
Da Redação
MANAUS – Empresas de mineração e comércio de ouro usavam os incentivos fiscais no Amazonas em um sofisticado esquema de fraudes na comercialização do metal. Elas utilizavam prata banhada a ouro para simular a produção no Estado e obter a isenção de impostos e, depois, reverter no mercado nacional e internacional a preços de mercado. Um contador foi preso em Manaus e outros quatro suspeitos foram detidos em Minas Gerais pela operação ‘Elemento 79’, deflagrada em conjunto pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal em cinco Estados na manhã desta terça-feira, 27.
“Descobrimos que um dos meios utilizados pela quadrilha é a aquisição de crédito de ouro. A empresa em Manaus recebe prata, mas dá saída em ouro. Assim, obtém as vantagens dos incentivos fiscais. A investigação vem preencher uma laguna, mostrando como se dá a internacionalização no mercado lícito de ouro a partir do metal extraído ilicitamente”, disse a promotora Ana Carolina Haliuc Bragança, representante do MPF. “Os crimes são de lavagem de dinheiro e organização criminosa”, completou.
A Brascon, empresa de contabilidade, e a Ciala da Amazônia Refinadora de Metais Ltda., segundo na Carolina, estão envolvidas no esquema em Manaus. Os nomes dos suspeitos são mantidos em sigilo.
O auditor da Receita Federal José Alves Dias disse que o esquema foi descoberto a partir de remessas de ouro pelos Correios de empresas de Minas Gerais para Manaus. “Nós suspeitamos da remessas e comunicamos à Polícia Federal. A investigação constatou que se tratava de prata e não de ouro”, disse Alves Dias. A Receita ainda não sabe a quantidade de ouro e prata utilizada pela quadrilha no esquema de fraude.
Em Manaus, a PF cumpriu 15 mandados de busca e apreensão. As empresas também serão enquadradas em crime ambiental. O prejuízo é estimado em R$ 30 milhões durante dois anos.
(Colaborou Patrick Motta)
