O Amazonas Atual utiliza cookies e tecnologias semelhantes, como explicado em nossa Política de Privacidade, para recomendar conteúdo e publicidade. Ao navegar por nosso conteúdo, o usuário aceita tais condições.
Confirmo
AMAZONAS ATUAL
Aa
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
    • Augusto Barreto Rocha
    • Cleber Oliveira
    • Fatima Guedes
    • José Ricardo
    • Márcia Oliveira
    • Sandoval Alves Rocha
    • Sérgio Augusto Costa
    • Tiago Paiva
    • Valmir Lima
  • Quem Somos
Aa
AMAZONAS ATUAL
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos
Pesquisar
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
    • Augusto Barreto Rocha
    • Cleber Oliveira
    • Fatima Guedes
    • José Ricardo
    • Márcia Oliveira
    • Sandoval Alves Rocha
    • Sérgio Augusto Costa
    • Tiago Paiva
    • Valmir Lima
  • Quem Somos
Siga-nos
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos
© 2022 Amazonas Atual
Márcia Oliveira

Dia da Amazônia e as lições do Bem-Viver

5 de setembro de 2018 Márcia Oliveira
Compartilhar


Neste 5 de setembro, celebra-se o dia da Amazônia. A data faz referência ao dia 5 de setembro de 1850, quando foi assinado por D. Pedro II o Decreto de Criação da Província do Amazonas, atual Estado do Amazonas. Passados 168 anos, a data não é de muita comemoração e sim de preocupação. O ‘progresso’ trazido para a Amazônia tem transformado drasticamente a região num processo tremendo de destruição e reconfigurações territoriais nem sempre condizentes com o papel que a região ocupa no planeta. Mas, não faltarão analistas para alertar sobre este tema. Por isso, nesse artigo, me ocuparei de um tema muito caro à Amazônia e pouco debatido, especialmente em nosso meio.

Nesse dia dedicado a Amazônia é importante recuperar uma lição dos povos ancestrais que a chamaram Nhandereko-há: “nosso modo de ser na nossa casa comum” de acordo com a língua geral – nheengatu. Mais que um vocábulo, Nhandereko-há significa um conceito de casa ampla, coletiva. Refere-se a todo espaço habitado e convivido: a floresta, os rios e lagos, a várzea e a terra firme. Refere-se à Amazônia compartilhada com diversos povos. Mais tarde, denominaram essa convivência de Bem Viver para definir um modo de vida diferente daquele trazido pelos colonizadores e muito diferente daquele imposto pelo “progresso” capitalista.

A ancestralidade é um ponto de partida fundamental na cultura do Bem Viver. Na sabedoria ameríndia o passado não é obsoleto, mas vínculo existencial até a geração presente. É o que permite o aprendizado permanente do cuidado com a vida cosmogônica que implica saber cuidar de nós mesmos, de nossas raízes, da terra, da ecologia humana numa comunhão ou aliança universal entre tudo e todos/as. Essa comunhão vem da terra, do chão onde se pisa, definida carinhosamente pelos Povos Ameríndios como Pachamama.

Os princípios da Pachamama na perspectiva do Bem Viver, baseiam-se na ecologia integral e no cuidado da casa comum. Isso significa que cuidar da casa comum, da Nhandereko-há, é cuidar de nós mesmos. Nesse sentido, a permanência das desigualdades sociais e econômicas, das injustiças e a violação dos direitos humanos, tão insistentes no modelo de sociedade capitalista, significa que não estamos cuidando de nós mesmos e muito menos da terra e de outros seres vivos. Significa que a humanidade tem se distanciado cada vez mais da Pachamama.

Na perspectiva do Bem Viver o cuidado é um elemento fundamental e significa atitude de amor e de respeito, quase uma veneração. Ou seja, eu preciso cuidar da criação porque sou parte dela. E a terra é a casa comum de toda a criação. Nesse sentido, a terra significa uma realidade ampla que representa o território de vida e de sentido das pessoas ou grupos que habitam e convivem em determinada porção do planeta. Significa construção de identidades.

Bem-Viver é a tradução para a concepção indígena do Sumak Kawsay, origem quéchua, ou Suma Qamaña de origem aymara. A experiência milenar dos Povos Ameríndios é um caminho possível de compreensão e aprendizagem dos conceitos e definições da cultura do Bem Viver. A vida destes povos representa um exemplo vivo de convivência, inter-relação e interdependência entre as pessoas e a natureza na perspectiva da ecologia integral em que toda a criação se mistura com a terra.

