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Economia

Reforma é mais prioridade que a Europa, dizem importadores de veículos

3 de julho de 2019 Economia
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Por Anaïs Fernandes, da Folhapress

SÃO PAULO-SP – A aprovação da reforma da Previdência e o encaminhamento da tributária são mais importantes do que o acordo entre Mercosul e União Europeia, afirmou José Luiz Gandini, presidente da Abeifa (associação das importadoras de veículos), nesta quarta-feira, 3.

“Isso sim mexe com o mercado já, muito antes do que o acordo com a União Europeia”, disse. “Enquanto não aprovar a Previdência, vamos ficar nesse marasmo. Ninguém sabe o que vai acontecer, o mercado fica instável, o câmbio fica instável”.

A Abeifa reúne 16 marcas, algumas que apenas importam, como Volvo, Ferrari, Porsche, Kia e Jac, e outras que têm fábrica no Brasil, como BMW, Land Rover, Cao Chery e Suzuki.

Gandini disse que ainda existem muitas dúvidas sobre como será o acordo entre os blocos comerciais. “Não existe nada de concreto ainda. Existe a certeza de que vai sair alguma coisa, mas ainda precisa ser regulamentado. É prematuro, está muito cedo e muito cru ainda”, afirmou.

Para o setor automotivo, o acordo prevê que a tarifa de 35% cobrada sobre a importação dos carros europeus cairá para 17,5% em até dez anos, com uma cota de 50 mil carros para o Mercosul nos primeiros sete anos, sendo 32 mil para o Brasil. Em 15 anos, a taxa cairá a zero.

Gandini considera que o volume de 32 mil carros é ‘muito pequeno’. Além disso, diz que há incertezas sobre como será a divisão das cotas.
“Quem será beneficiado? Não são todas as marcas. Nem todas as associadas têm fábrica na Europa. E tem produtos na Europa que não estão no Brasil, não sabemos como vai ser a aceitação aqui”, afirma.

As vendas no Brasil de veículos importados caíram 9,6% no primeiro semestre deste ano, na comparação com igual período de 2018, para 16,2 mil unidades. Com isso, a Abeifa revisou sua previsão do início do ano de vendas de importados de 50 mil veículos para 40 mil. “Teríamos que vender 4.800 carros por mês para manter a previsão, é praticamente impossível”, disse.

Gandini atribui a queda nas vendas de importados à “economia parada”, como define a situação brasileira, e às oscilações do dólar. “Se o filho do [presidente Jair] Bolsonaro entra no Twitter e fala algo diferente, o dólar sobe. A gente está em uma situação que é muito volátil, qualquer coisa, muda totalmente”, afirma. “Hoje o câmbio está em R$ 3,83, mas estamos recebendo ainda os carros pagos na base de R$ 4,10. Não dá para repassar isso, o carro fica fora de mercado”.

As marcas que mais venderam importados no Brasil nos primeiros seis meses do ano foram Kia (4.649), Volvo (3.556), BMW (2.196) e Land Rover (1.213).

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Assuntos Mercosul, União Europeia
Cleber Oliveira 3 de julho de 2019
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