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Economia

Volta ao consumo deve ser lenta por medo do coronavírus, diz presidente do Banco Central

21 de maio de 2020 Economia
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Empregadores podem conceder férias coletivas para evitar o contágio (Foto: Fernando Frazão/Agencia Brasil)
Volta ao consumo tende a ser lenta independentemente da intensidade do isolamento social (Foto: Fernando Frazão/Agencia Brasil)
Da Folhapress

BRASÍLIA – O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a volta ao consumo tende a ser lenta independentemente da intensidade do isolamento social por causa do novo coronavírus.

Segundo ele, haverá o “fator medo” na retomada das atividades econômicas.

Campos Neto participou na noite desta quinta-feira, 20, de evento virtual da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base).

O presidente da autoridade monetária disse ter observado que, em países que não tiveram isolamento total, ou que já saíram dele -assim como aqueles que fizeram-, o retorno tem sido igualmente gradual. “Isso é uma constatação”, afirmou.

“Em países que não adotaram lockdown, ou seja, que não fecharam totalmente, e que fecharam mas já estão saindo, a volta ao consumo de serviços está bem lenta, muito mais lenta do que o esperado, independentemente de ter adotado medidas mais restritivas ou não”, disse.

Campos Neto avaliou que, mesmo sem a restrição, as pessoas temem o vírus.

“O fator medo fez com que isso acontecesse, tem um elemento medo que ainda é predominante, enquanto tiver esse fator não parece que a indústria de serviços vai ter uma volta muito rápida.”

Durante a transmissão, o presidente do BC também falou sobre o acesso das empresas ao crédito.

Ele frisou que os novos empréstimos cresceram cerca de 13%, mas que a demanda por crédito aumentou 250%.

“As concessões crescem mais para as grandes empresas, um pouco menos para as médias e menos ainda para as pequenas. Mas esse aumento grande na demanda dá uma sensação maior de não estar sendo atendido”, afirmou.

Campos Neto previu que os bancos precisariam dobrar a base de capital para atender toda a demanda atual por crédito.

“A demanda de crédito, principalmente no setor mais baixo das empresas, aumentou pela falta de previsibilidade no fluxo de caixa.”

O presidente do BC falou também sobre o papel do banco privado na crise.

“É uma falácia que o problema é que bancos privados não emprestam e que os públicos estão fazendo todo o trabalho. Isso não é verdade. Em novas contratações, entre os maiores bancos, os privados fizeram 80% das novas concessões e públicos fizeram 20%”, afirmou.

Campos Neto reconheceu que alguns programas têm baixa adesão e afirmou que a equipe está reformulando a linha de financiamento de folhas de pagamento das empresas e de DPGE (Depósito a prazo com garantia do FGC).

Além disso, ele adiantou que inicialmente o governo viabilizaria que maquininhas de cartão concedessem empréstimo às pequenas empresas, mas que, no Ministério da Economia, optaram por outro modelo.

“Tomou outro formato, mas vai ter amplitude muito parecida.”

Fiscal

Campos Neto afirmou que a equipe econômica do governo Jair Bolsonaro não quer abrir mão do plano original.

“O time de economia não quer pagar um preço de voltar a viver com um fiscal pior e com gastos permanentes”, disse.

“Estamos fazendo um desvio que precisa ser feito e que é importante ser feito e que a gente vai fazer o quanto for necessário para ajudar o crescimento do país, mas nosso objetivo depois é voltar para o trilho”, afirmou.

“A gente tem visto recentemente que quando o mercado começa a entender que essa saída dos trilhos não tem volta, piora rapidamente e nós não temos o luxo de ter muito espaço fiscal”, disse.

Campos Neto disse que, se houver piora fiscal permanente, “os mercados e os investidores vão punir o Brasil de uma forma que vamos voltar para um equilíbrio fiscal antigo, de juros altos, mas vai ser pior, porque a gente tinha equilíbrio de juros altos onde o governo criou uma dívida muito grande, agora a gente vai começar com uma dívida muito maior e o espaço de atuação é muito menor”.

Dólar

“Entendemos que [o câmbio] é flutuante, aumentamos o nível de intervenção nos últimos dias porque entendemos que o Brasil estava descolando de outros países emergentes”, afirmou.

Ele afirmou que, com a desvalorização do Real, as reservas internacionais ficaram maiores em relação ao PIB (Produto Interno Bruto).

“Temos espaço amplo de venda de reservas, vamos continuar atuando e podemos até aumentar a atuação se entendermos que é necessário.”

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Assuntos banco central, Covid-19, crise econômica
Redação 21 de maio de 2020
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