
Por Gabriel Hirabahasi e Gabriel de Sousa, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, voltou a dizer nesta quarta-feira (28) que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve ser candidato nas eleições de 2026. Segundo a ministra, todos os auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que possuem força eleitoral precisam “vestir a camisa” para enfrentar a direita nos Estados.
“Nós não temos o direito de deixar a extrema direita voltar a governar este país. Esse é o compromisso que esse campo progressista tem e Lula tem essa clareza dessa responsabilidade. Por isso, acho que, em uma situação como essa, em que temos um enfrentamento grande e está em risco um projeto de país e a democracia, todos têm que entrar em campo, todos têm que vestir a camisa e fazer aquilo que melhor sabem fazer na disputa eleitoral”, afirmou a ministra.
“Eu defendo que todos os quadros nossos, inclusive o ministro (Fernando) Haddad, sejam candidatos nesse processo eleitoral. Nós precisamos disso, nós precisamos fazer essa disputa nos Estados com a extrema-direita e precisamos instalar os nossos melhores quadros”, afirmou Gleisi em um café com jornalistas nesta quarta-feira (28).
Nos bastidores, Haddad, cotado para concorrer ao Senado ou ao governo de São Paulo, tem dito que não deseja se candidatar nas eleições deste ano, e sim participar do comando da campanha à reeleição de Lula. O presidente se opõe ao plano.
PSD
Gleisi também evitou opinar sobre a ida do governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado, ao PSD. Sobre o fato do partido ter três ministérios e três postulantes ao Planalto, Gleisi disse que Lula conta com o apoio de alas regionais da sigla.
“A gente já teve apoio do PSD; em vários Estados, na eleição de 2022, acho que a tendência é essa. O PSD não é um partido de unidade nacional, é um partido que se movimenta pelos interesses regionais e federados e nós vamos lidar com isso”, declarou a ministra.
Lewandowski
A ministra disse também que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski informou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes de ser convidado para o cargo, sobre contratos de consultoria que tinha na iniciativa privada. Um deles era com o Banco Master.
Gleisi não afirmou que Lewandowski tenha falado especificamente sobre o Master com Lula. Reforçou, em mais de uma oportunidade, porém, que o ex-ministro conversou com o presidente sobre seus contratos na iniciativa privada.
“Quando o presidente convidou o ministro, ele tinha contrato de consultoria com o Master. Ele informou ao presidente (sobre os contratos) e adotou todas as medidas necessárias para assumir o cargo, se afastou, saiu da consultoria, se afastou do escritório de advocacia, como manda a lei”, disse Gleisi.
A ministra inicialmente falou que “nós sabíamos que ele (Lewandowski) prestava serviços ao Master”. Depois, se corrigiu e disse que o ex-ministro avisou o presidente sobre suas atividades privadas. “Ele avisou que prestava atividades privadas e teria de se afastar. Não sei se ele falou exatamente do Master, mas falou de atividades privadas. Ele deve ter comentado. Mas isso não é um impeditivo”, declarou.
Gleisi seguiu um discurso de que todo o escândalo envolvendo o Banco Master foi revelado e está sendo apurado durante o governo Lula. Reforçou, por exemplo, que a Polícia Federal, sob o comando de Lewandowski, foi responsável pela investigação do caso.
“A relação que o governo tem é a fiscalização rigorosa do que aconteceu e da apuração e responsabilização. Em nenhum momento o governo titubeou sobre isso”, afirmou.
Gleisi também minimizou a reunião do presidente Lula com o dono do Master, Daniel Vorcaro, em dezembro de 2024. Disse que o presidente “recebe muita gente, recebe muitos donos de bancos, muita gente do mercado financeiro”.
“A orientação do governo é para atuar na estrita técnica e legalidade na apuração dos fatos. Tanto que foi no nosso governo que o dono do Master foi preso, foi no nosso governo que foi feita a liquidação e é no nosso governo que está sendo feita a investigação rigorosa pela PF”, declarou.
A ministra disse que a “oposição tem mais explicações a dar do que a gente” sobre o caso Master. Citou aplicações de fundos de pensão de governos estaduais comandados pela direita. Evitou, porém, citar nominalmente políticos de Brasília que tinham relação com Vorcaro. Minimizou conexões do banqueiro e seus aliados com petistas da Bahia e apontou para governadores de oposição.
“A oposição tem de explicar o envolvimento dos seus governos com essa questão. O governo do Distrito Federal, o do Rio de Janeiro, que estão envolvidos com os fundos de pensão em relação ao Master. A oposição também tem de explicar por que Fabiano Zettel, cunhado do Vorcaro, foi o maior doador individual da campanha do (Jair) Bolsonaro e do Tarcísio (de Freitas). Me parece que tem muito mais explicações para a oposição dar do que o governo. Quem tinha relação com o Master eram eles, isso está claro”, afirmou a ministra.
