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Dia a Dia

WhatsApp descarta retrocesso contra fake news ao liberar grupos com milhares

15 de abril de 2022 Dia a Dia
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Will Cathcart, CEO do WhatsApp, descarta retrocesso (Foto: WhatsAAp/Divulgação)
Por Patrícia Campos Mello, da Folhapress

NOVA YORK – O WhatsApp não teme que o “comunidades”, recurso que permitirá enviar mensagens criptografadas para milhares de usuários, signifique um retrocesso na luta contra a desinformação.

“Estamos desenhando o produto de forma cuidadosa, com intencionalidade. Há vários produtos no mercado que não foram pensados com o mesmo cuidado. Conseguiremos oferecer um recurso muito útil para os usuários, ao mesmo tempo em que teremos decisões cautelosas de design para combater desinformação”, disse à reportagem Will Cathcart, presidente global do WhatsApp.

Cathcart afirma que o WhatsApp tem um papel muito diferente do Telegram, aplicativo de mensagens com histórico de não cooperar com as autoridades eleitorais e é o favorito dos bolsonaristas.

“O fato de não haver a possibilidade de fazer busca de grupos é uma diferença em relação ao Telegram. Também há uma diferença enorme de escala, o Telegram pode ter centenas de milhares de usuários”, diz.

“O Telegram tem menos foco em mudanças no produto para evitar desinformação e está menos disposto a cooperar com comissões eleitorais. De forma geral, nós estamos abordando as ‘comunidades’ com o mesmo cuidado e intuito que tivemos nos últimos dois anos, com o que aprendemos a respeito dos disparos em massa”.

Pergunta – O WhatsApp fez grandes mudanças para combater a desinformação. Vocês não temem que o ‘comunidades’ coloque tudo isso em risco, pois será difícil controlar se políticos vão usar o recurso para se comunicar com milhares de pessoas e eventualmente distribuir fake news em ambientes criptografados de ponta a ponta, diferentemente do Telegram, e será muito difícil ter qualquer tipo de controle?

WILL CATHCART – Estamos desenhando o produto de forma cuidadosa, com intencionalidade. Há vários produtos no mercado que não foram pensados com o mesmo cuidado. Acho que conseguiremos oferecer um recurso muito útil para os usuários, ao mesmo tempo em que teremos decisões cautelosas de design para combater desinformação.

P – Quando o ‘comunidades’ estará disponível para os usuários?

WC – No Brasil, não estará disponível para todos os usuários antes do final da eleição presidencial. Queremos garantir que vamos acertar, e mudanças de produto no contexto de uma eleição precisam ser muito bem pensadas. Começaremos com um número muito pequeno de comunidades nos próximos meses, para ver como funciona e receber sugestões.

O WhatsApp foi concebido para conversas entre duas pessoas ou pequenos grupos. Mas ouvimos de várias pessoas como seria bom usar o aplicativo em escolas e organizações. A pandemia acelerou tudo isso. O foco ainda é comunicação privada para organizações. Não é uma funcionalidade de rede social. É muito diferente do Telegram, que ajuda os usuários a buscarem grupos e canais, que tem um número muito maior de integrantes.

Nós estamos muito mais focados em um ambiente de trabalho, grupo de pais, organização religiosa, vizinhança, mais parecido com o tipo de ferramentas usadas no Slack e no Teams. E como em tudo o que fazemos, há um foco em segurança e tudo terá criptografia ponta a ponta. Não acho que o diretor de uma escola deveria ser obrigado a compartilhar suas mensagens com uma empresa privada.

P – Qual é o número máximo de membros em cada comunidade do WhatsApp?

WC – Vamos começar com milhares. Não todos juntos em uma conversa, mas em vários grupos para toda a organização, como uma escola, uma empresa.

P – Os administradores das comunidades poderão enviar mensagens, os chamados avisos, para milhares de pessoas. De que maneira isso não é uma lista de transmissão, em vez de mensagem privada, e qual é a diferença em relação aos canais do Telegram? Será possível convidar pessoas para entrarem nas comunidades ou grupo com um link, bem parecido com os links de grupos políticos que eram distribuídos em 2018.

