
Da Redação
MANAUS – De hospedaria para imigrantes italianos a abrigo de leprosos, a Vila de Paricatuba sofreu diversas mudanças. Criada em 1898, as construções foram abandonadas e hoje, em ruínas, funcionam como ponto turístico em Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus), na margem direita do Rio Negro.
O acesso à Vila de Paricatuba pode ser por via fluvial ou pela Ponte Rio Negro e rodovia estadual AM-070 que atravessa parte do município chegando a Novo Airão e Manacapuru.

Construída para servir de alojamento para imigrantes, o prédio foi sede do Instituto Afonso Pena, Liceu de Artes e Ofícios, cuja inauguração contou com a presença do então presidente Afonso Moreira Pena, em junho de 1906. Administrado por padres franceses, membros da comunidade aprendiam técnicas de marcenaria, construção civil e artes.

Depois, funcionou como prisão e, em seguida, foi transformado no Hospital Belisário Pena para pacientes de hanseníase. Funcionou como hospital por quase 40 anos, só fechando às portas quando foi construída a Colônia Antônio Aleixo na zona leste de Manaus.
A histórica Vila de Paricatuba é considerada um lugar promissor ao estudo e pesquisa da arqueologia e ao desenvolvimento do turismo nos finais de semanas e feriados, levando os visitantes as praias, sítios e pousadas e a registrar grandes árvores entrelaçadas por trepadeiras entre as ruínas do casarão. Em seu entorno a floresta amazônica é banhada por cachoeiras e igarapés com vegetação preservada.

Síntese Cronológica (registros aos visitantes em banner na área interna do casarão):
1898: o Governo do Estado inicia a construção de uma grande hospedaria para imigrantes italianos, logo depois é abandonada;
1906: inauguração do Instituto Afonso Pena, Liceu de Artes e Ofícios, com a presença do Presidente do Brasil Afonso Pena;
1924: por decreto do então governador em exercício, Turiano Chaves Meira, é feita a entrega do prédio de Paricatuba para a Profilaxia Rural do Amazonas (PRA) instalar um leprosário;
1925: término das obras do leprosário, início do acolhimento dos leprosos e visita do embaixador do Japão, Schichita Tatsuké;
1930: transferência compulsória de todos os leprosos registrados na PRA para Paricatuba;
1962: início da transferência dos leprosos para a Colônia Antônio Aleixo (em Manaus) após a destruição das edificações de Paricatuba;
1970: instala-se em Paricatuba uma missão religiosa chamada Missão Pistóia, da igreja católica, com missionários italianos liderados pelo Padre Humberto Guidotti;
1992: abertura da estrada de acesso ao Paricatuba.
