
Do ATUAL
MANAUS – A FVS (Fundação de Vigilância em Saúde) registrou 365 mortes por suicídio entre indígenas de 2021 a 2025 no Amazonas. Os homens representaram 71,8% dos óbitos e o maior número de ocorrências foi na faixa de 20 a 29 anos. Entre as mulheres, afaixa etária com mais mortes foi de 15 a 19 anos.
Os registros aumentaram de 55 mortes em 2021 para 83 em 2023, maior número da série. Nos dois anos seguintes, houve redução, com 82 óbitos em 2024 e 75 em 2025. Ao longo dos cinco anos, foram contabilizadas 262 mortes entre homens e 103 entre mulheres.
São Gabriel da Cachoeira concentrou o maior número absoluto de mortes por suicídio entre indígenas, com 102 registros no período. Em seguida, aparecem Tabatinga, com 81; São Paulo de Olivença, com 38; Amaturá, com 25; e Benjamin Constant, com 22, conforme a distribuição por município.
“Os óbitos por suicídio ocorreram, principalmente, entre homens de 20 a 29 anos e mulheres de 15 a 19 anos. Essas diferenças ajudam a identificar os grupos que precisam de maior atenção e orientar estratégias de prevenção, acolhimento e acompanhamento em saúde mental”, explica Alexsandro Melo, diretor de Vigilância Epidermiológica da FVS.
Mortalidade indígena
O levantamento contabilizou 6.255 mortes de indígenas residentes no Amazonas entre 2021 e 2025. Desse total, 1.184 (18,9%) foram classificadas como causas externas, categoria que inclui acidentes, agressões e lesões autoprovocadas intencionalmente.
As mortes por suicídio representaram 30,8% desse grupo, seguidas pelas agressões, com 270 óbitos (22,8%), e pelos afogamentos e submersões acidentais, com 185 (15,6%).
As causas externas foram a categoria mais frequente entre as mortes da população indígena no estado, à frente das doenças do aparelho circulatório, com 779 óbitos (12,5%), e das doenças respiratórias, com 774 (12,4%).
Para a diretora-presidente da FVS, Tatyana Amorim, o planejamento das ações de saúde precisa considerar as condições de vida e as particularidades das comunidades indígenas.
“Os dados mostram que a saúde indígena envolve questões que vão além das doenças, como violência e acidentes. Para planejar ações de prevenção e cuidado, é necessário considerar as dificuldades de acesso aos serviços, as características de cada território e as particularidades étnico-culturais dos povos indígenas no Amazonas”, cita Tatyana Amorim.
Notificações de violência
O boletim também identificou 5.599 notificações de violência interpessoal e autoprovocada envolvendo indígenas entre 2021 e 2025. Em todos os anos analisados, as taxas brutas de notificação nesse grupo foram cerca de seis vezes superiores às registradas entre pessoas brancas.
Em 2025, foram 1.403 notificações entre indígenas, o equivalente a 459,6 registros por 100 mil habitantes. Entre pessoas brancas, houve 557 notificações, com taxa de 76,8 por 100 mil habitantes.
As mulheres representaram 62,5% das notificações envolvendo indígenas, com 3.501 registros. A violência física foi a modalidade mais frequente, presente em 3.476 notificações (62,1%), enquanto a residência apareceu como principal local das ocorrências, com 3.740 registros (66,8%).
O documento foi elaborado com informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação. A FVS ressalta que os dados estão sujeitos a revisões e a limitações relacionadas ao preenchimento dos sistemas e à subnotificação.
