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Política

Antes de Bolsonaro, Brasil teve presidente cartola e ex-jogador de futebol

3 de dezembro de 2018 Política
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Presidente eleito participou de festa da conquista do título do Brasileirão pelo Palmeiras (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
Presidente eleito participou de festa da conquista do título do Brasileirão pelo Palmeiras (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
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Da Folhapress

São Paulo-SP – Personagem central na comemoração do título palmeirense nesse domingo, 2, no Allianz Parque, Jair Bolsonaro não é o primeiro presidente do Brasil a assumir uma posição de protagonismo com relação ao futebol ou a um evento específico relacionado a este esporte.

Torcedor do Palmeiras, Bolsonaro repete a postura do corintiano Luiz Inácio Lula da Silva com relação ao time do coração. Fernando Collor de Mello é torcedor do CSA, de Alagoas, e inclusive já presidiu o clube. Outros governantes, contudo, não estabeleceram laços estreitos com times, mas se envolveram em questões ou momentos importantes do futebol brasileiro.

Lula

Luiz Inácio Lula da Silva nunca escondeu seu amor pelo Corinthians. Isso não o impediu, porém, de receber no Palácio da Alvorada dirigentes e ídolos de outras equipes do país. Até uma camisa do Palmeiras, entregue por Ademir da Guia, o ex-presidente já ganhou.

A exposição pública de Lula no futebol, contudo, nem sempre trouxe benefícios à imagem do político. Em 2006, durante uma conferência com atletas e comissão técnica da seleção brasileira antes da Copa do Mundo, ele questionou o então técnico da seleção Carlos Alberto Parreira se Ronaldo estava acima do peso ideal para a disputa do Mundial. O ex-atacante não gostou e respondeu no dia seguinte, em entrevista a jornalistas.

“Todo mundo diz que ele bebe pra caramba. Tanto é mentira que eu sou gordo como deve ser mentira que ele bebe pra caramba”, disse Ronaldo.
Em 2011, jogadores do Corinthians entraram em campo com uma faixa em que se lia ‘#ForçaLula’, uma mensagem de apoio ao ex-presidente que à época lutava contra um câncer na laringe.

Dilma

Mineira, Dilma Roussef sempre se declarou torcedora do Atlético-MG, mas também do Internacional. Entretanto, sua principal ação no futebol foi o veto à Medida Provisória 656, que previa o refinanciamento das dívidas dos clubes sem contrapartidas na melhoria da gestão.

Crítica da CBF e das declarações de dirigentes da Fifa sobre a Copa do Mundo no Brasil, Dilma se aproximou do movimento Bom Senso FC, com quem manteve diálogo constante nas discussões pelo veto da MP. No processo de receber o Mundial no país, a petista sofreu com as críticas populares e foi vaiada pelo público na Abertura da Copa das Confederações, em 2013, além da abertura e do encerramento da Copa, em 2014.

Collor

Fernando Collor de Mello não foi somente presidente da República de 1990 a 1992, quando sofreu o impeachment. Collor também comandou o CSA, de Alagoas, de 1973 a 1974. Depois, iniciou sua carreira política como prefeito de Maceió e, na sequência, foi governador do Estado. Aliás, o Centro Sportivo Alagoano foi gerido por uma dinastia Collor. Primo do ex-presidente, Euclides Mello integrou a diretoria do clube de 1995 a 2003. Filho de Fernando Collor, Arnon Afonso de Mello Neto também foi presidente do CSA entre 1999 e 2001.

Médice

Entre os presidentes do período da ditadura militar (1964-1985), Emílio Garrastazu Médici foi o que estabeleceu a relação mais estreita com o futebol. Médici será sempre lembrado como o governante que levantou a taça do tricampeonato mundial da seleção brasileira no México, em 1970, sucesso esportivo do qual o político se aproveitou para tentar alavancar sua popularidade.

É célebre a história envolvendo o presidente e o técnico João Saldanha, que comandou a seleção até pouco antes do Mundial. Diziam que Médici queria convocar Dadá, atacante do Atlético-MG, no que Saldanha respondeu: “Nem eu escalo ministério e nem presidente escala time!”

Dias depois, Saldanha foi demitido da seleção. Dadá esteve na Copa do Mundo, na reserva da equipe treinada por Zagallo.

Getúlio

Assim como Dilma Roussef na cerimônia de inauguração e na final da Copa do Mundo de 2014, Getúlio Vargas também recebeu uma estrondosa vaia em um estádio de futebol. Foi quando compareceu à inauguração do Pacaembu, em 1940. Foi uma reação dos paulistanos ao golpe de estado que tirou o paulista Washington Luís do poder, ainda em 1930.

Em agosto de 1954, em seu segundo governo, Getúlio se suicida e quem assume o comando da República por pouco mais de um ano é Café Filho, o único presidente do Brasil a ter jogado futebol profissionalmente.

Café Filho

Fundador do Alecrim Futebol Clube, tradicional equipe potiguar, Café Filho também foi goleiro do time entre 1918 e 1919. “O arqueiro que certa vez me substituiu deixou que os adversários fizessem 12 gols, enquanto eu deixara a bola passar nas traves apenas 10 vezes”, brincou Café Filho em sua autobiografia, “Do Sindicato ao Catete: Memórias políticas e confissões humanas”, publicada em 1966.

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Assuntos Brasileirão, cbf, Jair Bolsonaro, Palmeiras
Cleber Oliveira 3 de dezembro de 2018
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