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Política

‘Fluminense’ era a senha para repasse de propina ao PDT, diz delator

4 de março de 2017 Política
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Revelações sobre caixa 2 à chapa Dilma/Temer foram feitas ao ministro Herman Benjamin (Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE)
Revelações sobre caixa 2 à chapa Dilma/Temer foram feitas ao ministro Herman Benjamin (Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE)

CURITIBA – Com a escalação do Fluminense em mente, um emissário da Odebrecht bate à porta do escritório do tesoureiro do PDT, Marcelo Panela, na Avenida Nilo Peçanha, centro do Rio, em 2014. Nas mãos, o funcionário carrega um pacote com R$ 1 milhão, deixado no local somente depois de mencionar e ouvir como resposta o nome de um jogador do tricolor carioca. No universo das negociações de repasses de caixa 2 para a compra de apoio da legenda em 2014, essa era a senha e a contrassenha utilizadas para a efetivação de repasses ao PDT.

O código foi definido previamente entre o tesoureiro e o ex-diretor da Odebrecht Ambiental Fernando Reis, responsável por negociar a adesão do PDT na chapa presidencial de Dilma Rousseff e Michel Temer em 2014. O primeiro encontro entre os dois ocorreu numa cafeteria em São Conrado, também no Rio. A partir daí, Reis passou a ser chamado pelo codinome Canal. A escolha da citação do nome de um jogador do Fluminense seria uma sugestão de Panela, torcedor fanático do time carioca, assim como o presidente da legenda, Carlos Lupi.

Após acertos, pacotes foram entregues em ao menos quatro ocasiões, nos dias 4 e 11 de agosto e 1 e 9 de setembro de 2014. A cada ida do emissário foi deixado no escritório R$ 1 milhão, em espécie, oriundo de caixa 2.

Segundo declarações de Reis ao ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin, a quantia poderia ter chegado a R$ 7 milhões, valor que foi autorizado a negociar com integrantes do PDT. Mas ficou em R$ 4 milhões porque, após a primeira oferta, não houve questionamentos. O montante serviria para garantir, além do apoio político do PDT, o tempo de TV, de cerca de 51 segundos. Pelo acerto, cada segundo adicionado pelo PDT à chapa presidencial do PT custou R$ 78 mil.

Segundo Reis, o pedido para que negociasse o ingresso do PDT na chapa foi feito pelo ex-diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar. E ocorreu após Marcelo Odebrecht, herdeiro e ex-presidente do grupo, informá-lo que o ex-ministro Guido Mantega cobrava repasses para outras legendas da base aliada. Por meio de nota, o presidente do PDT, Carlos Lupi, chamou as declarações de Reis ao TSE de calúnias. “É importante esclarecer que o ônus da prova cabe ao acusador. O PDT vai agir no âmbito da Justiça.”

Eleições

A Odebrecht também doou ao menos R$ 40 milhões em caixa 2 para candidatos que disputaram a última eleição geral de 2014. O montante foi mencionado pelo ex-diretor da empresa Benedicto Barbosa da Silva Júnior, conhecido por BJ, em depoimento a Herman Benjamin.

A audiência, realizada no Rio, fez parte do processo que investiga se houve abuso de poder econômico e político por parte da chapa Dilma-Temer nas últimas eleições. Segundo BJ, os recursos de caixa 2 eram oriundos do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, departamento responsável pelo pagamento de propinas. Quem fazia as operações dos repasses ilícitos era o executivo Hilberto Filho.

Ao ser questionado sobre a origem dos recursos do caixa 2, BJ informou que, pelo o que entendia, inicialmente eram feitos contratos no exterior, os quais geravam recursos que eram armazenados. Posteriormente, quando havia necessidade de trazer o dinheiro para o País, integrantes do esquema recorriam a doleiros.

O ex-diretor informou ainda que integrou um grupo da empresa que se reuniu com o executivo Marcelo Odebrecht, herdeiro e ex-presidente do grupo, para definir o volume de doações das campanhas de 2014.

Segundo BJ, o montante que seria repassado por meio de doação legal e caixa 2 para as campanhas presidenciais ficava a critério de Marcelo e que, em razão disso, não poderia ajudar nas investigações envolvendo a chapa Dilma-Temer. Ele informou, contudo, que, após a partilha, o valor restante era distribuído para as campanhas aos governos estaduais, para o Senado e para a Câmara. Neste último caso, as doações eram feitas preferencialmente para o partido. E, depois de confirmada a entrega dos recursos, o candidato era informado e cabia a ele procurar o tesoureiro da legenda.

Ao detalhar a distribuição de recursos que sairiam dos cofres da Odebrecht, BJ informou que os R$ 40 milhões oriundos de caixa 2 faziam parte de um valor global, que chegaria a R$ 200 milhões em doações. Desse total, R$ 120 milhões seriam repasses legais; entre R$ 40 milhões a R$ 50 milhões viriam de empresas “terceirizadas”; e o restante de caixa 2.

No depoimento, o ex-diretor informou que parte dos recursos ilícitos, R$ 9 milhões, foi dada a políticos do PSDB e do PP e ao marqueteiro do PSDB, a pedido do então candidato à Presidência Aécio Neves, presidente nacional da sigla. Em depoimento, Marcelo Odebrecht também teria dito que, apenas para a campanha presidencial do PT de 2014, foram doados R$ 150 milhões.

 (Estadão Conteúdo/ATUAL)

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Assuntos Herman Benjamin, Lava Jato
Cleber Oliveira 4 de março de 2017
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