
Do ATUAL
MANAUS – Preso por estelionato e considerado pela Polícia Civil como líder de grupo que aplicava golpes com venda de imóveis em Manaus, o golpista pediu aos policiais para ser conduzido como um criminoso perigoso e queria ser fotografado com uma arma de fogo para intimidar as vítimas. A condição solicitada pelo suspeito consta no depoimento de policial militar à Polícia Civil.
“[O policial] informa ainda que Emerson [nome citado pelo policial], que é o proprietário da empresa, pediu aos policiais para que fosse conduzido como se fosse um criminoso de alta periculosidade para intimidar as vítimas”, diz trecho do depoimento de um policial que o ATUAL teve acesso.
Os agentes disseram ainda que o jovem declarou que “facilmente” iria sair da cadeia em audiência de custódia, pois tem “influência”. “Vou sair na custódia mesmo, pegar meu jaguar e curtir no All Night [boate de Manaus]”, disse o suspeito, segundo os policiais militares.
Além de “Emerson”, a polícia prendeu outras nove pessoas que integravam o esquema. Com eles foram encontrados 19 aparelhos eletrônicos, entre computadores e celulares; dez crachás de identificação; uma arma de fogo; uma quantia em dinheiro; e um automóvel Audi preto.
De acordo com as investigações, o grupo oferecia imóveis com preços atrativos, abaixo do mercado, em aplicativos como Facebook (Marketplace) e OLX.
Uma das vítimas disse que em dezembro passado viu um anúncio de uma casa por R$ 130 mil. Ela entrou em contato com a empresa e negociou a compra do imóvel com uma entrada de R$ 11 mil e parcelamento de R$ 100 mil. O negócio foi fechado e ela transferiu o valor acordado. Depois, tentou entrar em contato com os negociadores, mas foi ignorada.
Após a prisão do grupo, aproximadamente 60 pessoas procuraram a delegacia para registrar que haviam sido vítima do golpe. A polícia ainda investiga se outras pessoas estão envolvidas no esquema.
