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Expressão

Água boa e barata para ribeirinhos depende de vontade política

1 de novembro de 2023 Expressão
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água purificada
Água do Rio Solimões depois de passar por processo de purificação com produto P&G (Fotos: Amazonas Atual)
EDITORIAL

MANAUS – Grande parte dos habitantes das margens dos rios da Amazônia, os chamados ribeirinhos, consome água retirada dos próprios rios, sem qualquer tipo de tratamento. Neste ano, com a vazante história dos rios e o calor extremo, a escassez de água potável foi um dos principais problemas para essas populações.

Autoridades do Estado e dos municípios distribuíram garrafões de água, mas em quantidade insuficiente para amenizar o problema. As famílias que tiveram acesso a essa oferta, ganharam um garrafão, o que para um grupo familiar de cinco pessoas dura no máximo três dias. A medida foi apenas paliativa e serviu muito mais para a propaganda institucional do que para combater a falta de água.

A reportagem do ATUAL encontrou em comunidades ribeirinhas um produto, que foi distribuído pela FAS (Fundação Amazônia Sustentável) muito antes da vazante histórica, e que nesse período de estiagem foi considerado como a salvação da lavoura por muitos: um sachê com um pó escuro produzido pela multinacional P&G, instalada na Zona Franca de Manaus, que, dissolvido nas águas escuras do Rio Negro ou nas águas barrentas do Solimões, é capaz de purifica-la e torna-la cristalina.

A boa notícia desse produto, que foi doado pela P&G à FAS, veio seguida de uma péssima notícia: a empresa deixou de fabricar o purificador de água. O produto, com apenas 4 gramas, purifica entre 10 e 18 litros d’água.

Purificador de Água P&G
Purificador de água em sachê fabricado pela P&G, empresa do Polo Industrial de Manaus

A FAS não soube informar o valor de custo do produto, uma vez que recebeu de doação. Mas certamente um sachê deve custar muito menos do que um garrafão de água mineral.

Governo do Estado e prefeituras poderiam buscar informações sobre o produto e fazer pleito para que a P&G ou outra empresa voltasse a produzi-lo. Fazendo isso, poderiam distribuir o purificador a toda a população ribeirinha, gastando muito menos do que se gasta para levar água potável em garrafões em tempos de crise.

Evidente que a distribuição do produto para purificar água é uma medida paliativa, mas muito mais eficaz do que a situação atual, em que a população bebe água contaminada em qualquer período do ano.

Quem acha que a escassez de água potável ocorre apenas durante o período de vazante dos rios, não conhece as comunidades ribeirinhas da Amazônia.

produto colocado na água
Pó purificador colocado na água do Rio Solimões. Depois de mexer por 5 minutos e esperar mais 10 minutos, a água está própria para o consumo humano

Algumas comunidades às margens do Solimões, principalmente as que habitam terras firmes, já são servidas com poços artesianos, usando a energia solar para bombear a água para suas residências.

O investimento em poços artesianos seria uma medida de médio prazo e mais duradoura, e deveria ser avaliada pelas autoridades.

Por fim, é preciso que os governos criem medidas efetivas de enfrentamento dos problemas durante a seca dos rios e a cheia para evitar os decretos de emergência e as medidas paliativas.

Na questão da água potável, como se vê, é mais simples do que a maioria dos amazonenses imaginam. Há que se ter apenas vontade política.

Acompanhe em vídeo o processo de purificação:

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Assuntos água potável, Amazonas, Amazônia, Purificador de água, ribeirinhos, rios da amazônia
Valmir Lima 1 de novembro de 2023
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