
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – As ações do governo Donald Trump, baseadas nas mentiras do traidor da pátria brasileira Eduardo Bolsonaro, são o que podemos tipificar como molecagem. Lembram as histórias de adolescentes que, descontentes com colegas, passam a tramar contra esses, abusando de ações que visam prejudicá-los de forma gratuita. Donald Trump parece brincar de “mocinho e bandido”, como se vivesse uma trama de novela.
A primeira ação, a elevação da alíquota de importação de produtos brasileiros em 50%, nada tem a ver com questões econômicas. Já dissemos neste espaço que os argumentos para aplicação do tarifaço são mentirosas. A taxação elevada prejudica tanto os brasileiros quanto os estadunidenses. Esses últimos são os que devem pagar a conta, porque os preços ao consumidor certamente serão elevados. E por que a medida foi tomada? Segundo Trump, porque querem punir Jair Bolsonaro.
Segunda ação, o presidente dos Estados Unidos cancelou vistos de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Qual o objetivo de uma medida desse porte? Punir os ministros por terem se mantido firmes diante dos ataques de Jair Bolsonaro, sua família e seus aliados. É uma molecagem como a que os adolescentes fazem ao proibir que seus adversários participem de partidas de futebol na quadra da escola ou do bairro. O resultado, os atingidos pela medida vão buscar lazer em outros espaços.
Na terceira medida, Trump decretou a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. A tal lei pune a pessoa com o congelamento de ativos financeiros e a proibição de entrada nos Estados Unidos. A lei foi criada em 2012, no governo do democrata Barack Obama, com o objetivo de punir autoridades russas responsáveis pela morte do advogado tributário russo Sergei Magnitsky em uma prisão de Moscou em 2009. Depois, em 2016, a lei passou a ser aplicada a pessoas que os Estados Unidos consideram violadores dos direitos humanos de qualquer país.
Donald Trump embarcou na conversa falsa de Eduardo Bolsonaro de que o Brasil vive sob um regime autoritário e que o ministro Alexandre de Moraes é um ditador que viola os direitos dos cidadãos brasileiros. Em uma população de 212,6 milhões de brasileiros, uma dúzia está respondendo a processo no STF por tentativa de golpe de estado, entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O Brasil vive na mais plena democracia, inclusive com a oposição criticando livremente as autoridades constituídas.
Não há qualquer ação violenta ou cerceamento do direito de defesa no processo em que Bolsonaro e outros membros de seu governo são réus. Mas o clã Bolsonaro não aceita ser julgado, e cobra anistia para o patriarca. Usam os presos dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 para justificar um pedido de anistia geral e irrestrita contra todos os que se recusaram a aceitar o resultado das urnas em 2022, e tramaram um golpe de estado, que culminou com os atos de 8 de janeiro.
Como os as ações de Donald Trump não surtiram qualquer efeito prático, ou seja, o clã Bolsonaro não conseguiu o intento de mudar o curso dos processos no Judiciário e nem de sensibilizar o Congresso Nacional a votar uma lei de anistia aos golpistas, Bolsonaro traidor tenta atingir servidores e parentes de autoridades. Foi o que fez o governo Trump ao suspender os vistos de servidores que atuaram no programa Mais Médicos.
A justificativa é a mais absurda: de que os servidores foram cúmplices do esquema do regime cubano de exportação de trabalho escravo. “O programa Mais Médicos representou um golpe diplomático inadmissível de ‘missões médicas’ estrangeiras”, disse a diplomacia dos EUA.
O contrato com o governo de Cuba para a importação de médicos ao programa foi encerrado em 2018, um ano depois de Donald Trump tomar posse como presidente no primeiro mandato, iniciado em 2017. O Mais Médicos foi criado em 2013, no governo de Dilma Rousseff, para suprir a necessidade de médicos em municípios pobres, onde os médicos brasileiros se recusavam a trabalhar.
Trump deveria ter punido o governo brasileiro à época, mas não o fez. Só agora, sete anos depois de encerrado o contrato com o governo cubano, ele decide aplicar sanções. Na legislação brasileira, o caso já estaria prescrito.
Nesta sexta-feira, a mais recente decisão de Trump: suspender os vistos da mulher e da filha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O ministro afirmou em entrevista à Globo News, que ele deveria ser o alvo do governo dos Estados Unidos, mas está com o visto vencido desde 2024.
Diante da impossibilidade de punir o ministro, o governo Trump age como os mafiosos ou traficantes brasileiros, atacando a família de seus alvos, que nada têm a ver com a crise produzida pela família Bolsonaro.
Na outra ponta, o filho do ex-presidente, nos Estados Unidos, reclama de perseguição ao seu pai e à sua família. Ocorre que Bolsonaro é réu acusado de um crime que pode levá-lo a anos de prisão. Os familiares do ministro Alexandre Padilha não cometeram sequer um ato falho.

