Dois milhões de brasileiros sofrem de fobia no trânsito

Neste post, iremos falar um pouco sobre a fobia no trânsito, uma condição que afeta o cotidiano de milhões de motoristas brasileiros, mas que, no entanto, ainda é um tema desconhecido para muita gente.

Conheça quais as suas causas, o que pode causar a longo prazo na vida de uma pessoa e também como tratar esse mau que atinge milhares de cidadãos.

O que é fobia no trânsito?

A fobia no trânsito é uma fobia/medo de dirigir que atinge milhões de motoristas brasileiros atualmente. Por se tratar de um medo que, muitas vezes, não pode ser controlado por quem o sente, acaba gerando diversos problemas para as pessoas que sofrem dessa condição.

Ao contrário de um medo comum, especialmente para quem está começando a dirigir, a fobia no trânsito vai muito além. A condição costuma causar danos severos às habilidades de direção, sejam elas motoras ou mentais, e, inclusive, provoca risco ao motorista e a quem estiver ao seu redor.

Muitas dessas pessoas acabam não procurando ajuda para terem um tratamento adequado para essa situação e passam a sentir uma dependência e privação do hábito de dirigir.

Mas não é somente isso. A fobia no trânsito tem algumas características bastante específicas de outras fobias, que deixam clara a ansiedade e o medo de estar vivenciando a situação.

A pessoa com a fobia no trânsito passa a ter:

  • sudorese;
  • taquicardia;
  • boca seca;
  • tremores nos braços e nas pernas;
  • dificuldade psicomotora.

Isso pode acontecer já na existência de uma possibilidade de dirigir para algum lugar.

Com o tempo, essa pessoa passa a se esquivar do ato de dirigir, ou seja, todas as vezes que ela precisar dirigir para algum lugar, irá arrumar desculpas para isso não acontecer, como pedindo para familiares ou amigos conduzirem o veículo em seu lugar ou mesmo preferindo outros meios de transporte.

A fobia do trânsito pode ser dividida em três conhecidos grupos:

  • pessoas que, mesmo tendo a habilitação, nunca dirigiram;
  • pessoas que nem ao menos tiraram a carteira de motorista porque sentem medo;
  • pessoas que decidem dirigir somente depois de se aposentar.

Quais as causas dessa fobia?

Muito comumente, a pessoa que desenvolveu a fobia no trânsito vivenciou uma situação extremamente estressante e que agora lhe causa medo e aflição sempre que vai dirigir.

Situações como a alta ansiedade quando diante de um grande congestionamento, podendo levar o cérebro a desenvolver o pânico, ou mesmo assistir muitas notícias ou filmes que falem sobre acidentes de trânsito, podem levar a pessoa a desistir da condução.

O comportamento também pode vir da infância, quando crianças que veem os pais agirem de uma forma ansiosa no carro acabam desenvolvendo a fobia no trânsito.

Ter vivenciado um momento de ansiedade e de perigo, como dirigir na chuva, na neblina, entre outras situações, ou ter se envolvido em um acidente muito grave, também são motivadores da fobia no trânsito.

Esses são alguns fatores que dificultam o desenvolvimento das habilidades de direção. Porém, há muitos outros.

Como, por exemplo, pessoas que não tinham veículo quando foram tirar a Carteira de Habilitação e, por isso, não praticavam a direção.

O medo também é um dos fatores que faz as pessoas não dirigirem depois de tirarem a carteira, dado que conduzir, agora sem a supervisão de um instrutor, pode ser uma experiência assustadora para muita gente.

Tratando a fobia no trânsito

Existem algumas formas de tratar a fobia no trânsito que, inicialmente, podem ser feitas sem uma ajuda terapêutica especializada.

Entretanto, em muitos casos, principalmente nos mais intensos, é recomendável ter um acompanhamento psicológico. Veja, abaixo, algumas dicas para controle da fobia no trânsito.

