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Augusto Barreto Rocha

A perseguição do desenvolvimento

5 de novembro de 2018 Augusto Barreto Rocha
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Não acreditar na capacidade própria de enfrentamento dos problemas é a maior barreira para o desenvolvimento. Não importa sob qual dimensão, pois antes de qualquer medo, real ou imaginário, vem a capacidade que uma pessoa, estado, região ou país tem de acreditar em si. A maior barreira para nosso país ser desenvolvido é interna a cada brasileiro, que por algum elo perdido tem se convencido a ser subdesenvolvido, colônia ou conivente com a preguiça, com uma posição de Macunaíma auto imposta, que é distante da realidade da necessidade presente em cada encontro com uma conta para pagar. Queremos passar para outro a solução de nossos problemas. Da moradia a comida. Isso precisa acabar.

A visão limitada que temos é tão grande que a sabotagem começa internamente. Somos tão fracos de pensamento que sequer aceitamos alguém que pense ligeiramente diferente de nós. A contraposição é feita com um conjunto de clichês, que buscam a imposição de uma ideologia totalitária sem uma verdadeira disposição para ouvir, nem a abrir mão de um centímetro do que pensa, se não for com uma vantagenzinha. Assim, a opção expressa em nossas legislações e no comportamento de grande parte da sociedade é tratar a todos como se fossem bandidos, ao invés de pressupor verdadeiramente a inocência. Entretanto, quando alguém se desvia, mas não admite que se desviou, temos grande dificuldade de afirmar o desvio daquele concidadão, mesmo depois de se constatar o erro de suas ações, por fatos e dados. Precisaremos superar isso, para sair deste mar de mediocridade em que nos encontramos, com afirmações mais claras e com menos censura. A autocensura é a pior censura que existe, que é bem diferente da autocrítica. Abundam autocensuras e censuras, faltando autocríticas e críticas com base sólida.

Quem faz as coisas certas vive em um ambiente de medo do governo, com um excesso de regulamentos. Mesmo assim, e por isso mesmo, US$ 133.27 bilhões adentraram no Brasil entre 2014 e agosto/2018, para a compra de empresas brasileiras. Isso é um horror, com mais de 400 empresas perdidas. Continuamos como Colônia, por este modelo atroz, onde nos subordinamos a interesses estranhos aos nossos. Um dos mais tristes dos últimos dias foi a Penguin Books que comprou 70% da Companhia das Letras. E ainda há brasileiros que entendem que este modelo atual deve continuar. Um bando de pseudossábios berrando na TV e na Internet que não podemos reduzir o número de ministérios, que são órgãos maravilhosos para gerar cabides de empregos e corredores de regras que atrapalham as nossas vidas. Como sou ignorante no tema e tenho uma visão limitada (um típico pesquisador), resolvi pesquisar o tema, para romper a minha ignorância.

Os EUA possuem dezessete ministérios, dos quais doze não estão ligados a temas de segurança ou bélicos. Por que é relevante olhar para eles? Ora, porque eles possuem a maior economia do planeta. O PIB deles representa 23,3% do PIB global, enquanto o nosso representa 2,44%. No segundo PIB do mundo, a China, com 16,1% do total, com seus bilhões de habitantes, são 26. Se excluídos os temas de segurança, são 24. Ou seja, por este referencial dos extremos (liberdade ampla versus controle extremo, onde até a Internet tem censura do Ursinho Pooh), faz total sentido reduzir a quantidade de ministérios. Tenho visão limitada? Certamente, mas quem não tem? O que sei é que o método que empregamos nos último cinco anos nos trouxe como resultado um encolhimento médio ao ano de (-)2,88% do PIB, enquanto os EUA cresceram em média (+)2,2% ao ano. Diz-se em estratégia que quem tem muitas prioridades não tem prioridade nenhuma. Por isso, prefiro me aproximar ideologicamente do modelo de sociedade livre dos EUA, ao invés do modelo de sociedade sem liberdade da China. Aí é uma questão de afeição, pois adoro a liberdade, em sentido amplo, incluindo a de acesso a tecnologias e a Internet.

Precisamos parar de complicar o simples para parecer difícil e podermos fazer uma vendinha de facilidade. Aliás, muitas lideranças nossas adoram vender o medo. Não vou comprar. Não tenho medo de desmatar a Amazônia e nem por isso quero deixar de protegê-la e de usá-la. Prefiro ter medo da fome e enfrentar a condição sub-humana na qual estamos subjugados por estrangeiros ditando regras no meu país. Precisamos romper o método atual, que levou o faturamento do Polo Industrial de Manaus para um número semelhante ao de dez anos atrás. Não tenho como apreciar o método de gestão de 2017 no qual 70% do investimento em infraestrutura do país foi feito por estrangeiros. Legitimamente, estrangeiros investem para levar lucro, não é para nos ajudar. Investimento vai atrás de lucro. Seria melhor se este lucro ficasse aqui. Que bom que a China e a imprensa internacional começaram a reclamar dos futuros métodos do Brasil para gestão de país. Isso é um ótimo sinal. Chega de medo. Precisamos ter vigor para enfrentar nossos problemas e não é fácil ter que encontrar as contas a pagar. Os inimigos e bandidos vão reclamar e vamos ter que trabalhar e enfrentar as concorrências, arranjando sócios interessantes. Fica a torcida que no nosso país prevaleça a intenção de mudança e de liberdade, pois, parafraseando Einstein, não podemos querer um resultado melhor fazendo o mesmo que fazíamos.


Augusto César Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes (COPPE/UFRJ), professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), diretor adjunto da FIEAM, onde é responsável pelas Coordenadorias de Infraestrutura, Transporte e Logística.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Amazonas, Macunaima
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