

Por Gabriel Máximo e Gabriel de Sousa, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o processo eleitoral brasileiro nesta quinta-feira (17) e o comparou com o modelo dos Estados Unidos. Em entrevista à Rádio Itatiaia, em Montes Claros (MG), o petista mencionou o presidente americano, Donald Trump, ao dizer que o republicano não precisaria aguardar um longo período para saber o resultado do pleito em seu país caso seguisse o formato brasileiro.
“As eleições são nossas, nós temos o processo eleitoral mais seguro do mundo. O Trump, se tivesse utilizado o processo brasileiro, não teria o problema de ficar esperando vários dias para saber o resultado eleitoral. Aqui, terminou as eleições às 18 horas, às 20 horas nós já sabemos o resultado eleitoral”, afirmou.
Lula também fez um convite para que delegações estrangeiras acompanhem as eleições brasileiras e sugeriu que, dessa forma, talvez seja possível “introduzir o voto eletrônico em todos os países do mundo, e aí, quem sabe, parar com toda a bandalheira eleitoral no mundo”.
Em outro momento da entrevista, o petista afirmou ainda que o Brasil não admitirá ingerência de outros países nos assuntos nacionais: “O Brasil não se curvará à arrogância de nenhum presidente de um país do mundo. O Brasil vai fazer aquilo que é de interesse do povo brasileiro. A nossa soberania, a nossa democracia é intocável. Aqui ninguém põe a mão. E o Trump sabe disso, eu já falei com ele três vezes”.
Minerais críticos
Lula negou que seu governo tenha discutido com os Estados Unidos sobre a exigência feita pelos americanos para ter conhecimento prévio sobre a venda de ativos de mineração, inclusive minerais críticos, com o objetivo de firmar um acordo sobre o tarifaço.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, em Montes Claros (MG), Lula afirmou que a proposta é um “documento velho” e não foi considerada. “Esse documento que foi publicado hoje [quinta-feira] é um documento velho, que já estava no nosso arquivo morto, porque foi a primeira comunicação que nós recebemos e recusamos. Nem discutimos o documento, porque era inaceitável o documento de um país querer ter prioridade na riqueza mineral do nosso País. Esse documento não foi discutido, não será discutido e não está sendo discutido”.
O presidente disse ainda não compreender porque a proposta foi revelada no dia seguinte à sanção da lei que estabelece a política nacional para exploração dos minerais críticos e voltou a defender que o beneficiamento desses recursos seja feito no País.
O Estadão revelou nesta quinta-feira que a primeira proposta de acordo americana, apresentada em 16 de outubro de 2025, continha exigências de garantias relacionadas à liberdade de expressão e à aplicação de sanções financeiras determinadas pelo Tesouro americano, em território brasileiro. O documento a que o Estadão teve acesso detalha também como os americanos pretendiam obter vantagens no setor de minerais críticos do Brasil e em outros segmentos econômicos.
“Na regulação, a gente não está proibindo a participação de empresas estrangeiras, mas a condição sine qua non para vir fazer investimento aqui no Brasil é saber que o processo tem que ser transformado no Brasil, o produto de valor agregado feito no Brasil para a gente exportar valor agregado e não exportar apenas minério”, destacou o presidente Lula.
