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Esporte.

Atletas irão tirar lixo da água durante competições

27 de julho de 2016 Esporte.
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Poluição na Baía de Guanabara não deve atrapalhar disputas, dizem velejadores brasileiros (Foto: Fernando Frazão/ ABr)
Poluição na Baía de Guanabara não deve atrapalhar disputas, dizem velejadores brasileiros (Foto: Fernando Frazão/ ABr)

 

RIO DE JANEIRO – A poluição na Baía de Guanabara foi alvo de críticas recorrentes ao governo do estado do Rio de Janeiro pelo descumprimento da meta de tratar 80% do esgoto que chega ao mar. Experientes em treinar e competir no cartão-postal carioca, os atletas brasileiros se disseram preparados para enfrentar a situação.

Medalhista olímpica na vela, Isabel Swan, da classe Nacra 17, disse que a avaliação sobre a poluição só poderá ser feita durante a competição. “Acho que, nos jogos, não vamos ter problema, porque é mais fácil manejar a limpeza de um local específico (as raias). É mais fácil controlar isso quando não tem movimento de barco, porque a baía está fechada e você está procurando o lixo”, disse. “Tem que pensar que é possível que aconteça e que está dentro da nossa parte técnica. Se acontecer, estamos preparados para retirar e seguir velejando”.

O coordenador técnico da seleção, Torben Grael, disse que o tema foi ostensivamente falado “enquanto ainda dava para fazer alguma coisa”. “Agora é inútil falar de lixo”, disse. “A nossa arena foi entregue cheia de lixo”.

Martine Grael, da categoria 49erFX, disse acreditar que “não é tarde” para despoluir a baía. “Não se perdeu essa chance. Ainda está em tempo de começar uma coisa de longo prazo. Os políticos gostam de fazer coisas a curto prazo e que não funcionam”.

A atleta afirmou que os brasileiros já estão acostumados com o problema por velejarem na baía nessas condições há muitos anos. Sua dupla, Kahena Kunze, brincou: “Desde que tenha vento, já temos nossos macetes pra tirar o lixo”, afirmou, evitando falar mais sobre o assunto.

Ricardo Wikini, o Bimba, afirma que os pedaços pequenos de plástico são os principais inimigos do velejador, que pode ainda ser prejudicado sem que o lixo o atinja. “Tem uns que você demora para perceber que pegou. Você estava andando a 40 quilômetros por hora e de repente começa a andar a 35. Aí, você começa a olhar para a sua quilha pra ver se tem lixo ou não tem, e a pior coisa que é não ter, porque você para, vê que não tem e já perdeu tempo”, disse. Bimba compete na categoria RS:X masculina. “Todo mundo vai passar a regata inteira dando aquela olhadinha na quilha e pensando, será que eu fui ultrapassado por que estou com um canudinho preso?”

Mesmo assim, o velejador acredita que a Olimpíada, para a vela, será a mais bonita da história. “O que ficará registrado são imagens que nunca tiveram em nenhum lugar do mundo, em nenhum campeonato mundial ou olimpíada”.

No último dia 20, o secretário do Ambiente do estado do Rio de Janeiro, André Correa, disse que não é possível deixar a Baía de Guanabara em condições adequadas em menos de 25 anos. Correa afirmou que a meta de “despoluir 80% da baía até a Olimpíada” era “muito ousada e mal colocada”. Para impedir que o lixo flutuante atrapalhe os competidores, foram instaladas 17 ecobarreiras e 13 ecobarcos.

Rotina

A Baía de Guanabara será o palco da vela na Olímpíada do Rio de Janeiro, mas suas águas já são navegadas por bandeiras de atletas estrangeiros desde os últimos jogos. Enquanto em muitos esportes os treinos e estratégias são repetidos em ginásios fechados, na vela os brasileiros treinaram com boa parte dos seus adversários nas raias que começarão a receber as provas em 8 de agosto.

Torben Grael disse que é comum que no esporte os treinos sejam feitos em conjunto e, quanto mais estrangeiros de alto nível presentes no cotidiano, melhor é a preparação. “Têm alguns específicos de velocidade em que você faz um acordo com alguém ou, às vezes, com mais de um que são seus parceiros de treinamento. E têm as competições de treino que quanto mais (atletas) têm, melhor”.

Famosa entre os velejadores por ser imprevisível e “não ter um dia igual ao outro”, a Baía de Guanabara recebeu com muita frequência atletas da Grã-Bretanha, da Nova Zelândia e da Holanda. Para Grael, a vantagem de “jogar em casa” acabou ficando menor. “No caso da Baía de Guanabara, não sei se é uma vantagem tão grande, porque os principais estão aqui treinando e fazendo adaptação. Acho que descobriram bastante coisa”.

Ricardo Wikini concorda que os principais adversários já passaram a conhecer a baía. Os principais que vieram brigar por medalha com certeza. O velejador conta que seus principais parceiros de treino são os espanhóis, os mexicanos e o português João Rodrigues, que considera seu melhor amigo. “É importante testar a velocidade do adversário e ver como está andando. Sozinho, é impossível treinar”.

Mesmo com essa parceria, treinar sozinho é uma necessidade que acaba sendo negociada entre os atletas, já que a baía é uma só. Ele lembrou um treino recente em que viveu essa situação: “Na última hora, o inglês me mandou uma mensagem falando que quer treinar sozinho, e eu respeitei 100%. Não é nada pessoal. O cara é meu adversário e quer testar alguma coisa que não quer que eu veja, e eu entendi perfeitamente. No dia seguinte, treinamos juntos de novo”.

Isabel Swan compara os treinos a jogos amistosos. “É bom pra conhecer o seu adversário, porque é um treino de nível alto”, conta ela, que fez amizade com os estrangeiros, mas com uma ceta distância. “Se não, a competição continua em terra. A gente tem amizade e tudo, mas com um certo limite, porque todos têm o mesmo objetivo”.

Martine Grael pensa em como vai ser quando os estrangeiros forem embora. “Para gente, virou até rotina. Vai ser difícil é quando eles saírem”.

(Da ABr/Agência Brasil)

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administrador 27 de julho de 2016
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