

Por Danielle Brant e Melissa Duarte, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – Os 15 maiores doadores de campanhas eleitorais até o momento destinaram seus recursos para diretórios estaduais e nacionais de partidos, para um candidato ao governo mineiro e a nomes que disputam vagas de deputados estaduais e federais em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Santa Catarina, Espírito Santo e Bahia.
As informações constam no ranking de pessoas físicas doadoras divulgado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
De acordo com as regras, os partidos políticos e candidatos devem, durante as campanhas eleitorais, apresentar à Justiça Eleitoral os dados relativos aos recursos financeiros recebidos para financiamento de sua campanha eleitoral em até 72 horas a partir do recebimento.
A maior doação até agora foi feita pelo advogado Fabiano Silveira, que comandou o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle entre 12 e 31 de maio de 2016, durante o governo interino de Michel Temer. Ele enviou R$ 2 milhões para a direção estadual do MDB na Paraíba. Procurado, ele não quis comentar a doação.
Outros dois diretórios partidários foram contemplados por doações neste início de campanha eleitoral. Wilson de Almeida Junior, sócio da construtora Pacaembu, doou R$ 300 mil para direção municipal do PSD de Araçatuba (SP) – nas eleições municipais de 2024, ele doou R$ 1,9 milhão no total, sendo R$ 350 mil para a direção nacional do PSD. Ao Estadão, ele afirmou que a doação foi uma decisão pessoal, “feita com recursos próprios, respeitando integralmente a legislação eleitoral”.
Neste ano, a direção nacional do PSD já recebeu R$ 550 mil de três dos 15 maiores doadores. Foram R$ 250 mil de Dionísio Nunes Freire Junior, sócio fundador na Naxos Capital e do TelcoBank, que atua no mercado de telecomunicações. Também recebeu R$ 200 mil de Regis Pinheiro de Campos, presidente do Conselho de Administração da incorporadora e construtora Emccamp Residencial, e R$ 100 mil de Ada Mota, do grupo de cosméticos Adcos.
O executivo da Emccamp Residencial afirmou que a “doação foi feita como forma de participação no processo democrático e de apoio às candidaturas apresentadas pela legenda nas eleições de 2026″. “A contribuição foi realizada de acordo com a legislação eleitoral vigente”, disse.
Mateus Simões, governador de Minas Gerais e que disputa a permanência no cargo em outubro, foi o candidato que mais recebeu recursos individualmente, considerando esse recorte de 15 maiores doadores.
Até o momento, ele foi contemplado com uma doação de R$ 500 mil de Alfonso Gonzalez, presidente do conselho da Transpes, empresa de logística. Recebeu ainda R$ 250 mil do irmão Lucas Simões de Almeida e R$ 200 mil de José Maria Bortoli, do Grupo Bom Futuro, do agronegócio.
Procurado, Lucas Simões cita a história familiar – ambos ficaram órfãos cedo – e diz que esse contexto fez com que o candidato ao governo de Minas “assumisse responsabilidades, inclusive a de cuidar de mim, muito cedo”.
“Sou grato pela dedicação dele e por como ele pode impactar as vidas das pessoas”, disse. “A doação é a contribuição que eu posso dar para tentar ajudar que a vida das pessoas melhore.”
“É um ato voluntário”, complementa, mencionando ainda outras doações que faz, como a instituições que cuidam de crianças com câncer, a uma igreja e a uma entidade assistencial.
O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga destinou R$ 135 mil a três candidatos. Foram R$ 100 mil para a deputada federal Tabata Amaral (PSB), que busca a reeleição, além de R$ 25 mil para Felipe Rigoni (PSB), que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Espírito Santo, e R$ 10 mil para Marcelo Freixo (PT), ex-presidente da Embratur que concorre a deputado federal pelo Rio de Janeiro. Questionado, o economista afirmou que os três são “bons candidatos”. “Terei mais alguns no Rio”, disse.
Fundador do grupo Scheffer, Elizeu Scheffer doou R$ 300 mil para a candidatura de Samantha Iris (PL) a deputada estadual no Mato Grosso. Ela é casada com o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, que, em 2024, também recebeu R$ 300 mil de Scheffer – além de outros R$ 300 mil da esposa do empresário do agronegócio, Carolina Mognon Scheffer.
O ex-secretário de Esportes de São Paulo Thiago Martins Milhim, que concorre a deputado federal por Minas Gerais com o nome de Thiago Ganem (PL), recebeu R$ 200.000,01 de Gustavo Rodrigo de Abreu Lucas. Ele é listado como assessor especial parlamentar na Assembleia Legislativa de São Paulo, lotado na 3ª vice-presidência – comandada por Fábio Faria de Sá (Podemos).
Presidente do Sinduscon de Balneário Camboriú, João Paulo Packer Silva doou R$ 150 mil para a candidatura de Carlos Humberto Metzner Silva a deputado estadual de Santa Catarina. Já Marcelo Blay, sócio-fundador e CEO da Chegolá, de consórcios, destinou R$ 150 mil para dois nomes: foram R$ 75 mil para Cristina Pereira Monteiro concorrer como deputada federal por São Paulo, e R$ 75 mil para Gerson dos Santos Pires disputar uma vaga na Alesp.
Jacyr da Silva Costa Filho, diretor financeiro da Fiesp e sócio na Agroadvice, enviou R$ 150 mil para Guilherme Piai Silva Filizzola, que disputa vaga de deputado federal por São Paulo. Ele afirmou ao Estadão que “a doação é de caráter pessoal e é devido ao excelente trabalho que Guilherme Piai Silva Filizzola desenvolve em favor do Agronegócio Paulista”.
Jasson Negrão, CEO da Branef Innovation & Technology, doou R$ 101.000 para Daniel Figueiredo de Alencar concorrer a deputado federal pela Bahia.
O Estadão procurou os demais doadores via canais divulgados em sites de empresas, assessorias de imprensa ou em contatos disponíveis na Receita Federal. O espaço segue aberto.
