
EDITORIAL
MANAUS – A Polícia Militar do Distrito Federal desobedeceu a ordem do governador Ibaneis Rocha de prender os vândalos que depredaram o patrimônio público e particular nas ruas de Brasília, na noite desta segunda-feira (12), em atos antidemocráticos e criminosos. Ninguém foi preso.
Ou a ordem do governador foi apenas para a imprensa ver, e, por trás das câmeras, ele deu outra ordem ao comando da Polícia Militar, ou ele foi solenemente ignorado pela tropa. Ambas as opções são inaceitáveis. A segunda, no entanto, seria mais grave, porque mostra a falta de pulso de um governante que tem a responsabilidade sobre a tropa, que, pela própria natureza da instituição militar, deve obediência ao governador.
Se houve desobediência, faltou ao governador tomar uma atitude mais enérgica, inclusive mandar prender a tropa que estava nas ruas na noite da prática dos crimes pelos vândalos. E se a ordem do governador foi ignorada pelo comando da PM, exigiria que o chefe do Executivo trocasse todos os comandantes.
O governador do Distrito Federal deveria, também, solicitar reforço policial para Brasília, inclusive de outros Estados da Federação, para a posso do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. É preciso garantir a ordem e evitar que as manifestações antidemocráticas prevaleçam sobre a vontade popular.
Aliás, o nível de tolerância com a sanha bolsonarista que se mantém viva desde a derrota de Bolsonaro nas urnas, em 30 de outubro, incomoda as pessoas sensatas. A permanência em frente aos quartéis, apesar de não caracterizar crime, é uma afronta à instituição Forças Armadas.
Qualquer manifestante que não fosse seguidor e defensor de Bolsonaro ousasse acampar em frente ao um quartel em protesto seria solenemente convidado a se retirar. E, diante da recusa, certamente seria retirado à força.
Protestar contra o resultado das urnas não é proibido. O direito a manifestação é uma garantia constitucional no Brasil. Mas não há a mínima chance de esses protestos mudarem o resultado das urnas. Lula foi eleito pela maioria dos votos válidos; Bolsonaro perdeu a eleição e já entendeu que deve se retirar de cena.
O direito ao protesto não acaba com o resultado das urnas ou com a diplomação dos eleitos, ocorrido nesta segunda-feira. Mas esses protestos não podem descambar para o cometimento de crimes. Insultar autoridades, ofender a honra de outrem não encontra abrigo na Constituição e nem nas leis brasileiras.
Depredar o patrimônio público, queimar ônibus, destruir carros e incendiar outros são crimes, e quem os praticam deve ser punido com os rigores da lei.
Ao passar a mão na cabeça dos criminosos, a Polícia Militar no Distrito Federal, a quem compete agir nesses casos, presta um desserviço à sociedade e coloca combustível para que os atos criminosos ganhem volume. E isso é inaceitável na democracia.

