
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS — Manaus vive dois extremos: de um lado, a ZFM (Zona Franca de Manaus) gera cerca de 500 mil empregos diretos e indiretos; de outro, aproximadamente 1 milhão de pessoas dependem de programas sociais. A informação foi divulgada pelo deputado federal Saullo Vianna (MDB) em entrevista ao G6, grupo de veículos do qual o ATUAL faz parte, nesta quinta-feira (12).
“São dois extremos porque, de um lado, temos o Polo Industrial de Manaus, que emprega direta e indiretamente cerca de 500 mil pessoas. De outro, há uma população muito vulnerável que depende de programas sociais”, disse Saullo.
No início deste mês, Saullo deixou o cargo de secretário municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania de Manaus, função que ocupava desde janeiro de 2025. Ele também se filiou ao MDB, comandado no estado pelo senador Eduardo Braga, que deverá caminhar com o senador Omar Aziz (PSD).
Para o parlamentar, há vagas de emprego disponíveis, mas falta qualificação para que parte da população consiga ocupá-las. “Existe oferta de emprego e necessidade de trabalhadores por parte da indústria e do comércio, mas as pessoas não têm qualificação para acessar essas vagas”, disse o deputado.
Na entrevista, Saullo, que disputará a reeleição, também criticou os salários pagos no PIM (Polo Industrial de Manaus) e defendeu as emendas parlamentares como instrumento de políticas públicas. A íntegra da entrevista está disponível no YouTube.
O deputado afirmou que ficou surpreso com o número de pessoas que dependem de programas sociais, que representa metade da população da capital amazonense, atualmente em 2.063.689 habitantes, segundo o IBGE.
“Vou trazer um número oficial que, quando tive acesso pela primeira vez, me assustou. Manaus vive dois extremos. Se pegarmos os dados do CadÚnico [Cadastro Único para Programas Sociais], que é a porta de entrada para acesso a programas sociais dos governos federal, estadual e municipal, hoje temos cerca de 1,164 milhão de pessoas cadastradas. Ou seja, mais da metade da população está no CadÚnico e vive ou tem algum tipo de benefício social”, afirmou.
De acordo com Saullo, essa dependência ocorre no contexto em que Manaus é responsável por 80% do PIB do estado está concentrado na capital. “Ou seja, há oportunidades de emprego e renda”, disse.
O deputado disse que a experiência no Executivo permitiu maior proximidade com a população da capital. Saullo citou programas como o Manaus Cidadã, que leva serviços sociais e de cidadania aos bairros; o Mãe Manauara, voltado para gestantes em situação de vulnerabilidade; e o Prato do Povo, que oferece refeições a pessoas de baixa renda.
“Eu nunca tinha tido experiência no Executivo, apenas na Assembleia Legislativa do Amazonas. Achei que seria uma ótima oportunidade de trabalhar diretamente na gestão e fazer algo diferente do Legislativo”, disse.
Salário no PIM
O deputado também criticou os salários pagos aos trabalhadores do PIM. “O Polo Industrial, apesar de gerar empregos, remunera mal na primeira faixa salarial”, afirmou.
Em 2025, o salário médio no PIM foi de R$ 3.779,62, segundo dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). Em 2020, o valor era de R$ 2.781,58.
“Todos os anos a Zona Franca bate recordes de faturamento. No último ano foram R$ 227 bilhões. Mas essa riqueza não é bem distribuída entre os trabalhadores”, disse Saullo.
“Grande parte dos trabalhadores que recebem entre R$ 2 mil e R$ 3 mil gasta praticamente tudo no consumo. Isso movimenta o comércio e o setor de serviços, mas ainda assim as indústrias pagam pouco aos trabalhadores”, completou.
Emendas parlamentares
O deputado também defendeu o uso de emendas parlamentares para financiar obras e serviços, principalmente em municípios com menor capacidade de investimento. “As emendas parlamentares são instrumentos importantes para levar benefícios às pessoas que mais precisam, especialmente em cidades mais afastadas, que têm pouca capacidade de investimento”, disse.
Segundo ele, muitas prefeituras têm orçamento limitado e dependem de repasses estaduais e federais para realizar obras e ampliar serviços públicos.
“A maioria das prefeituras consegue apenas manter os serviços básicos. Investimentos em UBS, escolas, pavimentação e outras obras muitas vezes só acontecem por meio de emendas”, afirmou. “Hoje, inclusive, parte da manutenção da saúde básica e até da média e alta complexidade é custeada com esses recursos.”
De acordo com o parlamentar, a destinação das emendas geralmente ocorre a partir de demandas apresentadas por prefeitos, vereadores e lideranças locais. “Eles solicitam recursos e nos mostram as necessidades da cidade. Quem vive no município sabe melhor quais são os problemas e o que precisa ser feito”, disse.
“O que não considero correto é que a distribuição de recursos seja decidida em Brasília por pessoas que não conhecem a realidade do nosso estado”, completou.