  • Melhore sua respiração

Quando as pessoas estão muito ansiosas, tendem a respirar de forma curta e rápida, o que deixa a respiração ainda mais desconfortável. Tente respirar com a boca fechada e inspire pelo nariz, até que a respiração volte ao ritmo normal.

  • Atividade física

Tente praticar sempre que possível atividade física e de relaxamento muscular, pois elas costumam auxiliar a controlar a ansiedade e o estresse.

  • Entre em contato com o estressor

Se você tem medo de entrar no carro e sair dirigindo por aí, comece apenas ficando por um tempo dentro dele. Ligue-o e desligue-o.

Tente passear no seu quarteirão ou em locais tranquilos, sem muito movimento. Escolha locais aos quais você já tenha ido de carro algumas vezes, pois isso irá evitar a ansiedade. Além disso, tente praticar ao menos duas vezes na semana o exercício de dirigir.

IMPORTANTE: poucas pessoas que têm fobia no trânsito conseguem desenvolver as atividades acima citadas sem a ajuda de um terapeuta. Por isso, não se sinta fraco ou triste por não conseguir sozinho. Procure o quanto antes a ajuda de um profissional.

O que diz a legislação sobre o tema?  

No Código Brasileiro de Trânsito, não há nada específico sobre a questão da fobia no trânsito. Porém, de um modo geral, os motoristas são avaliados em sua aptidão mental para serem liberados para a direção.

Esses exames são regulamentados pela Resolução 425/2012 do Contran:

Art. 1º O exame de aptidão física e mental, a avaliação psicológica e o credenciamento das entidades públicas e privadas para realização destes, de que tratam o art. 147, I e §§ 1º a 4º e o art. 148 do Código de Trânsito Brasileiro, bem como os respectivos procedimentos, obedecerão ao disposto nesta Resolução.

Essa avaliação é feita no momento da primeira habilitação e em outras condições específicas, conforme orienta o artigo 147, do CTB:

“Art 147. O candidato à habilitação deverá submeter-se a exames realizados pelo órgão executivo de trânsito, na seguinte ordem:  

I – de aptidão física e mental;  

  • 2º O exame de aptidão física e mental será preliminar e renovável a cada cinco anos, ou a cada três anos para condutores com mais de sessenta e cinco anos de idade, no local de residência ou domicílio do examinado.
  • 3º O exame previsto no § 2º incluirá avaliação psicológica preliminar e complementar sempre que a ele se submeter o condutor que exerce atividade remunerada ao veículo, incluindo-se esta avaliação para os demais candidatos apenas no exame referente à primeira habilitação.
  • 4º Quando houver indícios de deficiência física, mental, ou de progressividade de doença que possa diminuir a capacidade para conduzir o veículo, o prazo previsto no § 2º poderá ser diminuído por proposta do perito examinador.
  • 5º O condutor que exerce atividade remunerada ao veículo terá essa informação incluída na sua Carteira Nacional de Habilitação, conforme especificações do Conselho Nacional de Trânsito – Contran.

A fobia, em aspectos médicos, não é considerada uma deficiência por si só. Porém, em casos mais agravados, nos quais as capacidades física e mental estão fortemente comprometidas, a condição pode gerar a recomendação de exames de aptidão mental periódicos ou mesmo a reprovação nesses exames.

E, para quem dirige profissionalmente, a condição de fobia no trânsito extrema pode levar ao impedimento do exercício de direção. Por isso, buscar ajuda é fundamental.

Não é surpresa que a fobia no trânsito tem aumentado gradativamente com o tempo. Afinal de contas, o aumento do número de carros, principalmente em grandes metrópoles, tornou o trânsito um ambiente muito pouco agradável.

Por essa razão, ao sentir que precisa de ajuda para voltar a dirigir após um trauma na direção, procure um psicoterapeuta. Isso irá ajudar e muito na hora de voltar a dirigir de forma segura e confiante, o que garante a sua própria segurança e a de pessoas ao seu redor.

Você conhece alguém que sofre desse mal? Agora que você sabe mais sobre essa condição e sobre como ajudar as pessoas que sofrem dele, não deixe de compartilhar este conteúdo.

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