

Por Gabriel de Sousa e Flávia Said, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta segunda-feira (19), em sabatina no SBT, que nunca pediu favores para ministros da Suprema Corte que foram indicados por ele.
“Nunca pedi um favor a um ministro da Suprema Corte. Nunca pedi e não vou pedir porque, quando eu indico uma pessoa ao cargo, é para ele cumprir o que está na Constituição e não para atender os interesses do presidente da República”, disse Lula.
Na atual composição dos 11 ministros do STF, quatro foram indicados por Lula nos três mandatos dele: Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Flávio Dino.
O presidente disse também que não teve desgastes políticos quando o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, foi rejeitado pelo Senado para ocupar a cadeira de Luís Roberto Barroso. Foi a primeira vez em 132 anos que houve uma negativa do Legislativo.
“Não tive desgaste nenhum com a indicação do Messias, quem teve desgaste foi quem não aprovou, não fui eu. Eu indiquei um nome que, juridicamente, tem toda a competência para ser ministro da Suprema Corte”, disse Lula.
Nos bastidores, o presidente considera que o resultado dele no primeiro turno da eleição foi diretamente afetado pela crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) após a revelação de relações entre ministros e o banqueiro do Master, Daniel Vorcaro.
Na sabatina desta segunda-feira (19), Lula voltou a defender uma reforma no Poder Judiciário, pauta que ele adotou após o início da crise no STF. As medidas propostas por Lula são a escolha de magistrados a partir de um conselho composto por membros da sociedade civil e a estipulação de mandatos.
Direita
Lula disse que ninguém subestima a capacidade da direita no Brasil e no mundo, “porque ela tem crescido de forma muito grande em quase todos os países”. Ele admitiu que esperava vencer no primeiro turno, e ficou “muito frustrado” com o resultado, mas afirmou ter certeza de que vencerá no segundo turno.
“Eu confesso que eu achei que a gente podia ganhar as eleições no primeiro turno, tal era a performance das coisas que a gente tinha realizado no governo”, afirmou Lula. “Estou convencido que no dia 25 vamos ganhar as eleições”, acrescentou, citando as manifestações de rua convocadas pela esquerda. “O povo está assumindo a responsabilidade da campanha”, disse.
Lula terminou o primeiro turno em segundo lugar, atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL). O petista teve 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% de Flávio. A diferença de 1,87 pontos porcentuais é a menor já registrada entre os dois primeiros colocados no primeiro turno.
O resultado surpreendeu a campanha petista, que esperava uma distância pequena entre os dois, mas com Lula à frente de Flávio Após o primeiro turno, a campanha de Lula passou por um rearranjo. Foram incorporados uma nova linguagem nas redes sociais e um discurso mais focado nas ameaças que Flávio representaria a programas sociais.
As principais adições no núcleo duro da campanha foram o senador Camilo Santana (PT-CE), o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o ex-governador da Bahia e senador eleito Rui Costa (PT) Os três têm comandado a operação no QG petista nos últimos dias e têm participado das principais decisões políticas da campanha.
“Agora estou mais tranquilo, porque dois turnos é isso. Nós perdemos votos em alguns Estados que a gente não imaginava perder votos e agora estamos trabalhando para recuperar”, prosseguiu.
Ele afirmou que está buscando recuperar votos no Nordeste e no Sul. “Podemos ganhar as eleições em Minas Gerais e podemos diminuir a diferença em São Paulo e, se isso acontecer, nós ganharemos as eleições, como ganhamos as outras”, completou.
