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Economia

Alta de 7,30% no índice que reajusta aluguel é a maior em 17 anos

28 de dezembro de 2019 Economia
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Programa Minha Casa Minha Vida pode ter obras paralisadas por atraso do pagamento (Foto: Beth Santos/Secretaria Geral da PR)
Reajuste de aluguel tem alta de 7,30% (Foto: Beth Santos/Secretaria Geral da PR)
Por Júlia Moura, da Folhapress

SÃO PAULO – O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), indicador de inflação que regula os aluguéis imobiliários, subiu 2,09% em dezembro, o maior salto desde fevereiro de 2003, no início do primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva, quando o índice teve alta de 2,28%.

Em novembro, a taxa, calculada pela FGV (Fundação Getulio Vargas), ficou em 0,30%. No acumulado de janeiro a dezembro deste ano, o índice registrou alta de 7,30%.

A alta no ano é quase o dobro da registrada pelo IPCA-15, prévia da inflação oficial, que ficou em 3,91%.

O IGP-M é composto por três indicadores, o IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) e o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção).

Segundo o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da FGV, André Braz, metade da alta do IGP-M de dezembro se deve ao aumento no custo da proteína, tanto dos animais no pasto quanto da carne no frigorífico.

Com a alta demanda da China, o preço da arroba do boi bateu recorde ao fim de novembro, a R$ 228,80 no estado de São Paulo.

“O restante da alta é fruto do aumento sazonal do preço de alimentos “in natura” e combustíveis, com revisões da Petrobras. A alta do dólar também impacta ambos, pela cotação internacional”, afirma.

Braz aponta que, em relação ao período anterior, a cotação média do dólar teve alta de 2% em dezembro.

A Petrobras ajustou a gasolina duas vezes em dezembro. O aumento mais recente foi de 2%, em média. Somado aos demais aumentos do ano, o preço do combustível acumula alta de 31% em 2019. O diesel teve três aumentos desde o fim de novembro, com alta acumulada de 6,3%.

“Por ser atrelado ao dólar, o IGP-M era utilizado como base para reajuste de aluguéis na época da hiperinflação, mas não faz mais sentido hoje”, diz Alan Ghani, professor de economia do Insper.

Cerca de 60% do índice mede os preços de atacado ao produtor, ou seja, matérias-primas agrícolas e produtos industriais.

“Esses itens estão mais sujeitos ao choque do câmbio, pois seguem cotações internacionais, mas preço de máquina agrícola e industrial não tem nada a ver com o consumidor, não mede o aumento no poder de consumo das pessoas. O ideal seria utilizar o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, do IBGE)”, afirma Ghani.

O locatário, no entanto, deve ter um reajuste ancorado no índice da FGV, diz o professor. “Não tem como fugir, ainda mais agora com a economia em recuperação, em que o mercado imobiliário tem dado sinais de forte recuperação, com a construção civil melhorando. Em momentos de crise, proprietário até aceita reajuste menor, não é o caso.”

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Assuntos aluguel, IGP-M, inflação, IPCA
Redação 28 de dezembro de 2019
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