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© 2022 Amazonas Atual
Economia

Tese do ‘Brasil voltou’ será testada no Fórum Econômico de Davos

15 de janeiro de 2024 Economia
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Ministra Marina Silva (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
Ministra Marina Silva vai liderar grupo da agenda ambiental brasileira no Fórum de Davos (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
Por João Caminoto, enviado especial Do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Uma das principais bandeiras do primeiro ano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a reintegração do Brasil no mapa político internacional, após um mergulho no ostracismo durante a gestão de Jair Bolsonaro. E o primeiro teste relevante da tese de que o “Brasil voltou” acontecerá nesta semana em Davos, durante o Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial.

A cidade nos Alpes suíços, como ocorre há mais de meio século, vai hospedar cerca de 3 mil delegados de 125 países, entre eles, dezenas de chefes de Estado e presidentes das principais empresas do mundo, como Bill Gates, da Microsoft, e Sam Altman, da OpenAI.

Apesar das reiteradas críticas de ser um “convescote dos ricos” e estar em decadência, o evento em Davos ainda é, de longe, o mais importante encontro multitemático da agenda global.

Na lista de participantes, há políticos de contrastantes tons ideológicos, entre eles Javier Milei, presidente recém-eleito da Argentina, e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro.

Líderes de países em guerra, como Volodmir Zelenski, presidente da Ucrânia, e Isaac Herzog, de Israel, não renunciaram à oportunidade de estar em Davos. Representantes dos principais bancos, empresas e consultorias, acadêmicos e até alguns artistas sempre circulam pelas ruas cobertas de neve.

Nas 386 palestras e debates que ocorrerão até sexta-feira, será possível medir a temperatura de como a comunidade internacional está avaliando os rumos do Brasil desde o início do governo Lula 3.

Os esforços para reposicionar o País como um importante player político global já estariam gerando resultados concretos, garante o governo. Mas a desconfiança gerada pelos afagos do Brasil à Rússia de Vladimir Putin e ao ditador Nicolás Maduro, da Venezuela, atrapalharam muito essa estratégia. Sem falar do recente apoio de Brasília à acusação sul-africana de genocídio contra Israel por causa do conflito em Gaza.

Ausência

Lula, que em 2003 foi a principal estrela de Davos, se manteve distante neste terceiro mandato. Entre os integrantes da delegação oficial brasileira, estão o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso; as ministras do Meio Ambiente, Marina Silva; da Saúde, Nízia Trindade; o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira; e o chefe da assessoria especial da Presidência, Celso Amorim.

No lado econômico e financeiro, chama atenção a ausência de nomes do primeiro escalão do governo brasileiro. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, esteve em Davos em 2023, mas cancelou sua ida neste ano.

Caberá aos representantes de bancos, como o presidente do conselho de administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, e André Esteves, presidente do BTG, a tarefa de avaliar o grau de confiança com a economia brasileira, após a aprovação da reforma tributária e inflação na meta e diante das crescentes dúvidas com a performance fiscal.

Mesmo para a ministra Marina Silva, a missão de vender a imagem de um Brasil líder na defesa da preservação ambiental poderá ser questionada, pois o próprio presidente Lula e lideranças do governo têm dados sinais públicos contraditórios sobre esses compromissos. O ministro Barroso terá de discorrer sobre os crescentes temores de politização do STF.

Tradicionalmente, os organizadores de Davos estabelecem pautas globais ambiciosas para os seus encontros. Neste ano, elas estão relacionadas à busca de maior diálogo em um “momento de complexidade geopolítica”, disse o presidente do fórum, Borge Brende. “Reconstruir a confiança dentro e entre as sociedades pode lançar as fundações da cooperação necessária para moldar um futuro mais sustentável, inclusivo e resiliente”, disse.

A inteligência será tema de dezenas de seminários e promete ser um dos principais destaques do evento.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Assuntos brasil, Davos, Fórum Econômico, tese
Murilo Rodrigues 15 de janeiro de 2024
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