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José Ricardo

A eleição de 2018 e a resistência pelas liberdades

1 de novembro de 2018 José Ricardo
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tiago paiva

A eleição do 2º turno para presidente da República terminou e foi eleita a figura sinistra do Jair Bolsonaro (PSL) com 55,13% dos votos válidos, sendo 57.797.847 votos que representam apenas 39% dos brasileiros. Fernando Haddad (PT) teve 47.040.906, equivalente a 44,87% de votos válidos, demonstrando a vontade de quase 32% do povo brasileiro. A abstenção somou 21% e 7,5% anularam ou votaram em branco.

Haddad venceu em 98% das cidades mais pobres do País. Bolsonaro em 97% das cidades mais ricas. O professor, em seu programa de Governo, deu ênfase a educação e geração de empregos. Dizia que gostaria de ver em uma mão do jovem um livro e na outra uma carteira de trabalho. E não uma arma, proposta defendida pelo candidato eleito.

O discurso antipetista foi muito forte e com muitas mentiras, as fake news. A rede de mentiras construída nas redes sociais foi a principal tônica da campanha de Bolsonaro. Nos 70 dias de campanha, um levantamento do Congresso em Foco, mostrou que 123 notícias mentirosas tiveram que ser desmentidas, sendo que 104 eram contra o Haddad ou contra o PT.

O Jornal Folha de São Paulo denunciou também o financiamento empresarial no impulsionamento de notícias falsas. A denúncia falava em no mínimo R$ 12 milhões.  Houve vários crimes eleitorais que a Justiça Eleitoral não coibiu. A maior rede de mentiras da história das eleições elegeu o candidato a presidente.

O PT foi o grande vitorioso nessas eleições no Brasil. Desde o golpe de 2016 tentam acabar com o partido. A prisão do Lula foi para impedir sua candidatura, que despontava para uma vitória em 1º turno. O Haddad começou com 4%. Chegou ao 2º turno e teve 47 milhões de votos. Se a campanha durasse mais alguns dias, ele ganharia. O povo estava começando a perceber as propostas fascistas do outro candidato.

O PT elegeu 56 deputados federais. A maior bancada na Câmara Federal. Vai manter uma boa bancada de senadores. Tem a 2ª maior bancada de deputados estaduais nas Assembleias Legislativas. Elegeu 04 governadores (Piauí, Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte), sendo uma mulher, a única do Brasil, para governar o Rio Grande do Norte.

O Haddad foi o mais votado em 11 estados do Brasil (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Para, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins). Também foi o mais votado em 06 capitais (Aracaju, Fortaleza, Recife, Salvador, São Luís e Teresina). Foi o grande vitorioso no Nordeste do Brasil.

No Amazonas, o petista teve 49,73% dos votos válidos. Bolsonaro ganhou com 50,27%, com uma diferença de apenas 9.556 votos, num universo de 1.761.246 votos validados. Haddad venceu em 59 municípios, frente a três do adversário.

O discurso do presidente eleito começou em tom bélico. Mantendo todos os absurdos que defendeu durante sua campanha, que remete a um governo de perseguição e de desrespeitos aos direitos, à liberdade e à Constituição Brasileira.

Das primeiras propostas do presidente e da equipe de transição, já podemos ver o retrocesso aos direitos dos trabalhadores, o desmonte do Estado e a entrega de patrimônio do povo para interesses privados e estrangeiros.

Pretendem continuar as privatizações. Correios, Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica, empresas de energia, estão na mira. A fusão dos ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Indústria e Comércio, para criar o superministério da Economia, deve trazer sérios problemas para a Zona Franca de Manaus.

E o futuro ministro da Economia diz que o Mercosul não é prioridade, ou seja, não interessa se relacionar economicamente com outros países da América do Sul.

Da mesma forma, a junção do ministério da Agricultura com o ministério do Meio Ambiente, será um desastre e uma ameaça ao meio ambiente e à vida.

A reforma da previdência, parada no Congresso Nacional e que tira direitos das mulheres, dos trabalhadores rurais e dos professores, está na lista de projetos que o presidente quer aprovar de qualquer jeito. Da mesma forma, a proposta de mudar regras do Estatuto do Desarmamento, vai querer armar a população, aumentando a violência e os assassinatos.

Também há a perseguição e a criminalização dos movimentos sociais que já começou. O presidente não esconde que quer acabar com o Movimento de Trabalhadores sem Terra (MST) e com os movimentos que lutam por moradia e, ainda quer equipar a atos terroristas. Um total desrespeito à livre manifestação prevista na Constituição Brasileira.

Até direito dos professores de lecionarem livremente está ameaçado, pois o presidente incita estudantes a gravarem as aulas para denunciar professores. Tudo indica que o projeto Escola Sem Partido deva ser votado para coibir ainda mais o trabalho dos educadores. Tempos sombrios que se avizinham.  A bancada evangélica quer o fim do Ministério da Cultura.

A proposta de convidar o juiz Sérgio Moro para o ministério da Justiça ou indicá-lo para o Supremo Tribunal Federal (STF) mostra o caráter do golpe dado contra o povo brasileiro. O juiz condenou Lula, sem provas, porque Lula era o candidato que iria ganhar a eleição. Agora o juiz recebe como prêmio um cargo público.

Se o presidente eleito fizer tudo que defendeu ao longo de sua vida política e na campanha, vai ser um desastre. Embora o discurso de combate à corrupção não se sustente, visto os nomes que vão surgindo para sua equipe, já que a maioria responde a denúncias ligadas a corrupção. O discurso de ódio e de perseguições do presidente estimula atos de violência em todo Brasil, contra universidades, contra LGBTs, contra negros, contra estudantes, contra manifestações, contra movimentos sociais e contra partidos de esquerda.

Não há dúvidas, o tempo será de resistências. E no parlamento, o PT será o principal partido de oposição a esse Governo sinistro que vai assumir.


José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Fernando Haddad, Jair Bolsonaro, José Ricardo Wendling, Lula
Cleber Oliveira 1 de novembro de 2018
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