
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – Dois episódios pitorescos, para usar um termo mais suave, da extrema direita brasileira marcaram a última semana, e simbolizam o desespero dos seguidores de Jair Bolsonaro: uma mentira contada pelo senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL a presidente da República; e a caminhada de Nikolas Ferreira de 240 quilômetros, saindo de Minas Gerais até Brasília.
No primeiro episódio, o senador que quer ser presidente do Brasil usou um artifício muito comum entre os membros da extrema direita, mas reprovável pelas pessoas de bom caráter: editou um vídeo com fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tirando-a de contexto, para tentar jogá-lo contra os pobres, que formam boa parte do eleitorado do PT no Brasil.
No vídeo, Lula critica a elite brasileira por desprezar os pobres e achar que essa parcela da sociedade existe apenas para trabalhar e não para estudar, se formar e ocupar os mesmos cargos que ocupam os filhos dos ricos. Flávio editou apenas a parte em que Lula diz “pobre não precisa estudar”. Na verdade Lula disse que a elite pensa assim.
A publicação de Flávio Bolsonaro ganhou grande repercussão nas redes sociais, tanto de pessoas compartilhando a mentira fabricada quanto de perfis contestando a atitude de pretenso candidato a presidente.
Para combater a mentira plantada pelo filho do ex-presidente, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindibergh Farias (RJ), ingressou com representações na Advocacia Geral da União, no Tribunal Superior Eleitoral e no Supremo Tribunal Federal por “desinformação estruturada, abuso da liberdade de expressão e propaganda política antecipada negativa.”
A caminhada de Níkolas
Nikolas Ferreira, deputado federal pelo PL de Minas Gerais, iniciou na segunda-feira uma caminhada saindo do município de Paracatu, próximo à divisa com o estado de Goiás, até Brasília. O propósito, segundo ele, é um apelo por “liberdade e justiça” em favor daqueles que fizeram o quebra-quebra na sede dos Três Poderes da República no dia 8 de janeiro de 2023, e ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e preso a 27 anos de cadeia por comandar a trama golpista, ou tentativa de golpe de Estado.
O deputado também mente ao afirmar que luta contra “prisões injustas” tanto dos desordeiros de 8 de janeiro quanto do ex-presidente. Todas as decisões foram amparadas por uma lei aprovada no Congresso Nacional durante o governo de Jair Bolsonaro e sancionada por ele.
A Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito (Lei 14.197/2021), que substituiu a Lei de Segurança Nacional, foi sancionada em 1° de setembro de 2021, no terceiro ano do governo Bolsonaro. Os crimes estão todos tipificados nesta lei. Portanto, não há que se falar em prisões injustas.
Mas a caminhada de Níkolas tem outros objetivos não expostos pelo deputado: em ano eleitoral, qualquer ação que lhe dê visibilidade é favorável para a pretendida reeleição.
Ele, mais do que ninguém, sabe que nada vai mudar com a caminhada concluída. No máximo serão gerados memes para as redes sociais, a favor e contra o parlamentar.
Mas o movimento puxado por ele tem atraído outros políticos ávidos por voto. Do Amazonas, a deputada estadual Débora Menezes (PL) e o pai dela, o ex-superintendente da Suframa Coronel Alfredo Menezes, viajaram ao centro-oeste do Brasil para aparecer nos vídeos de Nikolas.
Desespero
Os dois episódios representam atos de desespero da extrema direita, que busca, desde o início de 2025, desestabilizar o atual governo, sem sucesso.
O volume de mentiras que circulam nas redes sociais contra Lula não foi capaz de derrubá-lo da liderança das pesquisas de intenção de voto.
O ano está só começando, mas promete uma disputa eleitoral recheada de baixarias e fake news.

