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Variedades

Tom Hanks decifra ‘A Divina Comédia’ em ‘Inferno’

14 de outubro de 2016 Variedades
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SÃO PAULO – Já faz dez anos que o simbologista Robert Langdon, personagem criado pelo escritor Dan Brown, ganhou a forma de Tom Hanks em ‘O Código Da Vinci’, adaptação cinematográfica dirigida por Ron Howard. Em 2009, eles voltaram ao mesmo universo com ‘Anjos e Demônios’. E agora retomam a parceria em ‘Inferno’, já em cartaz nos cinemas de todo o país, que começa com Langdon acordando sem memória num hospital italiano. O simbologista tem em sua posse um artefato misterioso e precisa desvendar seu segredo, que tem a ver com o Inferno descrito por Dante Alighieri em ‘A Divina Comédia’, e descobrir a razão de sua amnésia enquanto foge de pessoas que tentam matá-lo.

Ao lado de Langdon na aventura está a médica Sienna Brooks (Felicity Jones), que o acompanha em sua jornada por Florença, Veneza e Istambul enquanto tentam impedir a liberação de um vírus que dizimará metade dos seres humanos. A diferença entre ‘O Código Da Vinci’ e ‘Inferno’ é, entre outras coisas, a tecnologia: há uma sequência inteira em que são perseguidos por um drone, que, por sua vez, foi filmada com a ajuda de um drone.

Ron Howard vê semelhanças entre a época em que Dante escreveu A Divina Comédia, o século 14, e os dias de hoje. “Como no Renascimento, estamos atravessando um período de intensa transformação na sociedade”, afirmou o diretor em entrevista ao ‘Estado’, em Cingapura. “E é um movimento global. Isso está criando muita tensão e muita incerteza para as pessoas. Meu maior medo é que essa ansiedade seja canalizada para a procura de bodes expiatórios, para a intolerância… Vimos isso acontecer muitas vezes ao longo da história”.

Para o diretor, essa é uma das razões do sucesso de Dan Brown. “São livros divertidos, interessantes, e ainda assim, por baixo disso, ele está provocando, trazendo à tona controvérsias que são estimulantes e fazem pensar”.

Ron Howard não tem outras sequências em seu currículo, a não ser as sagas com Robert Langdon baseadas nas obras de Dan Brown. Mas garante que cada caso é um caso. “Nós abordamos cada um desses projetos individualmente. Eu, Tom Hanks e Brian Grazer, que produziu os anteriores e é meu parceiro na produtora Imagine Entertainment, conversamos sobre cada um”, disse. “Penso sempre primeiramente no público de cinema”.

Por essa razão, explicou, resolveu pular o terceiro livro da série, O Símbolo Perdido, lançado antes de Inferno. “O Símbolo Perdido é ótimo, vendeu bem, mas não sentia que podia oferecer algo ao público que levasse o personagem adiante, que fosse tão fresco, cinematográfico e empolgante para mim. Foi uma decisão pessoal. O projeto passou por diversos tratamentos de roteiro e nunca ficou parecendo algo novo enquanto filme”. Não que a possibilidade de uma adaptação esteja descartada. “Mas não controlamos os direitos nem somos obrigados a fazer esses longas por contrato”.

Um dos atrativos da saga é a mistura de realidade e ficção. Cerca de 70% das cenas de Inferno foram rodadas em locações. Mas o grande desafio, sempre, é driblar o fato de milhões de pessoas conhecerem a resposta para o enigma. “Desta vez, os relacionamentos são fundamentais na trama e nas viradas da história”, explicou Ron Howard. “Não era assim nos filmes anteriores. Você acaba descobrindo mais sobre Robert Langdon pelo caminho porque ele é parte do mistério neste caso”. E essa, ele espera, é uma recompensa boa o suficiente para os fãs.

Já Tom Hanks revela que as filmagens exigiram preparo físico. O ator disse que uma das cenas foi justamente a que foi rodada com ajuda de um drone. “Estávamos correndo daquele drone em cima de cascalho, ou naqueles paralelepípedos antigos, escadas. Mas até que acaba sendo divertido. É bom, te mantém em forma!”, contou. Ele deu a seguinte declaração à Agência Estado.

De que mais tem medo?

Tom Hanks – Ignorância. Tem muito dinheiro a ser ganho com a exploração da ignorância. Muito poder a ser conquistado utilizando o que é essa ignorância. A ideia de não ir além da resposta mais fácil, esse é o verdadeiro perigo. Acho que faz parte da natureza humana que 49% das pessoas fiquem totalmente felizes por permanecer ignorantes. Por sorte há outros 51% sempre querendo mais informações. E esses dois pontos porcentuais parecem nos manter num caminho levemente favorável.

Então, você é otimista?

Tom Hanks – Acho que sou um pragmático. Não tiro conclusões precipitadas. Sempre cavo um pouco mais para procurar as causas. Estudo história e fico deslumbrado quando a história parece estar falando dos dias de hoje. E isso é verdade mesmo voltando bem para trás, para a Florença do Renascimento, no século 14, quando havia muita ignorância, mas também iluminamento. E qual venceu? O iluminamento acabou ganhando, não foi?

Muita gente acha que, em Inferno, Langdon é como Jason Bourne, porque perde sua memória, todo o mundo quer matá-lo, e ele é a ultima esperança do mundo. O que acha disso?

Tom Hanks – Acho que os filmes de Jason Bourne se alimentam um do outro. Nossos filmes são histórias independentes uma das outras. Mais como as de Sherlock Holmes, com inícios distintos e em que o que aconteceu antes não importa tanto. Ninguém precisa ver os dois filmes anteriores para saber quem é Langdon. Mas a maior diferença mesmo é que Jason Bourne dá porrada, enquanto Robert Langdon leva porrada!

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

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Assuntos Inferno, Ron Howard, Tom Hanks
Cleber Oliveira 14 de outubro de 2016
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