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Variedades

‘Um corpo que cai’ volta aos cinemas brasileiros

17 de abril de 2015 Variedades
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Mas nos últimos anos tem ocorrido um fenômeno interessante. Em 2012, a revista Sight and Sound, editada pelo BFI, British Film Institute, fez uma pesquisa com diretores e estudiosos e Um Corpo Que Cai (Vertigo) foi para o topo, seguido de Cidadão Kane (Divulgação)

 

SÃO PAULO – Durante décadas, O Encouraçado Potemkin e Cidadão Kane se alternaram no topo das listas de melhores filmes de todos os tempos. Ora era o cultuado clássico de Sergei M. Eisenstein, com sua celebração da montagem e a cena da escadaria de Odessa, que Eric Hobsbawm considera a mais influente do cinema, ora o de Orson Welles que consolidou o bê-á-bá da narração cinematográfica – e o curioso é que Kane, com seu retrato do americano como imperialista, não deixa de estar na contramão do canto que o russo faz do homem-massa comunista.

Mas nos últimos anos tem ocorrido um fenômeno interessante. Em 2012, a revista Sight and Sound, editada pelo BFI, British Film Institute, fez uma pesquisa com diretores e estudiosos e Um Corpo Que Cai (Vertigo) foi para o topo, seguido de Cidadão Kane. Potemkin – os puristas dizem ‘Po-ti-ôn-kin’ – foi banido de entre os dez mais. Outras pesquisas, na França, o país dos cinéfilos, levaram à consagração de O Mensageiro do Diabo, único filme dirigido pelo ator Charles Laughton.

Nos Top 100 de Cahiers du Cinéma, O Mensageiro ficou em segundo, seguindo-se a Kane, e Potemkin de novo não teve lugar entre os dez mais. Chamados a escolher, os internautas colocaram no topo o clássico de Laughton, que Jean Tulard define no Dicionário de Cinema como “joia pura realçada por um brilho maléfico”.

Um Corpo Que Cai é a imperdível atração da vez nos clássicos restaurados da rede Cinemark. Passa neste fim de semana, no sábado e domingo, com direito a outra apresentação na quarta-feira que vem. Mestre do suspense, Hitchcock talvez nunca tenha sido mais refinado nem sinuoso como nessa história de vertigem e desejo, que trata da vertigem do desejo. James Stewart faz o policial, Scottie, que logo no começo encara o abismo e passa a ter um medo mortal das alturas.

Encostado, ele é contratado para seguir uma mulher que apresenta um comportamento estranho. Madeleine (Kim Novak) move-se num mundo que parece em câmera lenta, em outro tempo. Visita um museu e perde-se olhando um quadro. Entra num parque de sequoias e parece estabelecer uma espécie de comunhão com as árvores mais antigas que se têm conhecimento no mundo. Scottie deixa-se envolver pelo mistério da mulher. Não consegue evitar seu suicídio.

Atormentado, ele vaga pelas ruas e encontra, de novo, Kim Novak, mas agora ela se chama Judy. No corpo de Judy, Scottie opera uma transformação e traz, de entre os mortos, Madeleine. Chama-se assim, D’Entre les Morts, o livro da dupla Boileau-Narcejac em que Hitchcock se baseou para conceber esse poema necrófilo. A definição era dele. Ao discípulo François Truffaut, na entrevista que lhe deu – e resultou num livro famoso -, Hitchcock diz que Scottie, no fundo, quer fazer amor com uma morta.

É tempo de rever Um Corpo Que Cai e renovar o fascínio do melhor filme de todos os tempos. E ainda conta com a partitura romântica de Bernard Herrmann. E Kim Novak, em seu maior momento na tela.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

 

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Assuntos cinema
Valmir Lima 17 de abril de 2015
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