WC – O fato de não haver a possibilidade de fazer busca de um grupo é uma diferença em relação ao Telegram. Também há uma diferença enorme de escala, o Telegram pode ter centenas de milhares de usuários. Além disso, estamos sendo muito cuidadosos e pensando muito bem o produto para que possamos combater abuso e desinformação. Seguiremos com nosso trabalho de detecção de contas falsas e disparos em massa.

No mundo, removemos 8 milhões de contas por mês e temos as limitações de encaminhamento de mensagens. Acrescentaremos mais uma limitação, não será possível encaminhar uma mensagem para mais de uma conversa de grupo por vez, dentro ou fora de uma comunidade. O Telegram está focado em possibilitar a busca nas comunidades, e não tem muita intencionalidade em relação à desinformação ou combater abusos.

P – Entendo que o objetivo é reunir vizinhanças, escolas e empresas, mas como será possível evitar que se faça uso político das comunidades?

WC – Estamos sendo muito cuidadosos com o desenho do produto e vamos fazer mudanças caso seja necessário. Claro que podemos imaginar um político usando comunidades com sua equipe, ou até organizações governamentais utilizando o produto para comunicação privada. Mas do mesmo jeito que o Slack e o Teams normalmente não são usados por políticos para alcançar um número enorme de pessoas, nós também imaginamos as comunidades para serem usadas por organizações privadas.

P – Ainda não entendi de que maneira o ‘comunidades’ é muito diferente do Telegram, fora o recurso de busca de grupos.

WC – O Telegram tem menos foco em mudanças no produto para evitar desinformação e está menos disposto a cooperar com comissões eleitorais. De forma geral, nós estamos abordando as comunidades com o mesmo cuidado e intuito que tivemos nos últimos dois anos, com o que aprendemos a respeito dos disparos em massa.

P – Além de restringir encaminhamentos a um grupo, vocês irão adotar mais mecanismos para impedir viralização de mensagens desinformativas?

WC – Continuaremos com nosso trabalho de combate ao abuso. E apesar de o conteúdo dos grupos ser criptografado, o nome, a descrição das comunidades, e a estrutura dos encadeamentos de mensagens não são, e poderemos acompanhar isso.

P – No momento, quais são as fontes de receita do WhatsApp?

WC – Estamos focados em ajudar consumidores a falar com empresas, pelo WhatsApp Business e WhatsApp API, e isso gera receita para nós. Grandes empresas e organizações que usam WhatsApp API podem receber mensagens de seus clientes pagando-nos uma taxa. Estamos vendo um enorme crescimento nessa área, com muitas empresas adotando.

O WhatsApp Pay, que está em funcionamento na Índia e no Brasil, é gratuito para pessoas enviando dinheiro para seus amigos. Talvez, mais para frente, grandes empresas e organizações incluam WhatsApp Pay em seu WhatsApp Business, como mais um serviço para seus clientes, o que seria também uma fonte de receita para nós.

P – Muita gente no Brasil já tem um ‘grupo de pais’ no WhatsApp. Por que é necessário ter o ‘comunidades’?

WC – As comunidades vão dar aos administradores mais ferramentas para gerenciar essas conversas. Poderiam ter, na comunidade de uma escola, grupos para cada classe, grupo para o diretor e funcionários, outro para voluntários na escola. O diretor poderia mandar uma mensagem urgente para todo mundo na comunidade, em vez de ter que achar todos os grupos de pais e pedir para as pessoas encaminharem.

P – O WhatsApp tem um plano de prontidão para a eleição brasileira?

WC – Sim, temos uma equipe dedicada a monitorar disparos em massa durante a eleição, 24 horas por dia. Além disso, temos a parceria com o TSE e as agências de checagem, e todas as mudanças que fizemos no produto ao longo dos anos para combater abusos.

P – Vocês estão preocupados com uma possível repetição em 2022 da avalanche de desinformação eleitoral pelo WhatsApp que ocorreu em 2018?

WC – Estamos confiantes em relação às medidas que viemos adotando, e vamos continuar a monitorar de forma muito atenta. Tenho orgulho do trabalho que fizemos.

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Assuntos fake News, Grupo com milhares, Presidente do WhatsApp
Murilo Rodrigues 15 de abril de 2022
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