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Dia a Dia

Asmática, motorista de aplicativo sofre, mas vence a Covid-19

25 de maio de 2020 Dia a Dia
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Para não ter contato com passageiros, Leticia voltou a trabalhar, mas fazendo entregas para sites de compras (Foto: Uber/Divulgação)
Da Folhapress

SÃO PAULO – Falta de ar não é novidade para Leticia Helena Teixeira Brandão, 43 anos, mas ela foi levada a uma nova, e desagradável, experiência quando se contaminou com o novo coronavírus. Asmática, ela viu seu sofrimento aumentar quando os sintomas da doença começaram a aparecer, no dia 18 de março.

“Já sou asmática, mas a falta de ar é absolutamente pior do que uma crise de asma. Também tive muita tosse e sentia como se a cabeça e a boca estivessem muito, muito quentes”, conta Leticia, que é motorista de aplicativo na capital paulista.

Ela acredita ter contraído o vírus justamente de algum passageiro, ao desempenhar a sua função diária.

No dia 22, ela buscou atendimento no Hospital Igesp, na Bela Vista (zona central de SP). Após fazer um raio-X, já foi colocada em uma sala isolada para realizar a tomografia. “Saindo o resultado da tomografia, eu fui internada no mesmo momento. O pulmão estava como vidro fosco, característico de Covid-19. Fiquei lá cinco dias, mas não precisei de respirador”, lembra.

No tratamento, ela diz que assinou um termo para tomar a cloroquina e sangue, se fosse necessário. Além disso, fez uso dos medicamentos Rocefin e Tamiflu. “Todos não sabiam muito bem como lidar com as medicações, afinal, é um vírus novo. Meio que eu brinquei com todos que éramos cobaias, e eles riam.”

Após a alta médica, dia 26 de março, ela ficou isolada em casa com o marido, Rael, 43, que também precisou ficar afastado do trabalho, mas não apresentou sintomas da Covid. “Até hoje ele está aguardando o INSS. Não consegue retornar [a trabalhar], nem receber seu salário. Ele tinha dois atestados, não precisava disso tudo.”

Para não ter contato com passageiros, Leticia voltou a trabalhar, mas fazendo entregas para sites de compras. “Meu marido me ajuda enquanto não retorna ao trabalho dele. Por causa da asma, é uma ajuda maravilhosa. Não ia conseguir sem ele.”

Mesmo após tanto tempo recuperada, ela diz que ainda sofre com os efeitos da doença. E faz um apelo.

“Não me recuperei até hoje pois as crises de asma pioram muito, é uma fraqueza que ainda fica. Fora que para nós, asmáticos, é terrível usar máscara, pois sufoca. Faço até um apelo, se alguém tiver uma ideia de máscaras para asmáticos, nos ajude. Somos muitos que sofrem com essa situação.”

Galeria Aglomeração de camelôs reúne cerca de mil ambulantes na região central de SP Vendedores chegam por volta das 4h às ruas do Brás e ficam até a chegada da polícia ou da fiscalização.

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Assuntos coronavírus, motoristas de aplicativo
Redação 25 de maio de 2020
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