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Política

Bolsonaro queria ir ver o Palmeiras com segurança segurando suporte, médico disse não

14 de setembro de 2019 Política
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Médico disse não ao presidente Jair Bolsonaro (Foto: Vídeo da Presidência da República/Reprodução)

Por Paulo Gomes, da Folhapress

SÃO PAULO-SP – O quadro de saúde do presidente Jair Bolsonaro (PSL) se mantém estável neste sábado, 14, um dia após a retirada da sonda nasogástrica. Segundo a equipe médica responsável pelo presidente, Bolsonaro segue apresentando melhora progressiva e deve evoluir para a dieta cremosa (com papas e sopas mais espessas) na noite deste sábado ou na manhã deste domingo, a depender de avaliação.

Nessa sexta-feira, 13, os médicos retiraram a sonda nasogástrica do presidente, que ficava conectada ao seu nariz e ia até o estômago. O tubo, que tinha sido colocado na terça, 10, tinha a função de ajudar na saída da grande quantidade de ar que se acumulou no estômago e no intestino. Com a retirada da sonda, Bolsonaro também voltou a receber a dieta líquida (chá, gelatina, caldo ralo), suspensa na terça e substituída pela nutrição parenteral endovenosa (pelas veias).

As duas formas de alimentação estão mantidas. A alimentação líquida, que na sexta era de 50 ml de hora em hora, agora está ‘totalmente liberada’, segundo o cirurgião Antônio Macedo, que cuida do presidente.

O presidente caminhou e está bem-humorado, de acordo com o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros. “Hoje (sexta) o doutor Macedo teve que dar um puxão de orelha porque o presidente queria ir ao jogo do Palmeiras. Ele disse que tem um segurança dele que é um bom porta-bandeira e poderia segurar o suporte de alimentação”, afirmou o porta-voz, em tom de brincadeira.

Bolsonaro está internado no Hospital Vila Nova Star, na zona sul de São Paulo, onde foi submetido no domingo (8) à quarta cirurgia desde que sofreu uma facada durante um ato de campanha em setembro de 2018. As visitas continuam restritas e não há previsão de alta até o momento, mas a estimativa é de que o presidente seja liberado até terça-feira, 17.

O processo de reintrodução dos líquidos na dieta tem que ser feito aos poucos para evitar mal-estar, vômitos e distensão (inchaço) abdominal. Ainda de acordo com os médicos, o paciente está sem febre e sem dor e dá sinais de melhora dos movimentos intestinais. Ele só poderá ter alta depois que evoluir da dieta líquida para a cremosa.

Bolsonaro também faz sessões de fisioterapia respiratória e motora, que incluem caminhadas no corredor do hospital. O presidente ficará fora do cargo mais tempo do que o previsto inicialmente, atendendo a orientações médicas. A previsão inicial era que ele reassumisse a cadeira na sexta-feira, mas a equipe sugeriu período mais longo de descanso. O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) ocupa o posto até terça.

Na tentativa de mostrar que está bem de saúde, Bolsonaro fez na noite desta quinta-feira, 12, uma live em redes sociais do quarto do hospital onde está internado.

Usando roupa hospitalar e a sonda nasogástrica, ele demonstrou sinais de cansaço na voz e anunciou que, por recomendação médica, falaria pouco. Na transmissão online, que durou cerca de três minutos, o presidente enumerou o que classificou como “coisas boas para informar ao Brasil”.

No último domingo, os médicos corrigiram uma hérnia que surgiu na região do abdômen em decorrência das múltiplas incisões feitas no local nos últimos meses. A operação durou cinco horas e foi considerada bem-sucedida. Logo após a cirurgia, Bolsonaro vestiu uma cinta elástica para pressionar o abdômen operado e ajudar no processo de recuperação.

O surgimento da chamada hérnia incisional já era esperado pelos médicos que atendem o presidente, em razão da série de intervenções feitas na região da barriga do paciente para tratar os danos provocados pelo ataque. O então presidenciável foi esfaqueado por Adélio Bispo de Oliveira em 6 de setembro de 2018. O autor do crime está preso desde então.

A hérnia ocorreu porque, em virtude do enfraquecimento da parede muscular do abdômen, uma parte do intestino passou por uma cavidade desse tecido. As sucessivas incisões (cortes) na barriga fragilizaram o músculo, o que fez com que a porção do órgão e uma camada de gordura rompessem a membrana, criando uma saliência sob a pele.

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Assuntos Jair Bolsonaro
Cleber Oliveira 14 de setembro de 2019
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