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Política

PF investiga se Abin de Ramagem espionou Gilmar, Alexandre de Moraes e Rodrigo Maia

25 de janeiro de 2024 Política
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Sede da Abin, em Brasília: operação apura se órgão foi usado para espionar autoridades no governo Bolsonaro (Foto: José Cruz/ABR)
Por Karina Ferreira, do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA – A investigação da Polícia Federal (PF) que resultou na operação denominada “Vigilância Aproximada”, na manhã desta quinta-feira (25), apontou que os supostos espionados seriam figuras públicas, como os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia e o ministro da Educação, Camilo Santana – na época governador do Ceará.

Na operação, que é uma continuação das investigações da Operação Última Milha, deflagrada em outubro do ano passado, a PF cumpre 21 mandados contra suspeitos de participar de espionagem ilegais na Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e investiga o que chamou de “organização criminosa”, acusada de se instalar na Agência e usar a estrutura estatal para investigar adversários políticos sem autorização judicial.

Procurada, a Abin não se manifestou.

Segundo os investigadores da PF durante a primeira operação, em outubro de 2023, a Abin fez 33 mil monitoramentos ilegais durante o governo Bolsonaro. Do total, 1,8 mil foram destinados à espionagem de políticos, jornalistas, advogados, ministros do STF e adversários da gestão do ex-presidente.

Segundo as investigações da PF, havia tentativa de relacionar os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes a uma facção criminosa com o intuito de difundir notícias falsas.

No caso de Camilo Santana, policiais flagraram integrantes da Abin operando drones que sobrevoavam a residência oficial do atual ministro em Fortaleza.

A agência chegou a instaurar um processo administrativo contra dois servidores, mas o caso foi arquivado.

A investigação também indica que o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia estaria entre as autoridades espionadas ilegalmente As informações são do jornal O Globo.

Principal alvo das investigações, o ex-chefe do órgão e hoje deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) esteve à frente do Abin entre julho de 2019 e abril de 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). No período, dois servidores teriam utilizado a estrutura estatal para localizar os alvos da espionagem e foram presos em outubro de 2023. O deputado é pré-candidato do PL à Prefeitura do Rio e teve o apoio de Bolsonaro confirmado em novembro.

Há buscas contra Ramagem no gabinete na Câmara e no apartamento funcional em Brasília. Procurados pelo Estadão, o deputado e a Abin não se pronunciaram até a publicação deste texto. O espaço seguirá aberto para manifestações.

A ordem para deflagrar a operação foi expedida pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Segundo a investigação, o crime envolvia o uso de ferramentas de geolocalização em dispositivos móveis (celulares e tablets, por exemplo) sem autorização judicial e sem o conhecimento do próprio monitorado.

As investigações apontam para o uso do sistema FirstMile, desenvolvido pela empresa israelense Cognyte (ex-Verint). O software é capaz de detectar um indivíduo com base na localização de aparelhos que usam as redes 2G, 3G e 4G.

Para encontrar o alvo, basta digitar o número do seu contato telefônico no programa e acompanhar em um mapa a última posição.

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Assuntos Abin, Alexandre Ramagem, espionagem, Jair Bolsonaro
Cleber Oliveira 25 de janeiro de 2024
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