
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS – Vaquinha paralela aberta por um grupo de amigos de São Paulo para ajudar a estudante amazonense Rilary Manuela Coutinho foi encerrada com apenas oito doações, que somam R$ 717. A campanha foi iniciada antes da oficial, mas teve pouca adesão em razão de dúvidas sobre a sua veracidade.
Nesta terça-feira (7), Rilary disse ao ATUAL que ela e a família conversaram com os idealizadores da vaquinha paralela e preferiram manter apenas a campanha oficial, lançada pela ONG Razões Para Acreditar, que já acumulou R$ 197,4 mil em doações até esta terça-feira (7). O dinheiro será destinado aos estudos de Rilary, que pretende cursar engenharia civil.
A dúvida sobre a veracidade da campanha aberta pelo grupo de amigos foi resultado, em parte, da falta de comunicação entre o grupo de amigos e a estudante, que mora em Itapiranga, interior do Amazonas. Em fevereiro, a estudante publicou nas redes sociais dela que não tinha conhecimento sobre os idealizadores da campanha no site Vakinha.
Rilary disse que conversou com a médica Ana Flávia Pouza, uma das idealizadoras da campanha aberta em São Paulo, sobre o fim das doações na campanha paralela. “A gente encerrou a vaquinha. Eu e minha família conversamos e entendemos que já temos uma vaquinha oficial. A outra campanha dela poderia causar desentendimento”, disse a estudante ao ATUAL.
Ana Pouza afirmou que ela e os amigos conheceram a história de Rilary através das redes sociais e decidiram abrir a campanha para ajudá-la. “Fui estudante de universidade pública também, estudei longe de casa. Meus pais ‘ralaram’ para que eu pudesse formar-me. Quase tive que pedir o crédito educativo”, disse a médica.
No início, o grupo não conseguiu contato com a estudante, mas decidiu iniciar a mobilização no site Vakinha. Conforme a médica, dias depois, a plataforma bloqueou a campanha por falta de documentação da estudante. “Recebemos uma mensagem no Vakinha que nos entristeceu, dizendo que a nossa vaquinha acima era falsa”, afirmou Ana Pouza.
Através do ATUAL, Ana conseguiu falar com Rilary e a família da estudante e o problema foi resolvido. A médica, no entanto, critica a falta de orientações e informações da plataforma de doações para quem tem a intenção de ajudar determinadas causas, como ocorreu com a estudante amazonense que alcançou nota mil na redação do Enem.
“Os sites poderiam ser mais claros e formais no sentido de exigirem fotos e selfies dos documentos pessoais de quem cria as campanhas e de quem será o beneficiário das mesmas no momento do cadastro, e não depois que a campanha é lançada a título de verificação de Autenticidade, porque senão acontecem situações delicadas e constrangedoras como esta, onde o pessoal acha que a campanha é falsa”, disse Ana.
A campanha oficial lançada pela ONG Razões Para Acreditar já arrecadou 8,8 mil doações, que totalizam R$ 197,4 mil, conforme registra o site Voaa, nesta terça-feira. Aberta no dia 24 de fevereiro, a campanha tem duração de 20 dias, ou seja, ainda restam oito dias para o fim da mobilização.
