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Economia

Viagem ao exterior com o dólar nas alturas: manter, cancelar ou adiar?

7 de março de 2020 Economia
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Viagens pelo Brasil são escolhas mais seguras para quem quer se preocupar menos com a alta do dólar (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
Da Folhapress

SÃO PAULO – Quem viajou nesta sexta-feira, 6, para o exterior pagou cerca de R$ 4,86 no dólar turismo, R$ 5,51 no euro e R$ 6,49 na libra, em casas de câmbio. O valor pode assustar os viajantes, mas há formas de manter o passeio dentro do orçamento.

Uma tática para amortecer a despesa com dólar, usada por quem tem viagens marcadas com antecedência, é comprar a moeda aos poucos, ao longo de alguns meses. Para o planejador financeiro Marcelo Henriques de Brito, da Planejar, a compra fracionada não garante que o turista conseguirá a melhor cotação, mas funciona para dar tranquilidade, porque ele já terá um valor reservado para a viagem.

“É uma postura de preço médio que muita gente adota para o câmbio, que distribui o risco. Mas não é uma fórmula perfeita”, afirma. Quem compra aos poucos em um período de altas seguidas, por exemplo, vai pagar mais caro do que quem comprou tudo de uma vez antes do aumento do valor.

Se ainda faltarem alguns meses para a viagem, a recomendação de Brito é esperar algumas semanas para comprar dólar. O país atravessa um período de desvalorização do real frente à moeda americana, mas isso deve se estabilizar.

Após o pico de alta, explica o planejador financeiro, a tendência é que o preço do dólar recue -mas não deve voltar rapidamente ao valor cobrado no ano passado. “Se o dólar chegar a R$ 4,70, por exemplo, é possível que depois ele volte para R$ 4,35 ou R$ 4,55, mas não para R$ 4”, afirma.

Para Frederico Levy, vice-presidente da Braztoa (associação de operadoras de turismo), é preciso calma na hora de analisar o quanto o dólar mais alto vai realmente afetar a viagem. “Em outubro, o dólar turismo estava a R$ 4,20, hoje está a R$ 4,85. É um aumento de 15%”, afirma. “Ficou mais caro, mas não é o fim do mundo.” 

A desenvolvedora web Rúvila Avelino, 27, passou cinco dias em Londres no final de fevereiro e sentiu a alta no valor da libra, mas conseguiu contornar a situação -e ainda voltou com dinheiro para casa.

Ela optou por comprar uma parte do valor em espécie e a outra em cartão pré-pago. Não usou o cartão de crédito.

“Dei preferência para comprar hotel, seguro-viagem e passagens antes, e quando chegou a hora da moeda, até esperei alguns dias, pensando que o valor poderia baixar um pouco, mas continuou subindo”, afirma.

Quando começou a se planejar, em outubro, a libra custava R$ 5,40. Ela conseguiu comprar por R$ 6,02 no final de janeiro. Agora, já está em R$ 6,49.

Para economizar, deixou de ir em algumas atrações mais caras, como a roda gigante London Eye, cuja entrada custa 30 libras (R$ 195), e optou por jantar lanches comprados em mercados, deixando os restaurantes apenas para o almoço. Ela também evitou fazer compras impulsivas.

Há mais formas de  economizar no planejamento da viagem. Em primeiro lugar, reduzir a sua  duração ajuda a cortar custos. Já com as passagens aéreas, a saída é optar por voos com escalas, geralmente mais baratos do que os diretos.

Na hospedagem, é possível procurar hotéis de categorias mais simples, e, se a viagem for em grupo, dividir quarto com a quantidade máxima de pessoas permitida ou alugar um imóvel de temporada.

Para quem não acha um problema compartilhar o seu espaço com desconhecidos, outra opção são os hostels, com quartos coletivos.

“Você pode diminuir a categoria do quarto, em vez de pegar um hotel de frente para a praia, pega um duas quadras atrás, tem formas manter a experiência e pagar menos”, afirma Levy.

A opção por se deslocar com transporte público é quase sempre mais vantajosa do que táxis e Uber, mas, se o turista estiver em um grupo grande, vale a pena cotar o valor de corridas em aplicativos e dividir pelo número de pessoas. Em Lisboa, por exemplo, existe a opção de pedir carros que comportam seis passageiros, em vez de quatro, o que pode sair mais em conta do que pagar seis passagens de ônibus.

E sempre há a opção gratuita de andar a pé.

Nos passeios, o jeito é optar por aqueles que não são pagos, como parques e praias. Em algumas cidades, como Londres, os museus são gratuitos. Em outras, não se paga para conhecer as igrejas.

Mesmo em cidades nas quais essas atrações são pagas, com frequência há um dia no mês ou na semana, ou ainda um horário específico, de visitação gratuita -mas, é óbvio que esses dias tendem a ser mais cheios de visitantes do que o normal.

Se mesmo assim parecer que uma viagem já comprada não vai mais caber no orçamento, há a opção de cancelá-la ou adiá-la. Porém, é preciso ler com cuidado as condições de cancelamento dos pacotes de viagem, passagens aéreas e hospedagem. Nem sempre o valor é devolvido integralmente e, para adiamentos, pode haver taxas de remarcação.

Caso ainda não tenha comprado a viagem, vale refletir se um destino internacional é a melhor opção para o momento. Além da alta do dólar, os casos de covid-19, a doença do novo coronavírus, deixaram os viajantes em estado de atenção.

Mesmo se algumas passagens aéreas e hospedagens estiverem mais baratas devido à baixa procura causada pelo coronavírus, Brito alerta que pode não ser um bom negócio. “Você perde na experiência, porque as pessoas ficam mais reclusas e o clima é pesado”, afirma.  

Viagens pelo Brasil são escolhas mais seguras para quem quer se preocupar menos com a alta do dólar e com possíveis atrações fechadas pela epidemia da doença.

“Nessa situação, aumenta a demanda para viagens nacionais e também para a América do Sul”, afirma Levy.

De acordo com a Abav (associação de agências de viagens), a procura por pacotes nacionais na temporada encerrada com o Carnaval se manteve na média do último ano. Entre os pacotes vendidos, 60% foram para destinos no Brasil e 40% no exterior.

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Assuntos Dólar, turismo, viagem
Redação 7 de março de 2020
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