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Esporte.

Um espetáculo de Brasil na cerimônia da Rio 2016

6 de agosto de 2016 Esporte.
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Vanderlei Cordeiro de Lima acendeu a Pira Olímpica  no estádio do Maracanã ((Foto: Ricardo Stuckert/CBF))
Vanderlei Cordeiro de Lima acendeu a Pira Olímpica no estádio do Maracanã ((Foto: Ricardo Stuckert/CBF))

RIO DE JANEIRO – Com temática ambiental, a abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro, na noite dessa sexta-feira, foi um espetáculo brasileiro. A festa, criada pelos cineastas Fernando Meirelles, Andrucha Waddington e Daniela Thomas, com coreografia de Deborah Colker, surpreendeu pelo visual, a apresentação perfeita e a expressão da diversidade cultural do país. Em um dos momentos mais empolgantes, a modelo Gisele Bündchen desfilou ao som de ‘Garota de Ipanema’. A música, inclusive, foi um dos destaques da noite: Anitta, Caetano Veloso, Elza Soares, Gilberto Gil, Ludmilla, Jorge Ben Jor, Zeca Pagodinho, entre outros, soltaram a voz no Maracanã.

A emoção tomou conta do estádio do Maracanã quando um grupo de refugiados desfilou na apresentação das delegações. Desfilando sob a bandeira olímpica, o grupo foi o penúltimo ao entrar no estádio e distribuiu sorrisos. Eles foram recepcionados por uma enorme salva de palmas, com a tribuna de honra ficando em pé para saudá-los.

Na Olimpíada ‘a la Brasil’, a cerimônia de abertura dos Jogos pediu tolerância no mundo e o respeito pela diversidade. O evento foi transmitido para 3 bilhões de pessoas serviu para mandar ao mundo uma mensagem política. Mas os organizadores adotaram medidas para evitar uma vaia ou protestos contra o presidente interino, Michel Temer. Seu nome não foi anunciado no início do evento e apenas os alto-falantes destacaram a presença do presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o alemão Thomas Bach. No programa distribuído a um grupo de jornalistas, a entidade também eliminou a referência ao presidente brasileiro.

Em seu discurso, Bach citou o presidente do Comitê Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman. Mas fará apenas uma referência geral às autoridades brasileiras, sem citar Temer. O primeiro a falar foi o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon. Em uma mensagem em vídeo ele pediu que as “armas se silenciam” e que as divisões sejam superadas. Mas será o discurso de Thomas Bach e o cenário brasileiro com foco no multicultural que darão o tom.

Se a segurança era uma prioridade diante do risco do terrorismo, todo cuidado protocolar também fazia parte da complexa agenda. Quando faltava uma hora e meia para o começo do evento, Bach foi até a tribuna de honra do Maracanã para conferir onde cada um dos chefes de estado se sentariam e garantir que não haveria contratempos e nem inimigos políticos sentados um perto do outro. Ao ver a reportagem, apenas levantou o dedo polegar e disse: “Vamos”.

O cuidado não era por acaso. Campanhas eleitorais entre opositores e grupos políticos rivais de diversos países estavam sentados na mesma tribuna. Para não ter de chamar Michel Temer de presidente interino, Bach apenas saudará as “autoridades brasileiras” em seu discurso.

Temer chegou minutos antes do início do evento e se sentou ao lado de Ban Ki-Moon e Bach. Os demais chefes de estado, porém, ficaram mais distantes. Nas arquibancadas, um grupo chegou a puxar um coro de “Fora Temer”. Mas foi abafado por outro grupo de torcedores, vaiando a manifestação política. Durante o evento uma vez mais um grupo tentou gritar quando o estádio fez silêncio.

Em seu discurso, o alemão voltara a citar o fato de haver “um momento muito difícil na história do Brasil”. Mas complementara: “será uma Olimpíada a la Brasil”. “Sempre acreditamos em vocês”, disse.

No total, 45 chefes de estado e de governos viajaram até o Brasil para o evento. O número é bem inferior ao que foi registrado há quatro anos, em Londres. Mas, ainda assim, todos os que desembarcaram no Rio tinham uma agenda própria e seus interesses políticos a cumprir.

O presidente da França, François Hollande, e Matteo Renzi, o primeiro-ministro italiano, queriam convencer o COI a levar os Jogos para Paris ou Roma. Já o secretário de estado norte-americano, John Kerry, veio fazer lobby por Los Angeles para sediar o evento em 2024. Não faltaram ainda dezena de deputados e senadores que receberam ingressos de graça.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

A modelo Gisele Bündchen representou a Garota de Ipanema com toda sua beleza (Fernando Frazão/Agência Brasil)
A modelo Gisele Bündchen representou a Garota de Ipanema com toda sua beleza (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Índios encenaram as origens do Brasil em um espetáculo de cores e luzes (Foto: Beth Santos/ PCRJ)
Índios encenaram as origens do Brasil em um espetáculo de cores e luzes (Foto: Beth Santos/ PCRJ)

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Assuntos Rio 2016
Cleber Oliveira 6 de agosto de 2016
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