
Da Redação
MANAUS – Estudantes e servidores da Fucapi (Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica) promoveram manifestação na noite desta segunda-feira, 28, em frente ao Campus da instituição, no Distrito Industrial. Eles pedem que a Azione Educação, nova mantenedora da instituição, pague os funcionários e servidores que estão com salários atrasados.
De acordo com uma funcionária, a Azione Educação contratou 88 trabalhadores em abril deste ano, quando passou a gerenciar a instituição. Com o atraso de salários e o corte do plano de saúde, os funcionários foram orientados a não ir ao trabalho até que o problema seja revolvido. Segundo ela, o problema se estende aos professores da Fucapi, que também estão com salários atrasados.
Pelas redes sociais, estudantes e servidores da instituição se mobilizaram para promover uma manifestação em frente ao Campus da Fucapi na noite desta segunda-feira. Com placas e gritos de guerra, o grupo pediu a normalização das aulas e o pagamento dos salários atrasados dos servidores.
Cancelamento de aulas
Na quinta-feira, 24, a direção comunicou pelo Facebook que as aulas estavam suspensas na sexta-feira e no sábado. “Não haverá aula nesta sexta e sábado na Instituição, seguindo protocolo em relação aos últimos acontecimentos no País e em respeito à integridade de colaboradores e alunos”, diz a nota.
No domingo, 27, uma nova publicação informou que as aulas continuam suspensas devido a manutenção no quadro de comando do poço e no grupo gerador.
O cancelamento das aulas foi informado somente pelas redes sociais da instituição e pegou muitos alunos de surpresa. Um deles é o estudante Rafael Santos, 22. “A gente não está sendo avisado de nada. A gente gasta passagem, alguns que tem carro estão gastando combustível. Antes eles avisavam quando não tinha, mas agora não estão avisando mais”, disse o estudante.
Segundo Rafael Santos, a maioria dos professores não está dando aula. “A gente só descobre se vai ter aula ou não chegando aqui e vendo se o professor da tal matéria vai dar aula”, disse. De acordo com um funcionário da Fucapi, os professores estão em greve desde a última sexta-feira, 25. “Eles só vão voltar quando a empresa pagar os salários atrasados”, disse o funcionário.
Denúncias
Em abril deste ano, o MP-AM (Ministério Público do Estado do Amazonas) denunciou a falência da Fucapi. Na época, a promotora de Justiça Kátia Maria Araújo de Oliveira disse que a instituição acumulava dívidas de ordem trabalhista, salários atrasados, dívidas com o fisco municipal e respondia a uma Ação Civil Pública movida pelo MP-AM. Além disso, a instituição estava sem fluxo de caixa, com dívidas que superavam R$ 100 milhões.
No mesmo mês, o MP-AM promoveu audiência pública para esclarecer o impasse sobre a mudança de mantenedor da Fucapi. Na audiência, a promotora Kátia Oliveira informou que a Azione Educação tinha natureza de sociedade limitada com capital social de R$ 100 mil e que havia apresentado proposta no valor de R$ 50 milhões a serem pagos em parcelas de R$ 5 milhões, R$ 20 milhões e R$ 25 milhões ao longo de 2018 e 2019. No mesmo mês, a Azione Educação assumiu o gerenciamento da Fucapi.
No dia 8 deste mês, o MP-AM publicou recomendação para que os órgãos da Administração Pública Estadual e Municipal não celebrassem convênios, contratos ou parcerias com a Fucapi ou com a Azione Serviços de Publicidade em nome da fundação até que seu regular funcionamento fosse restaurado.
Entre as irregularidades apontadas pela promotora está a cessão da área educacional da Fucapi, aprovada pelo conselho diretor da universidade, sem nenhum respaldo jurídico, para a empresa Azione. Além disso, a promotora disse que a Fundação se encontra em caráter falimentar, acumulando dívidas de cerca de R$170 milhões de reais.
A reportagem procurou a nova direção da Fucapi, mas não conseguiu falar com os diretores.
