

Do ATUAL
MANAUS – Candidato à presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes disse que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sempre foi um ‘fascitóide’, que Bolsonaro é fascista e no Brasil impera o ‘deep state’ (estado paralelo), termo muito usado por Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, derrotado na tentativa de reeleição.
Em entrevista a Bruno Aiub, do Monark Talks, na noite de quarta-feira (21), Ciro Gomes voltou a atacar Lula, candidato que lidera as pesquisas de intenção de votos para presidência da República. E rotulou o governo de Jair Messias Bolsonaro de fascista.
“Fascismo puro que o PT e o Lula estão administrando contra o facismo de Bolsonaro. O Lula sempre foi fascitóide. Desonesto e mentiroso”, disse na entrevista.
Ex-ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, Ciro criticou a condução da política econômica e monetária no país. “No Brasil, você elege o presidente da República, que nomeia o presidente do Banco Central, mas não manda no presidente do Banco Central”.
Ao citar que 66,6 milhões de brasileiros estão com o ‘nome sujo’ no SPC (Sistema de Proteção ao Crédito), Ciro Gomes culpou Lula pela inadimplência. “Isso foi a estrutura que produziu. O Lula mandou ‘compra, compra, compra’, você foi para o crediário, expandiu o crédito. O desemprego explodiu, o PT aumentou de 5% para 11%. Meu irmão, não é culpa sua”.
“O Lula colocou 66 milhões de brasileiros no SPC. Depois veio o Bolsonaro e colocou mais 3,6 milhões”, disse Ciro.
O pedetista afirmou também que Lula e Bolsonaro, embora pessoas diferentes, se empenham em manter o sistema vigente, com a elite política, econômica e financeira combatendo quem se insurja a mudar a situação.
Ciro Gomes criticou também o Centrão e a proximidade do presidente Jair Bolsonaro com o grupo de políticos. “O partido do Bolsonaro, que ele se filiou, é do Valdemar Costa Neto, a quem o Lula tinha dado o Dnit [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes] para roubar e que foi preso e condenado no ‘mensalão’. A Dilma governou com essa gente e foi cassada. Michel Temer governou com essa gente e foi parar na cadeia. E o Bolsonaro está desmoralizado”.
“Minha participação na eleição enfrenta os interesses desse ‘deep state'”, afirmou. “Eu sou o último ‘antisistema’ disponível. Sei que é difícil. Eu nunca fui favorito. Eu vou dizer isso no debate sábado. Será que as pessoas vão me ouvir?”
Terceiro colocado nas pesquisas, com oscilação entre 7% e 9% das intenções de votos nas sondagens publicadas, Ciro Gomes mudou a estratégia de campanha e passou a atirar contra Lula. A escolha foi criticada por apoiadores, que manifestaram mudança de voto. Nos últimos dias, Ciro passou a atacar também Bolsonaro.
Lideranças políticas de esquerda da América Latina pediram que Ciro renunciasse à candidatura, em carta aberta divulgada nesta quarta-feira (21)
