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Dia a Dia

Padre jurado de morte revela que sua cabeça vale ‘prêmio’ de R$ 25 mil

16 de janeiro de 2019 Dia a Dia
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Padre Amaro diz que não quer morrer, mas está pronto para enfrentar o que for (Foto: Divulgação)
Padre Amaro diz que não quer morrer, mas está pronto para enfrentar o que for (Foto: Divulgação)

Da Redação

MANAUS – O padre José Amaro da Silva, 73, diz que está jurado de morte e que sua cabeça vale R$ 25 mil. Conhecido como Padre Amaro, o religioso é um dos líderes da CPT (Comissão Pastoral da terra) ligada à Igreja Católica e desenvolve catequese na mesma região do Pará onde Dorothy Stang foi assassinada em 2005. Na época, segundo Amaro, existia um prêmio para quem matasse os dois religiosos. “A cabeça da irmã Dorothy valia R$ 50 mil na época; a minha R$ 25 mil. O objetivo era matar nós dois. Como não conseguiram, tombaram ela”, disse.

Padre Amaro disse que não quer morrer, mas afirma que está “pronto para enfrentar o que for pela luta” que acredita. “Como não se indignar? Como não lutar diante de tanta miséria e desigualdade? Eu não quero morrer, mas, depois de tudo o que passei, eu estou pronto para enfrentar o que for pela luta que eu acredito”, afirmou, em entrevista à repórter Maura Silva e publicada no site do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) nessa terça-feira, 15.

Em fevereiro de 2018, o padre foi preso, acusado de extorsão, ameaça, assédio sexual e invasão violenta de propriedade.

Padre Amaro foi solto em junho de 2018 por liminar do STF (Supremo Tribunal Federal). O padre alega que um grupo de fazendeiros forjou provas para incriminá-lo. “No Pará, a impunidade mata e desmata. Para muitos lá não é terra de gente. A minha companheira de 15 anos de trabalho foi assassinada”, disse. Ao ser preso, ele ficou junto com um dos mandantes do assassinato. “Pouco tempo depois da minha entrada na cadeia, ele recebeu um habeas corpus e, 13 anos depois, reponde pelo crime em liberdade”, disse. Amaro reclama da criminalização dos movimentos sociais e dos trabalhadores rurais e diz que quem manda “é quem tem dinheiro, o trabalhador e a trabalhadora rural são vistos como bandidos, que burlam a lei”. “Quando uma terra que é pública é ocupada, ele é ameaçado, agredido e assassinado”, afirmou.

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Assuntos Doroth Stang, grilagem de terra, Padre Amaro
Cleber Oliveira 16 de janeiro de 2019
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