
Por Gabriel Hirabahasi e Sofia Aguiar, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira (20) que o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao pedir a anistia pelos atos golpistas de 8 de janeiro, “está provando que ele é culpado, que cometeu crime”.
“Quando o ex-presidente fica pedindo anistia, ele está provando que ele é culpado, que cometeu crime. Ele devia estar falando que vai provar sua inocência. Não, ele está pedindo anistia. Ele está dizendo: Gente, sou culpado, tentei bolar um plano para matar o Lula, o Alckmin, o Alexandre de Moraes, não deu certo porque tive uma diarreia no dia, fiquei com medo, tive de viajar para os EUA, então me perdoem antes de ser condenado”, disse, em entrevista à Rádio Tupi FM do Rio de Janeiro.
Lula disse que não pode falar pela Justiça, mas que a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) “é muito grave”.
“O que vi na denúncia publicada ontem (quarta, 19) é muito grave O Partido Comunista Brasileiro foi perseguido durante quase 50 anos sem ter feito 10% do que a equipe do ex-presidente tentou fazer nesse País. Se for provada a denúncia feita pelo procurador-geral da tentativa de golpe, da participação do ex-presidente, é uma coisa extremamente grave. Se for provado, ele só tem uma saída: ser preso”, afirmou.
“Eles terão o direito de se defender e de dizer que é mentira, mas se for provado, não tem outra solução senão ser condenado”, disse.
“Bolsonaro age como se fosse o dono. Se não puder fazer algo, vai ser a mulher, o filho. Como se fosse uma monarquia, uma coisa hierárquica. Ele não só quer para ele, ele é quer uma questão hereditária, uma questão da família esse país”, criticou.
A anistia defendida por Bolsonaro, no entanto, se refere aos atos golpistas de 8 de janeiro, e não uma anistia pelos crimes imputados pela PGR na denúncia apresentada nesta semana.
Questionado sobre a discussão sobre a possibilidade de aprovação de uma anistia aos condenados pelo 8 de janeiro, Lula disse que “essas pessoas estão se autocondenando ao pedir anistia antes de serem julgados”.
“A primeira coisa que têm que fazer é defender a inocência. Eles nem foram julgados e estão pedindo anistia. Só pelo fato de pedirem anistia antes de serem julgados, merecem ser condenados”, afirmou.
Palpites
Sobre pressão política para mudar ministros, Lula disse que quem toma as decisões em seu governo é ele e que na hora em que tiver que mudar alguém (no governo), mudará.
Lula disse aceitar os palpites que seus aliados dão em relação à reforma ministerial que o governo vem planejando, mas fez questão de delimitar a influência que seus pares têm em suas decisões.
“Eu aceito que todo mundo dê palpite sobre tudo, mas as decisões sou eu que tomo. Na hora em que tiver que mudar alguém, vou mudar alguém. Que nem o técnico do Flamengo, ele tira o jogador que quiser na hora que quiser, não é a torcida que exige que ele tire”, disse o presidente.
Lula respondeu, ainda, algumas críticas sobre a influência da primeira-dama, Janja da Silva, em sua vida. O presidente confirmou que ela “dá palpite” na sua vida, mas que isso o ajuda.
“Eu acho graça quando ouço dizer que a Janja dá palpite na vida do Lula. A coisa gostosa na minha relação com a Janja é que ela dá palpite na minha vida. Ela cuida de mim de uma forma muito especial. Isso não me incomoda, isso me ajuda. Se os ministros falam demais, é prejudicial aos próprios ministros”, afirmou.
