira, de 261,7.
Outro indicador que apresentou avanço foi o crime de perseguição, conhecido como stalking. Os registros subiram 73,5%, passando de 2.155 para 3.775 ocorrências. A violência psicológica apresentou redução de 3,8%, com os casos passando de 3.908, em 2024, para 3.795, em 2025.
Descumprimento de medidas
O número de descumprimentos de Medidas Protetivas de Urgência também aumentou no Amazonas. Segundo o Anuário, foram 1.863 registros em 2025, contra 1.433 no ano anterior, crescimento de 28,8%. A taxa estadual chegou a 43,1 ocorrências para cada 100 mil habitantes.
