Bispo de Manaus convida sociedade a buscar superação da violência

Dom Sérgio Castriani, arcebispo de Manaus

Dom Sérgio Castriani afirma que o Brasil vive um período muito violento de sua história (Foto: Patrick Motta)

Da Redação

MANAUS – O arcebispo de Manaus, com Sérgio Castriani, convidou, nesta Quarta-feira de Cinzas, 14, os membros da Igreja Católica e a sociedade em geral a buscar meios de superação da violência. Esse é o tema da Campanha da Fraternidade 2018, que a igreja lança nesta quarta-feira: “Fraternidade e superação da violência”.

Em entrevista exclusiva ao ATUAL, dom Sérgio Castriani lembra que o tema foi tratado em Campanha da Fraternidade, no passado, mas durante o regime militar, quando a violência era escamoteada. “Hoje a violência está escancarada, todo mundo sabe o que é a violência, sente na própria pele”.

A violência foi tema da Campanha da Fraternidade de 1983 – “Fraternidade e Violência” –, e teve como lema “Fraternidade sim, Violência não”. Neste ano, segundo o arcebispo de Manaus, a campanha não é sobre a violência, mas como superar a violência. “Estamos num período muito violento da história do Brasil, não é um regime militar, mas é quase um regime militar, porque a gente tem direitos, mas difícil de serem  exercidos”, disse Castriani.

O arcebispo lembra que a violência existe desde o princípio da humanidade, mas afirma que cada geração tem o dever de superá-la. “Umas gerações conseguiram superar mais do que as outras, outras sucumbiram à violência”. Como exemplo, dom Castriani cita o nazismo na Europa, o comunismo na antiga União Soviética, e os “anos de chumbo” no Brasil como momentos em que houve um recrudescimento da violência.

Dom Sérgio Castriani também critica a Justiça, que para ele também é responsável pela violência, quando falha na sua missão de jugar e determinar punição para quem comete atos de violência. “A justiça é lenta, é uma justiça injusta, porque quem tem dinheiro tem todas as formas de recorrer, e quem não tem [dinheiro], não tem acesso”.

O arcebispo também aleta para a “justiça com as próprias mãos”, atos que vem se tornando corriqueiros na sociedade brasileira. “É perigosíssimo a população assumir o papel de polícia, por exemplo. Polícia é polícia, nunca é para a população fazer o papel de polícia. Isso é um retrocesso na civilização, retrocesso na História; isso aí é barbárie”.

Confirma a entrevista completa no vídeo abaixo:

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