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Dia a Dia

Agentes enfrentam tiros e bloqueio para conter roubo de madeira no Amazonas

12 de setembro de 2020 Dia a Dia
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Combate à extração ilegal de madeira se intensifica na Amazônia (Foto: Arquivo/ Agência Brasil)
Por Fabiano Maisonnave, da Folhapress

CURITIBA – Uma operação liderada pelo ICMBio no Parque Nacional (Parna) Mapinguari (AM) encontrou um grande esquema de roubo de madeiras. Ao longo de uma semana, os fiscais, apoiados pela Polícia Militar de Rondônia, enfrentaram tiros, estradas bloqueadas, uma ponte destruída e tiveram a comunicação via internet interrompida.

Ao todo, foram destruídos 14 veículos, principalmente tratores, e sete motosserras. Dois madeireiros foram presos e outros dois conseguiram fugir em motocicletas após disparar contra os fiscais.

As informações constam em relatório oficial da operação, obtido pela reportagem. Os madeireiros foram multados em R$ 2.2280.000. Os donos dos veículos destruídos foram identificados e teriam os nomes encaminhados para o Ministério Público Federal, para medidas judiciais.

A operação foi realizada no setor sul do Parna Mapinguari, entre os dias 12 e 18 de agosto. As madeiras roubadas teriam como destino o polo madeireiro de Vista Alegre do Abunã, um distrito de Porto Velho (RO) próximo ao parque.

Além dos disparos, os madeireiros derrubaram árvores e cortaram uma ponte para dificultar a mobilidade da ação fiscalizatória. “Também foi bloqueada a comunicação da equipe com a chefia da unidade de conservação e do comandante da Polícia Militar, com destruição de antena de internet nas adjacências do acampamento”, diz o documento.

Em maio, durante uma operação ambiental com apoio do Exército, os fiscais descobriram que a base de fiscalização do setor sul havia sido incendiada. Também foi descoberta uma ponte construída sobre o rio que marca os limites do parque.

Os madeireiros já haviam avançado 30 km para o interior do parque. O ICMBio e a PM encontraram cerca de 1.500 m3 de tora, o suficiente para carregar 75 caminhões. A área de floresta degradada é de 2.000 hectares, o equivalente a 12,6 Parques Ibirapuera.

Os equipamento destruídos são: quatro tratores de exploração florestal skider, dois tratores de esteira, dois tratores com pá para carregamento de toras, dois tratores com guincho florestal, três caminhões para transporte de toras e um semirreboque modelo julieta.

Segundo o relatório, a destruição de equipamentos foi feita devido ao risco para levar os bens até um local seguro. Foram apreendidas uma camionete e duas motocicletas.

Em entrevista à SIC TV, o madeireiro Orlandi Jesus da Silva, que teve tratores destruídos, afirmou que “tem as terras desde 1998, e agora eles chegaram ali falando que é reserva”. “Pra virar reserva, a ONG (sic) tem de pagar as minhas terras, a ONG tem de me pagar. Depois que a ONG pagar as minhas terras, pode virar reserva”, disse. “Isso não é Brasil, não”.

A operação de maio identificou comércio ilegal de lotes dentro do Mapinguari. A grilagem inclui levantamento topográfico, demarcação de picadas (trilhas) na floresta e venda de madeira na área invadida.

O Parna tem uma área de 1,7 milhão de hectares e foi criado em 2008, como medida compensatória da construção das usinas Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira. Assim como outras áreas protegidas da região, sofre pressão intensa de madeireiros e grileiros.

Segundo a plataforma Mapbiomas, o Parna perdeu 1.173 hectares de floresta entre janeiro de 2019 e julho deste ano.

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