
MANAUS – Os quatro dias do seminário internacional sobre Arbovírus Global Health Challenges and Oportunities for Arbovirus Research Collaboration, promovido em parceria entre a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e o NIH (Nacional Institute of Allergy and Infectious Diseases), dos Estados Unidos, destacou que o Brasil será a peça-chave na descoberta de mecanismos para combater o Zika Vírus.
Uma das primeiras recomendações tiradas do seminário foi a urgência de se expandir as pesquisas em torno da problemática do Zika Vírus e o comprometimento dos institutos internacionais, que compõem o NIH. A ideia é auxiliar com os pesquisadores brasileiros para se aprofundarem sobre o novo vírus, que tem como vetor o inseto aedes aegypt, o mesmo que transmite os vírus da Dengue e do Chikungunya.
O objetivo é que em 60 dias seja planejado e elaborado, junto com o NIH, uma série de pesquisas e projetos que sejam um aporte de conhecimento tecnológico e financeiro para que sejam desenvolvidas pesquisas sobre o tema.
Segundo o diretor do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris) da Fiocruz, Paulo Buss, o seminário abordou principalmente o diagnóstico, possibilidades terapêuticas e vacinas relacionadas às arboviroses . “Temos em mente que é super importante aperfeiçoar os meios de diagnósticos, para que as pessoas acometidas pelo vírus saiba qual tipo é e que haverá uma conduta específica para ele; As possibilidades terapêuticas também serão aperfeiçoadas, para que quando o vírus se instale seja possível ter um medicamento que atue mudando o curso da virose; e as vacinas, que são mais lentas suas pesquisas, mas trabalhando em parceria com os institutos nacionais e internacionais nós poderemos abreviar a chegada delas”, explicou.
Além do intercâmbio de pesquisas e da busca de soluções, o seminário, conforme a assessora de questões regionais do National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID), dos EUAs, Margarita Ossório, busca criar uma cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos, promover o intercâmbio científico entre os participantes dos dois países, identificar falhas nos conhecimentos sobre as arboviroses e ter um plano de ação para seguir adiante.
“Com este seminário, esperamos promover a colaboração entre os dois países, por meio do NIAID e NIH, no conhecimento dos arbovírus e criar um plano de ação para seguirmos adiante na luta contra esses vírus. Atualmente o Brasil é o país número 1 em recebimento de fundos do instituto. Somente em 2014, o NIAID financiou US$ 19 milhões para pesquisas no Brasil.”, explicou Margarita.
Convênio
O seminário faz parte de um convênio assinado em 2014 pela Fiocruz com o NIH, que é, atualmente, o maior instituto de área médica do mundo. O convênio trata dos temas arboviroses e a Amazônia.
Para o diretor da Fiocruz Amazônia, Dr. Sérgio Luiz Bessa Luz, a Amazônia apresenta diversos fatores e condições para o estudo dos arbovírus. “É uma região com grande extensão, fronteiras, diversos povos e sistemas de saúde. Portanto, este evento é uma grande oportunidade para que possamos integrar e conversar sobre projetos estratégicos buscando entender melhor a transmissão e a patogenicidade para construirmos juntos um resultado eficiente para essas arboviroses”, explicou.
O seminário aconteceu de 30 de novembro a 3 de dezembro, na capital amazonense, Manaus, e reuniu pesquisadores da Fiocruz, além de pesquisadores e cientistas dos Estados Unidos e de outros institutos brasileiros.
