
Por Gabriel Hirabahasi, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, disse nesta terça-feira (30) ao programa Bom dia, Ministro, que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), “está errando e errando feio” ao não dar andamento à proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala de trabalho 6×1.
Boulos fez uma analogia futebolística, aproveitando o clima de Copa do Mundo. Afirmou que “está tendo muita catimba” e que Alcolumbre “precisa lembrar que tem contra-ataque”.
“Não tem justificativa para uma pauta que interessa ao povo brasileiro estar parada na gaveta há um mês por interesses menores. O presidente do Senado está errando e errando feio. E acho que está brincando com fogo. Quando ele deixa essa pauta parada sem nenhuma justificativa, porque não há justificativa de mérito, política ou de qualquer ordem”, afirmou.
Questionado sobre qual seria esse “contra-ataque”, Boulos disse que “a sociedade é quem vai dizer qual vai ser”. “Achar que vai paralisar uma pauta com clamor social e que a sociedade vai assistir a isso passiva, me parece uma concepção muito temerária e equivocada”, completou.
O ministro da Secretaria Geral da Presidência não disse, efetivamente, o que o governo federal deve fazer nesse sentido para garantir a aprovação da PEC do fim da 6×1. Afirmou que a principal resposta virá da pressão pública.
Boulos também criticou a PEC apresentada pela oposição no Senado como alternativa ao fim da escala 6×1. O ministro disse que a chamada PEC da hora trabalhada representa “o fim dos direitos trabalhistas, a redução salarial e o trabalhador tendo de se virar com bicos”. Chamou a proposta de “vergonha” e “farsa”, além de “um tapa na cara do povo”.
“Uma reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que o senador Flávio Bolsonaro, que apoia a PEC da hora trabalhada, faltou em 43% das sessões deliberativas do Senado. Imagina se valesse para ele a PEC da hora trabalhada Não ia conseguir pagar as compras no fim do mês”, declarou.
Boulos também criticou a atuação do setor empresarial contra o fim da escala 6×1. Falou que essa tentativa é uma “maneira descarada para atacar” a proposta. “O presidente da Fecomercio-SP chegou ao ponto de, em entrevista, atacar o fim da escala 6×1, dizendo que é uma grande besteira, e sugerir que beneficiários de programas sociais não poderiam votar”, declarou.
Agronegócio
Boulos também falou sobre a bancada do agronegócio. Segundo ele, “quem é do agro está preocupado com seu negócio, e não com baboseira ideológica de bolsonarismo”.
“Quem é do agro está preocupado com seu negócio, e não baboseira ideológica de bolsonarismo, está satisfeito com o governo Lula. Lamento que uma parte do grande agro seja motivada muito mais por razões ideológicas do que pelo seu próprio interesse”, disse o ministro no “Bom Dia, Ministro”, afirmou.
Boulos citou os Planos Safra, lançados nesta terça-feira (30), para pequenos, médios e grandes agricultores. Disse que eles “têm batido recorde ano após ano” e que “a preocupação do presidente Lula com a agropecuária brasileira é muito maior do que a de quem só falava”.
“Apoiar a agropecuária não é ficar falando palavra de ordem ou ficar subindo em cavalo para foto. É investir, garantir bom crédito pelo Plano Safra, é ter políticas para produção de fertilizantes”, declarou.
Erika Hilton
O ministro disse também que as críticas públicas feitas pela deputada Erika Hilton (Psol-SP) à direção do PSOL por causa da distribuição do fundo eleitoral para os candidatos são “muito justas”.
“Achei muito justas as críticas colocadas pela Erika Hilton, assim como outro parlamentares, que tiveram um fundo eleitoral que não é proporcional ao papel que têm na chapa para poder puxar votos e poder garantir vitórias para o partido. Agora, não estou envolvido no debate interno partidário. Meu foco está para ajudar o governo do presidente Lula nesta reta final”.
Hilton reclamou publicamente na semana passada pelo dinheiro que a direção do partido destinou para a sua campanha. Não falou em números, mas integrantes do PSOL disseram, nas redes sociais, se tratar de algo em torno de R$ 2 milhões para a candidatura à reeleição da deputada, por exemplo.
Erika Hilton disse que “o PSOL precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando”. Acusou a direção partidária de privilegiar outros correligionários por “privilégio branco e cis”, citando o caso do presidente da federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, e da pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul Manuela DÁvila.
“É um absurdo que a direção partidária feche os olhos para essa realidade. Hoje, Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. Manuela D’ávila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro. Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios”, disse.
