2017: um ano de luta

O ano de 2017 começou com destaque para o Amazonas no noticiário internacional em virtude da rebelião no Complexo Penitenciário “Anísio Jobim”, cujo saldo de 56 mortes e 144 presos foragidos expôs ao mundo a fratura da violência e do poder do tráfico de drogas no Brasil.

No âmbito da vida política, um governador foi cassado, seguiu-se um governo interino, convocaram-se novas eleições e um novo mandatário tomou posse. Três ocupantes do cargo em um ano. Mais um constrangimento cívico e abandono para quem depende dos governos: a população mais carente. Para completar o ano de caos, foi deflagrada, no dia 13 de dezembro, a Operação Custo Político, com várias pessoas presas pela Polícia Federal, acusadas de corrupção.

A crise econômica assolou o Brasil do Oiapoque ao Chuí, escândalos políticos alastraram-se em 2017 e muitos nomes graúdos foram parar atrás das grades. Devemos acreditar que o enfrentamento da corrupção seja uma das maiores conquistas de um novo padrão de integridade e dignidade. Saímos mais fortes de tudo isso, mais unidos, mais conscientes do que queremos para o futuro. Sem dúvida, o maior ganho foi o aprendizado, que somente o sofrimento foi capaz de moldar. Nunca um ditado-clichê foi tão bem aplicado: “Quem não aprende com o amor aprende com a dor”.

Retomando a atividade produtiva, a Zona Franca de Manaus – no ano em que completou seu Cinquentenário – figurou com destaque entre os “bodes expiatórios” de uma perseguição incoerente e desmedida da desinformação e da má-fé, que obrigou alguns poucos líderes empresariais a buscar espaço na mídia do Sudeste para defender os acertos de nossa economia.

Não defender ou não se envolver com a sobrevivência do Estado e, consequentemente, com a economia é ajudar na volta do atraso e do abandono. Basta uma análise simples:  com tantos recursos usurpados, nossa estrutura continua precária, com dois portos privados e nenhum porto público. Nossa comunicação de dados e voz são precárias e caras e nossa logística de transportes segue na mão de dois grupos, com taxas elevadas dos serviços portuários e de navegação. Não há competitividade que resista. Continuamos isolados por terra do resto do Brasil e a novela da BR-319 não chega ao fim, por incompetência dos gestores públicos e por nossa incapacidade de escolher melhor nossa representação política.

A riqueza aqui gerada continua contingenciada pelo Governo Federal, recurso que deveria ser empregado na redução da pobreza e das desigualdades regionais, em melhor qualidade de vida, qualificação dos recursos humanos de nossa juventude e estruturação de parques tecnológicos para Biotecnologia e Tecnologia da Informação e da Comunicação.

Continuamos com uma Bancada Parlamentar dividida, como se uma andorinha só fizesse o verão. Sequer fomos capazes de criar uma agenda amazônica capaz de defender interesses comuns da região. Não prestamos atenção ao exemplo inteligente do Pará, o vizinho que deixa de lado conflitos históricos na hora em que o Estado está sob ameaça externa.  Aliás, essa divisão dos grupos políticos do Amazonas tem sido a causa maior do sofrimento, por confundirem o interesse pessoal e grupal com a defesa intransigente da população que os escolheu como representantes.

A burocracia continuou a ser um dos maiores entraves do País e impôs, com estrutura tributária, perdas imensuráveis a todos nós. Conforme dados do jornal O Globo, comparando o Imposto de Valor Agregado (IVA) da União Europeia com um dos nossos tributos, o PIS/Cofins, é possível ter uma ideia de tamanha burocracia: 118 páginas contra 1800 páginas brasileiras. Seria cômico se não fosse trágico e ultrajante. Para mudar, devemos olhar para os países que conseguiram vencer esses obstáculos e se transformaram, como a Austrália. Devemos estabelecer um consenso entre partidos políticos e cidadãos, discutir políticas públicas e criar uma agenda republicana para começar a tratar os iguais como iguais.

Nossas feridas estão abertas e a cicatrização será lenta e dolorida. Ainda teremos um caminho longo a percorrer para desenhar, detalhar e consolidar a verdadeira vocação deste País, voltada para a solidariedade e a prosperidade sustentável.

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