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Sem categoria

Meu Deus!

2 de abril de 2016 Sem categoria
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“Meu Deus do céu, essa é a nossa alternativa de poder!”, disse Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal, referindo-se à reunião do PMDB, na qual o partido decidiu abandonar o governo Dilma Rousseff. Acrescentou que o problema “é a falta de alternativa”, pois “não tem para onde correr” e que “isso é um desastre”, uma vez que, “numa sociedade democrática, a política é gênero de primeira necessidade”. Observou ainda que a “política morreu ou está gravemente enferma” e que “nosso sistema político não tem o mínimo de legitimidade democrática e se tornou um espaço de corrupção generalizada”, concluindo que é preciso mudar.

Traduzindo, estamos sem opções. Uma máxima do tipo se correr o bicho pega ou se ficar o bicho come, uma tragédia tupiniquim de largo alcance.

Embora visto como ministro ligado ao lulopetismo, não haverá quem ouse contestar as declarações antes reproduzidas, porquanto refletem a realidade nua e crua do presente momento político brasileiro. Tem-se, também, nas palavras de Barroso, ainda que de forma subliminar, uma condenação ao governo Dilma Rousseff, que conduziu o país ao impasse, engolfado no mar de lama da corrupção e da incompetência.

É verdade que experimentamos o desastre com a administração lulopetista, hoje reprovada por mais de 80% da população brasileira. Também incomoda a alternativa que se oferece com a posse do vice-presidente Michel Temer, fruto do almejado impeachment de Dilma Rousseff, agora incerto, com a política de balcão do governo, inaugurada sem nenhum pudor após o desembarque do PMDB do governo.

No entanto, com Dilma é que não é possível continuar. A presidente faltosa e desidiosa perdeu toda e qualquer condição de governabilidade. O país encontra-se paralisado e a gestão pública engessada pela inoperância e pela anomia. Raivosa, sempre de cenho franzido e dentes arreganhados, em pronunciamentos sucessivos no Palácio do Planalto, transformado em palanque de comício de quinta categoria, em parceria com Lula, estimula e convoca o exército de militantes ensandecidos à resistência violenta à decretação do impedimento presidencial. É a imagem da intolerân cia e do ódio, que nunca foram bons conselheiros.

Não tenho dúvida de que a melhor solução seria a cassação do mandato da presidente pelo Tribunal Superior Eleitoral, diante de provas irrefutáveis de que sua campanha foi azeitada com milhões e milhões de reais oriundos de esquemas criminosos de corrupção na Petrobras. Haveria nova eleição. Mas, como bem sabe o ministro Barroso, advogado de décadas, antes de assumir a cadeira no STF, a Justiça é lenta e poderá chegar tarde demais, sem que se possa efetivar a punição contra a impugnada. Enquanto o julgamento não chega, a presidente, refém de moviment os sindicais e sociais enlouquecidos, únicos a lhe dar apoio, pode ser forçada a adotar medidas que farão com que o país mergulhe ainda mais profundamente no caos econômico em que se encontra. Independente das razões e da sólida fundamentação jurídica da ação de impedimento em curso na Câmara Federal, é por tudo isso que defendo o impeachment. Sem a medida constitucional extrema, não teremos para onde correr. Com o vice-presidente, em que pese suas dificuldades pessoais, ao lado de companhias nem um pouco recomendáveis, como ressaltou Barroso, tem-se pelo menos a perspectiva de um novo governo, disposto a celebrar um pacto de governabilidade, mais ou menos nos moldes do que ocorreu com a posse de Itamar Franco, quando do impedimento de Collor de Melo.

Como resta indiscutível, a política é mesmo um gênero de primeira necessidade, nas sociedades democráticas, mas no Brasil está realmente morta ou gravemente enferma. A corrupção é generalizada e há que se mudar com urgência o quadro político e de poder na República, atualmente, sem nenhuma legitimidade democrática, pelos processos fraudulentos que dominaram o último pleito e coroaram a eleição de Dilma.

Agora mesmo, salta aos olhos e agride a Nação a “repactuação” proposta pelo ministro Jaques Wagner, com assento na chefia de gabinete da presidente, com vistas à constituição de uma nova base de apoio parlamentar ao governo. Trata-se de um escárnio, uma ultrajante troca de cargos e recursos públicos por votos contra o impeachment, via nomeações de ministros e de outros em funções públicas relevantes, além da liberação vergonhosa de emendas parlamentares com verbas destinadas aos redutos eleitorais de deputados cooptados ou vendidos.

É a ressureição do velho Centrão da época da Constituinte de 1988, outrora tão condenado pelo PT e hoje incorporado com cinismo pelo partido, com sustentação no “franciscanismo” congressual do é dando que se recebe e do toma lá dá cá, procedimentos delituosos que podem fazer com que a Câmara Federal rejeite a ação de impedimento, consagrando-se o crime do lulopetismo contra as instituições democráticas e republicanas.

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Assuntos corrupção, Luís Roberto Barroso, paulo figueiredo
Valmir Lima 2 de abril de 2016
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