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Dia a Dia.

Expedição à Serra do Apiaú, em Roraima, revela uma nova floresta amazônica

9 de junho de 2017 Dia a Dia.
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Floresta nas nuvens Apiaú (Foto: Mario Cohn-Haft)
Musgos dominam a ‘floresta nas nuvens’ na Serra do Apiaú, em Roraima (Foto: Mario Cohn-Haft)

Da Redação

MANAUS – Floresta mais úmida, com vegetação à base de musgos e animais exóticos e raros. Esse é o cenário da ‘floresta nas nuvens’, ou ‘floresta nebular’, encontrado na Serra do Apiaú, no município de Iracema, em Roraima, próximo à cidade de Mucajaí. O local também é habitat de animais raros, segundo o especialista em aves, Mario Cohn-Haft, pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).

Apiaú é a mais nova fonte de estudos dos pesquisadores, que já realizaram expedições ao Pico da Neblina, a maior montanha do país com 3 mil metros de altitude, e ao Monte Roraima, que tem um formato de chapada (tepui), além da Serra da Mocidade onde o pesquisador realizou uma grande expedição em 2016, quando foram descobertas mais de 80 novas espécies de animais e plantas. “Apiaú é uma serra pequena, que chega a quase 1.500 metros de altitude e tem um ambiente especial, que é o foco do meu interesse em serras:  a floresta nebular”, disse Cohn-Haft.

Conforme o pesquisador, quanto mais alta, mais fria e mais úmida é a floresta e mais o ambiente difere do tipo encontrado nas terras baixas. Segundo ele, a floresta montana – aquela que fica acima de mil metros e é ‘banhada’ pelas nuvens (floresta nebular ou floresta nas nuvens) – é tão diferente das matas de terras baixas da Amazônia, que os animais e plantas também são diferentes.

“Uma parte da diversidade da Amazônia é justamente a diversidade de tipos de ambientes. Em topos ou encostas de serra é um ambiente diferente das baixadas, e é por isso que vamos para conhecer a flora e a fauna desses lugares”, diz o pesquisador.

Cohn-Haft conta que na Serra do Apiaú, uma das coisas interessantes da expedição foi, de certa forma, a falta de descobertas. “A serra é pequena e muito isolada. É como se tivéssemos achado uma rocha no meio do mar e esperávamos encontrar nessa rocha toda a mesma exuberância de vida que tem numa ilha maior”, comenta Cohn-Haft. “Não tem. Tem menos tipos de bicho e menor diversidade”, destaca.

O especialista explica que isto é um fenômeno previsível previsto pela teoria da biogeografia de ilhas: quanto menor a ilha e mais isolada, menos espécies terão lá. Cohn-Haft disse que o mais gratificante, do ponto de vista científico, foi ver que os integrantes da expedição estavam certos de que esse lugar isolado tinha menos bicho do que num lugar maior ou mais conectado. “Mas a coisa mais legal dessa serra é que é um lugar que tem floresta nebular, linda e cheia de musgo e umidade pingando e de fácil acesso”.

Segundo o ornitólogo, de todas as serras amazônicas, onde para se chegar, a maioria precisa de helicóptero, ou entrar pelo lado venezuelano, ou andar vários dias a pés, na Serra do Apiaú a chegada é por via terrestre com a facilidade de se contratar alguém para guiar a subida e no mesmo dia estar numa floresta nebular totalmente diferente da mata que costuma-se ver na Amazônia.

Na opinião de Cohn-Haft, a Serra do Apiaú é o cartão postal da floresta montana amazônica que precisa ser mostrada para o mundo. “Cabe a todos nós batalharmos para garantir o futuro daquele lugar e envolver o povo da região a se interessar pela proteção da serra”, ressalta o pesquisador.

Araponga da Amazônia Foto Anselmo D'Affonseca Inpa
Araponga da Amazônia é uma das aves mais raras e encontradas apenas nas serras da região (Anselmo D’Affonseca)

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Assuntos Amazonas, Amazônia, Inpa, Mario Cohn-Haft, Roraima
Cleber Oliveira 9 de junho de 2017
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