Na parte introdutória da Encíclica Laudato Si’ (2015) o Papa Francisco afirma que “esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra. O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respi¬rar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos”. Nessa exortação, o Papa Francisco chama a atenção de toda a sociedade para a “comunhão universal” acenando para a interligação entre tudo e todos na grande casa comum.

Outro preceito importante para a definição do Bem Viver na Nhandereko-há dos Povos da Amazônia é o princípio da Terra Sem Males, mito do Povo Guarani, presente na espiritualidade de praticamente todos os Povos Indígenas. A Terra Sem Males refere-se a outro modo de vida que se contrapõe ao entendimento do significado do progresso técnico e industrial desenvolvido pelos grandes empreendimentos empresariais economicistas que vêm provocando imensuráveis processos de destruição da natureza e da biosfera que tem como referencial a mundialização do mercado econômico, sem regulação externa que cria pequenas ilhas de riquezas e, simultaneamente, zonas crescentes de miséria, pobreza e exclusão social e econômica em todo o mundo.

O antigo preceito dos povos indígenas antes da chegada dos colonizadores expressava uma inter-relação de equilíbrio e interdependência entre os seres humanos e a natureza numa permanente atitude de responsabilidade, de cuidado e proteção da sociobiodiversidade, em função de uma civilização justa, solidária e sustentável, totalmente diversa do progresso moderno. É alternativa ao modo capitalista de produção, distribuição e consumo.

De acordo com os preceitos do Bem Viver, ou destruímos a ecologia e nos afundamos com ela, ou nos salvamos através de uma nova forma de relação em que a vida dos seres humanos e de toda a ecologia esteja em primeiro lugar. Nessa perspectiva, celebrar o dia da Amazônia é reconhecer o valor dos povos ancestrais dessa região que incansavelmente lutam para que a vida prevaleça, mesmo diante de tanta morte e destruição.


Marcia Oliveira é doutora em Sociedade e Cultura na Amazônia (UFAM), com pós-doutorado em Sociedade e Fronteiras (UFRR); mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia, mestre em Gênero, Identidade e Cidadania (Universidad de Huelva - Espanha); Cientista Social, Licenciada em Sociologia (UFAM); pesquisadora do Grupo de Estudos Migratórios da Amazônia (UFAM); Pesquisadora do Grupo de Estudo Interdisciplinar sobre Fronteiras: Processos Sociais e Simbólicos (UFRR); Professora da Universidade Federal de Roraima (UFRR); pesquisadora do Observatório das Migrações em Rondônia (OBMIRO/UNIR). Assessora da Rede Eclesial Pan-Amazônica - REPAM/CNBB e da Cáritas Brasileira.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

Notícias relacionadas

Detento algemado foge de viatura antes de audiência em Manaus

Dino determina regra da Câmara para escolha de presidente da Aleam

Radialista condenado por estupro de adolescente é preso em Manaus

Advogado suspeito de estuprar filhas menores é exonerado da OAB-AM

Idoso de 70 anos é resgatado ferido após ser raptado em Iranduba, no AM

Assuntos Amazonas, Amazônia, nheengatu
Cleber Oliveira 5 de setembro de 2018
Compartilhe
Facebook Twitter Pinterest Whatsapp Whatsapp LinkedIn Telegram Email Copy Link Print
Deixe um comentário

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também

O caso ocorreu no 1º Distrito Integrado de Polícia, no bairro Praça 14 (Arquivo/PC-AM)
Dia a Dia

Detento algemado foge de viatura antes de audiência em Manaus

10 de julho de 2026
Política

Dino determina regra da Câmara para escolha de presidente da Aleam

10 de julho de 2026
O radialista de 38 anos foi preso pela Polícia Civil e levado à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (Foto: Arquivo/PC-AM)
Polícia

Radialista condenado por estupro de adolescente é preso em Manaus

10 de julho de 2026
A decisão foi confirmada pelo presidente da Comissão de Prerrogativas da entidade, Alan Johnny (Foto: Arquivo/OAB-AM)
Dia a Dia

Advogado suspeito de estuprar filhas menores é exonerado da OAB-AM

10 de julho de 2026

@ Amazonas Atual

  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos

Welcome Back!

Sign in to your account

Lost your password?