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© 2022 Amazonas Atual
Augusto Barreto Rocha

2021, um ano de competitividade declinante

27 de dezembro de 2021 Augusto Barreto Rocha
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É impossível avaliar com assertividade o desenrolar da história, afinal a visão fica embaçada pela nossa lente e sem o distanciamento das nossas preferências. Quando acontece o que gostaríamos, tendemos a aprovar e reprovamos quando acontece o oposto. Em meio a um mundo repleto de notícias falsas que ganham corpo e ares de verdades absolutas, com pessoas focadas em seus mundos imaginários, vou focar no meu mundo imaginário. Quem sabe a minha imaginação sobre 2021 planta alguma base para um 2022 melhor.

Se olharmos na perspectiva de mortes diárias no Brasil, por conta da pandemia, estamos muito melhor hoje do que no dezembro passado. Mesmo assim, é como se houvesse um avião caído por dia. Uma morte gera sentimento, milhares de mortes geram estatísticas. Muitos de nós perdemos o sentimento pela importância da vida. Esta perda de sentimento provavelmente deixou um impacto negativo no que se refere ao respeito pela ciência e meio ambiente. Uma pena para todos que vivemos na Amazônia, que precisamos muito das duas coisas. No meio de tantas crises, as utopias perdem razão de ser.

As causas da Amazônia não podem ser causas pelos motivos errados. Precisamos de causas com os motivos certos, para que tenhamos a construção de um mundo melhor. Será que conseguiremos? O otimismo é fundamental, mas o encontro com a realidade também é indispensável, pois todos que estamos vivos temos algum boleto para pagar. A conta sempre chega e, por isso mesmo, precisamos gerar receitas.  A questão é: como gerar receitas com baixo impacto? Como maximizar a escala das receitas? Como gerar mais com menos? Este é o desafio posto, tanto para as pessoas, quanto para as sociedades. Como vamos nos unir com este propósito? Não temos conseguido união nem para vacinar a população em meio à uma pandemia. Será que conseguimos nos unir por algo que não seja mesquinho?

Estamos separados e menos competitivos. Há menos recursos para a ciência na Amazônia. Estamos atendendo aos interesses estrangeiros. Isso é uma pena. Interessa ao Brasil preservar e desenvolver a Amazônia. Interessa ao estrangeiro estagnar a Amazônia ou destruir a sua floresta. Interessa ao estrangeiro, proteger e nada fazer com a Amazônia. Temos tido habilidade para fazer o que não nos interessa. Já enxergamos todas as perspectivas do que não nos interessa.

Quem sabe esta é a bela semente para 2022. Desistir de tudo o que fizemos até agora e começar a caminhar na direção certa. O caminho incluirá respeito pelas pessoas e suas vidas, respeito pela ciência, tecnologia e proteção ao meio ambiente. Tudo isso será temperado pelo empreendedorismo sustentável e local. Saber que o que fizemos não serviu já é uma conquista. A consciência do que não serve é muito para quem não tem nada. Obrigado à Deus por esta dádiva. Se nem a dor de tantas mortes servem para o aprendizado, o que mais poderia servir?

Obrigado ao AMAZONAS ATUAL e ao Brasil Amazônia Agora pelos espaços. Estimo um 2022 com mais prosperidade e mais competitividade.


Augusto César Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes (COPPE/UFRJ), professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), diretor adjunto da FIEAM, onde é responsável pelas Coordenadorias de Infraestrutura, Transporte e Logística.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos economia, pandemia, Zona Franca de Manaus
Valmir Lima 27 de dezembro de 2021
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